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segunda-feira, julho 24, 2006

MAL(BEN)DITAS HERANÇAS

MAL(BEN)DITAS HERANÇAS
* Vanessa Felix dos Santos

Malditas heranças é o título de um dos textos que engloba o artigo A pedagogia do medo: disciplina, aprendizado e trabalho na escravidão brasileira de Mário Maestri contido no livro Histórias e memórias da educação no Brasil e que sintetiza a visão de educação que se tinha a época da colonização do Brasil em relação à aprendizagem dos negros africanos e quede alguma forma continua a existir nas práticas educacionais atuais. O texto é o seguinte e merece ser citado:
"Em todos os momentos da escravidão imperou inconteste a visão do castigo físico como recurso pedagógico imprescindível ao aprendizado e à manutenção da qualidade do ato produtivo. Pilar das visões de mundo das classes escravisadoras, a idéia do castigo físico justo, como recurso pedagógico excelente, penetrou as classes subalternizadas da época, tornando-se, a seguir, uma das mais arraigadas visões pedagógicas informais da civilização brasileira. A mesma herança maldita fortalece a ainda muito ampla percepção pedagógica de dificuldade quase natural ao aprendizado das classes populares, sobretudo se afro-descendentes e se expressando nos padrões lingüísticos populares divergentes da norma culta praticada e ditada pelos seguimentos dominantes."

A tendência de pensamento que crê ser o negro biologicamente inferior devido às suas características físicas foi utilizada por muitas vezes utilizada para justificar a escravidão do negro africano e que atualmente -ainda que muitos insistam em dizer que não ou de estar havendo diminuição -vigora na dita modernidade ou pós-modernidade: o discurso que confere ao negro ou pessoas oriundas de classes populares ter uma dificuldade quase natural ao aprendizado resume-se em uma só palavra: racismo. Na época da escravidão no Brasil-e provavelmente antes-acredito ter existido a manifestação do racismo que hoje conhecemos. A partir da época da escravidão é que podemos pensar sobre a manifestação do racismo, pois o negro era tido como um ser primário e incapaz de compreender e comportar-se como um homem civil e que para ser educado conforme mandava o senhor de engenho recebia castigos físicos. E na prática do português ninguém interessou-se por introduzir os negros. O negro africano tinha de desdobrar-se para adquirir conhecimentos da rotina e das normas da fazenda.
É a partir da história retomando-a e rememorando-a é que podemos compreender as concepções que foram constituídas e estigmatizadas ao longo da história. Se hoje a maioria da população no Brasil é negra e apenas o mínimo freqüenta a universidade ou o maior número de alunos que evadem ou repetem o ano são negros, ou que tem uma certa dificuldade não a natural, mas aquela em que o aluno não tem por ele mesmo meios de lutar contra as brincadeiras feitas pelos outros colegas com seu cabelo, com sua pele por dizerem que tem cor de sujeira, por compará-lo com um macaco, é porque os alunos não vêem a escola e os professores como amparo para defendê-los da discriminação. A escola e os professores trabalham a favor da lentidão do ensino; não levam em consideração a história cultural que carrega o aluno, deixam de valorizar a história do negro, de sua cultura e de sua identidade. O problema da escola é o de tratar todos os alunos como iguais, ou seja, ao chegar à escola o aluno precisa estar adequado às normas cultas estabelecidas pelos segmentos dominantes, como ter familiaridade com livros, com a norma culta da língua portuguesa, ter certos comportamentos padrões valorizados pela escola e aprendidos dentro das famílias das classes dominantes. Mas geralmente a sala de aula tem como componentes crianças vindas de famílias com baixa renda que não preocuparam-se em investir no conhecimento prévio para os filhos para a educação escolar, como a leitura de livros, por exemplo, sabendo que evidentemente a ascensão social dos filhos não acontecerá de uma hora para outra, visto que a educação escolar depende de um longo prazo para ser concluída. O que as famílias vêem e crêem é no ganho através do trabalho assalariado e na maioria das vezes braçal e que o dinheiro ganho dê para ajudar na renda familiar. É apenas aqui que os detentores do poder querem que os negros pobres cheguem, pois a visão ainda racista com que é visto o negro é de que ele tem força física para trabalhar braçalmente. Será que conseguimos pensar em algum período histórico do Brasil? O negro a época da escravidão era visto-alguns pensamentos racistas (ou não) diriam que o macaco e o negro se parecem fisicamente, isso fica claro nas ilustrações de livros infantis em que o desenho que se tem do negro demonstra a tentativa de aproximar o negro do macaco, ou seja, o negro é tudo menos humano- como um ser que se adapta muito bem ao trabalho braçal porque é forte e resistente, ou seja, o negro é inferior e não possui intelecto para pensar, para refletir e comportar-se como homem civil? (Mario Maestri, História e Memória da educação no Brasil).
Quando se pensa na educação escolar voltada para atender as necessidades da população negra, surgem empecilhos para que a escolarização que se almeja, e que é de direito para todos os cidadãos, não se processe. Dentro da História do Brasil muitos foram os empecilhos para que os negros não chegassem a receber a educação escolar. No Brasil, admita-se que freqüentassem as aulas adultos ingênuos -lê-se: filhos de escravos nascidos após lei emancipatória- ou libertos, mas o regulamento da escola provincial não admitia que freqüentassem as aulas diurnas, apenas à noite.
A concepção historicamente construída de que o negro somente serve para o trabalho braçal e que basicamente não necessita de reflexão pode ser notada no regulamento das escolas provinciais do país, pois a tarefa do professor era a de complementar o plano de ensino com matérias que faltavam, como o Princípio das ciências e artes mais úteis aos usos comuns da vida, ou seja, aquilo com que os negros já haviam trabalhado durante boa parte de suas vidas: trabalho agrícola e doméstico. É por essa construção histórica que pode ser pensado os motivos pelos quais ao se falar em cotas para negros nas universidades são caladas de várias maneiras as vozes de quem quer ver serem construídas e efetivadas políticas de reparações para essa população. Ao falarmos de cotas para negros nas universidades surgem vários discursos que contrariam. O que os discursantes não sabem é que cotas sempre existiram como a Lei do boi que previa garantia de vagas no ensino superior aos filhos de produtores rurais ou as cotas dentro de partidos políticos para mulheres.
Outro impedimento que surge para não serem atendidas as políticas reparadoras é a respeito da Lei 10.639/03 que mesmo abrindo caminhos para uma educação anti-racista, para a educação das relações étnico-raciais ainda caminha a passos lentos, pois foi vetado o artigo que garante a formação de professores para trabalharem a História e Cultura Afro-brasileira e Africana evidentemente por demandar despesas para o governo. Mas de qualquer forma temos de celebrar a elaboração da Lei 10.639/03, uma vez que é a partir dela que poderá ser ensinado que o negro faz parte da formação do Brasil, da família brasileira, da cultura brasileira. É onde a criança negra terá meios de sentir sua identidade negra quando, através de práticas pedagógicas, for tratada por parte dos educadores a História e Cultura negra dentro e fora da sala de aula trazendo para os educandos a alta estima se sentir e ver reconhecida a sua identidade étnico-racial:§ 2° Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras?-Lei 10.639/03.
No curso, Trabalhando a História e Cultura Afro-brasileira e africana que participei pela UFRGS, um dos convidados disse o seguinte: todo professor que quer trabalhar em educação deve suspeitar do que lê. O que entendi daí é que a suspeita nos faz pesquisarmos e sermos investigadores. Com a reflexão do palestrante pude me ater mais profundamente na leitura que fiz do livro Casa grande & Senzala na disciplina de História da educação no Brasil pela Faculdade de Educação da UFRGS. O autor Gilberto Freyre mostra uma visão bastante harmônica do que foi a colonização do Brasil entre os povos que aqui estiveram um influenciando o outro culturalmente. Por essa sua visão Gilberto Freyre tem recebido muitas críticas, apesar de muitas serem negativas foi a partir da leitura de Casa grande & Senzala que pude começar a pensar na contribuição no negro na formação da família brasileira e na cultura do país onde cotidianamente reproduzimos as heranças benditas do modo de falar, da culinária, das características do cuidado com a criação dos filhos, da dança, da música. A partir daí pude pensar e procurar saber mais sobre a cultura negra que é bastante vasta desde a África- e que influenciou não só o Brasil, mas todo o mundo.

Mas, infelizmente, ainda carregam os negros brasileiros a herança maldita de serem considerados como incapazes de compreender, refletir e que só servem mesmo para o trabalho forçado. Contudo, acredito que se algo nos é impedido de que seja realizado é aí que devemos lutar para que possamos nos erguer trabalhando para corrigir equívocos históricos e para formar cidadãos orgulhosos de seu pertencimento ético-racial. Sempre em toda a história do negro no Brasil houve barreiras para que eles conquistassem lugar a fim de obterem o conhecimento escolar. Creio, então, que seja a partir da luta a favor da valorização da história, da cultura e da identidade negra, da formação de professores para que o conhecimento da cultura afro-brasileira e africana seja reconhecido, para que a política de cotas seja efetivada nas universidades. É através educação geral -da família, da convivência com amigos, da comunidade-e da educação escolar é que poderemos conscientizar a população negra de se orgulharem de pertencer a uma cultura étnico-racial, de seu valor histórico para a construção da sociedade brasileira, e de que seu conhecimento tem valor e deve ser reconhecido. Essas podem ser consideradas as benditas heranças.


Referências bibliográficas:

STEPHANOU, M. (Org.); BASTOS, Maria Helena Camara (Org.). HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DA EDUCAÇÃO NO BRASIL - Vol. I - Séculos XVI-XVIII. 1. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2004.

sábado, julho 15, 2006

Nossa história contada através do brinquedo

A presença das atividades lúdicas na história da humanidade é inegável, apesar de não dispormos de documentos oficiais que tratem especificamente ?do brincar? em cada período, sabe-se que os brinquedos e brincadeiras sempre estiveram presentes, exercendo um papel de fundamental importância na construção e aquisição da noção de ?mundo? diante da mentalidade infantil, como teorizam muitos estudiosos. Piaget, por exemplo, destaca a importância do tema e afirma: ?a linguagem e o pensamento da criança e a formação do símbolo na criança se dá através da imitação, jogo e sonho, imagem e representação.
Logo todas as crianças, independente da época, certamente brincaram e brincam porque assim assimilam e elaboram seu pensamento.
A fim de melhor compreender a relação e as influências dos fatos históricos sobre a cultura lúdica se buscou informações, que revelaram algumas curiosidades como, a ?pipa?, ?papagaio? ou ?pandorga?, por exemplo. Conta-se que suas origens se deram no oriente, inclusive, foi utilizada como artifício de guerra por um General Chinês, que ao pretender dominar um território por meio da construção de um túnel utilizou a ?pipa? para calcular a distância a ser escavada. Quanto ao Brasil, segundo a maior parte dos historiadores, constituiu-se basicamente, da mistura de três raças: índios, brancos e negros. Nascendo dessa união não só uma grande diversidade de cor, mas também uma imensidão de crenças, costumes, gostos e sabores o que se refletiu em igual proporção na construção lúdica das atividades que se consagram e se propagam até os dias atuais. A importância da contribuição que cada grupo étnico concedeu para a formação do nosso país pode ser contada através do aporte de cada um desses povos.
Para começar, os índios, primeiros filhos dessa terra, possuíam ritos que geraram lendas e muitas estórias. O bicho papão é um deles, oriundo dos rituais de formação dos ?curumins?. Outros costumes, que pudemos evidenciar nos relatos do autor Gilberto Freyre em sua obra Casa Grande Senzala, eram imitar bichos, brincar com bonecos de barros que as mães índias construíam, criar animais domesticáveis com o intuito de lhes fazer companhia e não somente para saciar a fome e atender interesses econômicos. Com isso as crianças passavam a utilizar estes animais como bonecos em suas brincadeiras, hábito, que surpreendentemente, podemos constatar vivo ainda hoje, na maior parte das famílias que possuem animais de estimação e estes, muitas vezes, servem como companheiros nas brincadeiras e animações das crianças da geração ?zap?. Além disso, podemos citar o gosto das crianças indígenas por viverem em bando, realizando danças e brincadeiras de nado nos rios.
Do povo europeu recebemos muitas heranças que compuseram o repertório de brincadeiras da infância brasileira. Para cá, trouxeram versos e cantigas de roda como o ?pirulito que bate...?, adivinhações ?o que é, o que é?, estórias de bruxas, fadas, homem de sete cabeças, príncipes, castelos, tesouros e muitos outros. Quanto aos jogos trouxeram amarelinha, bolinha de gude, jogo de botão, pião, xadrez, tiro ao alvo, gamão, etc.
Já dos povos dos Africanos, herdamos muitas cantigas, lendas e mitos que foram trazidos através do misticismo religioso desse povo, deuses e animais encantados, como o baoitatá, boi da cara preta (presente em quase todas cantigas de ninar que eram cantadas pelas amas de leite e até hoje são cantadas), Saci Pererê, lobosomem, mula sem cabeça, cuca personagens que estiveram presentes a embalar muitos sonhos dos ?pequeninos?. Também construíam brinquedos de sucata e materiais dispostos na natureza. Além dessas muitas outras contribuições aconteceram, porém é importante lembrar que em especial no caso dos povos negros traficados, existe uma grande dificuldade em resgatar com fidelidade sua história, devido à destruição de muitos documentos, além disso, os negros aqui recém chegados foram separados, pelos traficantes escravistas, dos companheiros que falavam a mesma língua, permanecendo junto pessoas de distintas localidades que utilizavam dialetos diferentes, fato que dificultou a propagação cultural considerando que maior parte dos costumes é transmitido pela oralidade. É o que nos chama a atenção, o autor do livro Jogos Infantis Kishimoto, Tizuko Morchida, mas assim mesmo é possível vislumbrar a importante contribuição deixada por esse povo bravo, guerreiro.
O contexto do curso histórico também exerceu seu grande poder, visto que o brincar é a imitação da realidade que circunda a criança, no Período Colonial pode-se constatar uma tendência a brincadeiras agressivas, com certo teor de brutalidade, (os meninos (as) negro (as) serviam quase como brinquedos dos meninos brancos da Casa Grande) eram reproduzidas as desigualdades e desumanidades em relação a grave descriminação racial que existia nessa época. De um modo geral, a infância era desprovida de direitos sendo vista de forma pejorativa pelos mais ?velhos?, terminando muito cedo, normalmente aos sete anos. Mentalidade que sofreu significativa mudança com chegada dos tempos contemporâneos, onde a criança passa a exercer um real poder de consumo, principalmente, das novas tecnologias e conseqüentemente é elevada, pelo interesse do marketing, a ocupar um papel de individuo na sociedade, passando a assumir uma postura relevante inclusive no ambiente familiar. O lado positivo desse interesse comercial é que as crianças passam a ser respeitadas enquanto seres de diretos e, esses devem ser preservados.Essa pesquisa nos levou a concluir que os inúmeros jogos, lendas, brinquedos e brincadeiras que foram citados, além de revelar fatos que contam nossa história e organização social, nos permitiu compreender que o mais importante da cultura lúdica é se constituir como um forte elo, que interliga gerações de avós, mães, filhos e netos unificando-os em uma linguagem universal (a linguagem das brincadeiras do tempo de criança) e, portanto, coloca-os em uma gigante roda a cirandar que se repete e propaga através das mais doces lembranças que pudemos guardar

quinta-feira, julho 13, 2006

LEGADO HISTÓRICO DOS BRINQUEDOS
Maria José dos Santos Alves*



Todo o passado da humanidade contribui para estabelecer esse conjunto de princípios que deu origem à educação de hoje: toda nossa história aí deixou traços, como também o deixou a história dos povos que nos precederam.:
Émile Durkheim


Ao observar as crianças contemporâneas brincando no pátio de suas escolas, nas praças públicas, de amarelinha, esconde-esconde, cabra-cega, de mímica, se divertir nos balanços, se encantarem com os cata-ventos, esta mesma geração que tem contato com todo avanço tecnológico, rendem-se aos brinquedos e brincadeiras que permaneceram ao longo dos séculos.
Refletindo sobre estas observações, começara a florescer a idéia de pesquisar quais os brinquedos utilizados pelas pessoas que ainda estão em nosso convívio (pais, avós, tios).
Este levantamento mostrou que os brinquedos utilizados além dos citados acima, estavam o arco, a perna de pau, o pião, o bilboquê.
O embasamento histórico sobre estes brinquedos, se assenta as obras de Philippe Ariès1 ,Gilberto Freire 2e Tyzuko Morchida Kischimoto3.
A Amarelinha é uma brincadeira que segundo (Tizuko, p.24) chegou ao Brasil por intermédio dos primeiros portugueses, século XVI. As brincadeiras de mímica, esconde-esconde, cabra-cega,o príncipe da França Luiz XIII, divertia-se com a sua mãe a rainha. A brincadeira de cabra-cega também foi encontrada em uma tapeçaria do início do século XVI, representando camponeses e fidalgos, com um detalhe, não apareciam criança. Na Holanda, na segunda metade do século XVII, vários quadros tinham a representação de pessoas, também brincando de cabra-cega, nesta época já apareciam crianças misturadas com adultos. (Philippe Áries (1978) ,pp. 87-93).

O balanço outro divertimento que resistiu os séculos, pois são encontrados registros deles na iconografia dos jogos e brincadeiras no século XVIII. O cata-vento presente também em nossa sociedade, o autor descreve como sendo imitação da técnica usada nos moinhos de ventos, introduzida na idade média.(Philippe Ariès, (1978) p.88).
Podemos ver, que as crianças da idade média, idade moderna e idade contemporâneas permaneceram com as mesmas brincadeiras. As principais diferenças esta que as crianças de nossa sociedade tem contato com todo o avanço tecnológico. Questiono o que faz este elo ser tão forte, que atravessa século sem ser modificado ?modernizado??. Segundo Philippe Áries, as crianças constituem a sociedade humana mais conservadora.
Alguns brinquedos adquiriram uma roupagem tecnológica como o pião, este brinquedo já era conhecido no século XVII , na França.
O arco que era uma argola de ferro equilibrada por uma varinha, registra seu aparecimento no fim da idade média, nesta época não era somente brincadeira de criança. A partir do século XVII foi deixado somente para as elas, como faria durante o século XIX, até seu abandono definitivo na metade do século XX. Entrevistei pessoas na faixa etária dos 60 anos, aqui no RS, que brincavam de arco, de bilboquê, perna de pau , até a década de 50. Este relato vai ao encontro da pesquisa feita por Philippe Ariès, p. (119). O bilboquê, na obra a de Tizuko4, tem como referência de sua criação, na utilização dos ourives, para carregar os pedaços de ouro. Na obra de Philippe Áries5 , encontrei informação, que este era brinquedo utilizado pelo do rei Henrique III (1551-1589) e esteve em moda na corte de Luiz XIII (1638-1715). A perna de pau em nossa sociedade ficou o legado de seu uso em espetáculo circense, mas sua origem estava ligada aos romanos que a utilizava para atravessar os terrenos alagados, estamos aqui nos referindo a idade antiga.
O que fez o arco, o bilboquê, a perna de pau e tantos outros brinquedos caírem em desuso? (Philippe Ariès, p.119), argumenta que talvez a verdade seja que, para manter a atenção das crianças, o brinquedo deva despertar alguma aproximação com o universo dos adultos.

Refletindo sobre a argumentação do autor, questiono o que faz perdurar as brincadeiras de esconde-esconde, mímica, amarelinha, cabra-cega, o balanço, o cata-vento, que magia existem nestes brinquedos, que unem as crianças medievais, modernas e contemporâneas. Conversando com as crianças, elas disseram que o faz de conta, a imaginação que estes brinquedos proporcionam. Se nós transportássemos ao passado e conversássemos com as crianças da idade média e moderna, será que iríamos nós surpreender com as respostas ?
Enquanto educadores somos mediadores dos elos históricos, como ressalta Émile Durkheim, no trecho de minha epigrafe, toda nossa história deixou traços, como também o deixou a história dos povos que nos precederam: estes traços também estão presentes nas brincadeiras que perduram, fazendo parte do cotidiano das crianças, assim como tiveram presente em nossa infância. Podemos aproveitar e ministrar aulas de história brincando e através destas aulas, as crianças saberão que estes brinquedos são legados históricos, que as faz se divertirem, assim como divertiram as gerações passadas.


* Aluna / PEC-Graduação/FACED/ disciplina: História do Ens. Brasil
1 História Social da Criança e da Família ? 1978 2º edição ? ed . JC
2 Casa Grande & Senzala ? 1980 20º ed. Livraria José Olympio
3 Jogos Tradicionais Infantis ? 1993 ? 2º ed. ? ed: Petrópolis
4 Jogos Tradicionais Infantis ? 1993 ? 2º ed. ? ed. Petrópolis
5 História Social da Criança e da Família ? 1978 2º ed. ? editora : JC

quarta-feira, julho 12, 2006

Ações Afirmativas Já!!!

Vivemos um momento histórico e político de desigualdade e exclusão social, mas também um momento de ação transformadora dos movimentos sociais, acompanhado por um processo de transformação do pensamento, abrindo nossas mentes para finalmente conseguirmos chegar mais perto daquilo que chamamos de entendimento real do mundo que nos cerca.
Sabemos atualmente que esse entendimento está presente de uma forma muito particular e não é possível construir um mundo harmonioso em que exista tanta diversidade sem um pensamento que nos una, não apenas como educadores mas como pessoas, e com isso sejamos capaz detransformar nossa realidade.
Afinal, o que estamos discutindo desde o início do semestre, embora não tão profundamente, já foi discutido varias vezes ao nosso entorno mas o que mudou? As coisas mudam muito pouco pois poucos têm aoportunidade de estudar a fundo estas questões, e desses poucos a maioria busca entendimentos para si ao invés de buscar um consenso mais amplo.
Já encontrei diversos programas, reportagens e livros falando sobre diversidade, ainda que não na quantidade que me parece necessária. Discutir sobre diversidade parece estar em moda mas não estará esta discussão sendo muito limitada? Se já sabemos a importância da harmonia entre as diversidades não deveríamos conhecê-las agora? Deque adianta apenas reconhecermos e respeitarmos as diversidades das outras culturas sem ao menos conhecê-las?
O Brasil é um dos países com maior diversidade cultural, contudo, infelizmente me parece que são necessárias leis para que possamos realmente conhecer essas culturas que estão diretamente ligadas a nós e as nossas vidas.
A discriminação racial no Brasil tem reflexos no sistema educacional e impacta o acesso e desempenho de diversos grupos, como é o caso da população negra dentro da sala de aula.
A população negra brasileira, o Movimento Negro, as pesquisas e estatísticas oficiais têm denunciado que, apesar de toda a riqueza cultural e de sua ativa participação, o povo negro no Brasil ainda vive uma realidade imersa no racismo e na discriminação.
Os movimentos negros têm questionado a eficácia das políticas sociais de caráter universal, as quais desconsideram fatores como sexo, raça ecor na história e na trajetória da população e identificaram uma visão unilateral como um dos problemas na educação brasileira e com isso desde a década de 70 passaram a reivindicar um espaço nas escolas parao estudo da "cultura e história dos afro-brasileiros", entretanto apenas em 9 de janeiro de 2003 foi aprovada a lei 10.639.
A lei introduz no sistema educacional uma forma de reconhecer evalorizar a participação de outras culturas em nossa história, além da européia, e favorece a reconstrução das relações étnico-raciais no ambiente escolar de todo o país. A conquista desse espaço não é completa, pois ainda não há profissionais qualificados o suficiente para trabalharem com esse assunto, os educadores de hoje ainda são formados nos modelos unilaterais e mesmo que tenham boa vontade necessitam de auxílio.
Nos últimos anos, e particularmente nos últimos meses, houve um significativo aumento no espaço que a mídia brasileira dedicou às questões sobre as políticas de ações afirmativas. Entretanto, as discussões ficaram centradas em apenas na garantia de vagas para alunas e alunos negros nas universidades públicas, ou seja, o polêmico debate sobre as cotas. Esse assunto chama a atenção de toda a sociedade para as tensões existentes nas relações étnico-raciaisbrasileiras, contudo é necessário lembrar que não podemos deixar de fora as outras formas de ações afirmativas, como é o caso da promulgação da lei 10.639/03.
Contudo não podemos nos esquecer de que não é apenas a questão negra que deve ser alvo de políticas educacionais de ações afirmativas, mas também as populações indígenas e demais culturas além de outros grupos excluídos da nossa sociedade, como é o caso dos deficientes.
Apesar dos avanços no campo das políticas públicas devemos questionar: o que exatamente será ensinado? qual o montante de recursos públicos destinados às políticas educacionais na perspectiva da diversidade? No caso do governo federal, esses recursos estão contemplados no orçamento da União? Como? Ou são recursos disponíveis por meio de "arranjos orçamentários" dentro do MEC, de suas secretarias e de outros ministérios? Qual o peso político e o raio de ação da Secretaria Especial de Políticas dePromoção da Igualdade Racial (SEPPIR) no governo federal? Como ela tem feito a mediação com os demais ministérios e, sobretudo, com o MEC? E como os objetivos e ações da SEPPIR têm sido recebidos no interior dogoverno federal? As iniciativas educacionais oriundas dos governos federal, estaduais e municipais são consideradas políticas de Estado ou ainda são políticas de governo, que podem deixar de existir ao sabor dos rumos políticos e partidários?
Encontrar respostas para essas e outras questões significa mais do que a construção de um campode reflexão teórica. Significa a construção de ações concretas, efetivas, afirmativas e positivas. Essa é a demanda histórica dos movimentos sociais e, mais especificamente, do Movimento Negro. É também um dever e um compromisso de todos aqueles que acreditam e lutam pela democracia.
Caroline Maurmann Peixoto
web-bibliografia
acessado em terça-feira, 20 de junho de 2006, 18:50:33

terça-feira, julho 11, 2006

Mensagem aos que fizeram falta hoje!



Imagens falam mais do que palavras.
Ainda assim, não resisto!
Escrevi ontem a noite uma carta para minhas alunas e alunos!
"A educação brasileira é desigual". Mascarar esta desigualdade social implícita, reforça uma aparente igualdade. "As incertezas" como "possibilidade" de análise da "lógica capitalista" que "se increve nas escolas", na educação, nos hospitais, no uso das tecnologias e também nas religiões implicamo superar uma forma de fazer conhecimentos e "saberes tradicionais". "Olhares nos entre-meios" impõem descobrir o encoberto, ligar saberes, estabelecer relações com os outros, conhecer a história que vimos fazendo em nosso país, estado, cidade, universidade e também na nossa sala de aula. Nos "entre-meios" descobrimos "compromissos" e "comprometimentos" aos quais nos apegamos, não como certezas absolutas, mas como possibilidades que cotidianamente vivenciamos. "Individualmente" ou no "coletivo", ao vivo e na presença ou na distância espaço-temporal do blog, na fala e na escrita, produzimos, neste semestre, as incertezas de nossas vidas!
Entre uma "educação pública", as "práticas egoistas", as várias "cidadanias", de "ajustamentos" e de "restrições", na presença de presença de "preconceitos de raças, cor, classes sociais", "idade", "gênero", de ideologias que encobrem, mascaram e defendem uma noção de "pseudo-igualdade" na homogeneidade da "qualidade da escola privada", por vezes apenas o lugar da reprodução social, "vivemos nossa humaniodade", nossas "religiosidades", nossas vidas.
Pensando letras,
Sentindo palavras,
Com a alma cheia de dedos,
com carinho,
"pessimismo da razão
e otimismo da vontade"

domingo, julho 09, 2006

Políticas afirmativas

Após a leitura do livro ?casa grande e senzala?, farei meu artigo contemplando a reflexão, com ênfase no capitulo dois, que relata aspectos indígenas.
Os indígenas têm sua cultura diferenciada da nossa (não índia), agora imaginemos a aproximadamente 500 anos, quando o Brasil foi ?descoberto? pelos portugueses.
Como o próprio autor nos conta ouve um grande impacto cultural e social. Cultural porque para os índios era natural da cultura deles andar nus, tomar muitos banhos ao dia e até mesmo pintar os corpos. Entretanto para os portugueses toda essa naturalidade lhes era estranha e até mesmo pecaminosa.
Mas foi destas diferenças que surgiu o brasileiro, um pouco índio, um pouco português.
Ao entrar na escola e estudar o índio o vemos apenas como a raça explorada, ou ainda como aquele garotinho que tradicionalmente pintamos na semana indígena, com uma pena na cabeça e um cocar na cintura (semana esta que não tem a menor significação para o próprio indígena). Esquecemo-nos que este povo nos influenciou com sua cultura e sua maneira de levar a vida.
A mulher teve papel fundamental na formação das pessoas da época do descobrimento, afinal foram elas as responsáveis pela povoação do Brasil, estas tinham filhos tanto com os índios quanto com os portugueses que aqui chegaram e ficaram bastante preocupados em expandir o numero de ocupantes territoriais que ainda era muito pequeno. Os portugueses procriaram com as nativas porque as mulheres ?brancas? só vieram para a América mais tarde e também porque para as índias era natural deitar-se com os homens, sua cultura não condenava esse tipo de atitude, eram poligâmicas. Ter vários companheiros na cultura indígena não queria dizer que a mulher era fácil como nos coloca o autor Gilberto Freyre, que em uma das passagens de seu livro nos diz que as índias eram fáceis e que por qualquer bugiganga que fosse, já estavam de pernas abertas para os portugueses. Achei uma maneira muito infeliz de colocar a sexualidade das índias, talvez uma maneira elitista e católica de ver a situação.
Digo isso porque os jesuítas ao chegarem no Brasil ficaram apavorados com tantos pecados cometidos pelos naturais da terra, então tentaram aprender a língua dos indígenas para aproximar-se destes e fazer com que se convertessem ao catolicismo. Os padres que aqui chegaram impuseram a sua religião não respeitando a crença dos nativos. Além dessa invasão, os jesuítas também impuseram aos indígenas que usassem roupas (era uma maneira de conter os instintos humanos, que eram tão aflorados nos índios), as mulheres das tribos tiveram mais dificuldades de se adaptar aos trajes, pois tinham o habito de tomar muitos banhos (chegavam de 10 a 12) ao dia, e os tecidos acabavam atrapalhando na hora de lavar-se, também levando em consideração que as roupas eram de tecido e as mulheres acabavam por se sentirem sujas.
A educação indígena daquela de 1.500 era feita de forma oral e era passada de geração para geração, as crianças aprendiam as musicas com os mais velhos. Não existia nenhum tipo de escola ou instituição de ensino.
Era papel da mulher educar os filhos, que quando bebês andavam amarados nas mães como cangurus. E depois de maiorzinhos andavam sempre junto de suas mães.
Gilberto Freyre nos coloca ainda no segundo capítulo os indígenas como raça atrasada, isso me despertou indignação, pois chamar os índios de raça atrasada é chamarmos de raça atrasada, afinal com tanta miscigenação biológica e cultural, acabamos por ter um pouquinho de índio dentro de nós, então somos atrasados também ?
Povo atrasado com tanta diversidade de cultura e tantos saberes, como lendas, chás naturais, músicas, respeito à natureza, manejo de florestas, agricultura... ( acho difícil!)
Assim como os indígenas, os negros também foram citados no livro de Freyre, dois povos que foram oprimidos ao longo da história.
Para amenizar esse descaso com o raça negra foi aprovada a lei 10.639 que prevê o ensino da história da África como obrigatório nas escolas. Entretanto sabemos que grande parte das instituições de ensino ainda não se adequaram a lei.
Ensinar aos indivíduos algo além da escravidão, lei importantíssima, porém seria desnecessário se os educadores já tivessem criado a consciência da importância desse povo para a formação brasileira.
Para concluir fica a pergunta: será que terá que ser aprovada uma lei para que o ensino da cultura indígena seja completo?













Cassiana Oliveira da Silva

sábado, julho 08, 2006

Preceptoras européias:quem foram e no que contribuiram para a educação no Brasil

Todos sabemos que a mulher tem grande importância na educação.Elas foram uma das primeiras a se preocupar com isso,com a instrução e também com o carinho que se deve dar as crianças.Mas muitas delas foram esquecidas pela história.As preceptoras são algumas, que foram ficando esquecidas devido não aparecerem nos escritos da época.
Por isso quero lembrai-vos de quem elas foram.

Eram mulheres que tinham um sonho:

"Como seria delicioso ser preceptora!Correr o mundo,começar vida nova,agir por mim própria,exercitar minhas faculdades,até então desaproveitadas;tentar a minha capacidade que eu mesma desconhecia;ganhar o meu sustento, e mais alguma coisa para ajudar e confortar meu pai,minha mãe e minha irmã.E depois,como seria agradável a incumbência de cuidar da educação das crianças.Deliciosa tarefa, cultivar as plantinhas tenras,comtemplar dia-a-dia os botões que desabrocham!(BRONTË,Anne)

Esse era o sonho que as acompanhava,mas na prática era muito mais difícil.Elas eram mulheres solteiras ou viúvas que precisavam trabalhar para sustentar-se e muitas vezes ajudar a família. Por trabalharem, tiveram que enfrentar os paradigmas da época, e perder seus status sociais, pois mulher naquela época era pra casar.

Nisto nota-se que elas eram destemidas,enfrentavam o trabalho e a solidão em países estranhos,como o Brasil no séc.19. Aqui elas tinham a incubência de passar as disciplinas que as mães não passavam para as filhas,trasmitir as crianças brasileiras os princípios da educação européia para prepará-las para uma vida culta e elegante.

As preceptoras vieram pro Brasil, pois o mercado da europa já estava saturado.Elas ganhavam pouco,mas a oferta era melhor que na Europa.Trabalhavam os primeiros meses para pagar a viagem, e depois guardavam o que recebiam para poderem ter uma velhice tranqüila e ajudavam também os pais que estavam na Europa.

As primeiras coisas que ensinavam eram as línguas- inglês, francês, alemão- depois ensinavam piano e as artes, e por último ensinavam o português.Elas começaram lecionando como lecionavam na Europa, mas depois viram que os brasileiros eram diferentes e passaram a ensiná-los de outra maneira.

Ensinavam somente as meninas, pois os meninos eram levados para colégio na Europa.Elas não podiam ensinar tudo o que sabiam,tinham que passar apenas os que os pais permitiam, porque mulher na época não precisava saber mais do que ler as orações como diz um ditado:

"Uma mulher é bastante instruída,quando lê corretamente as suas orações,
e sabe escrever a receita de goiabada.
Mais que isso seria um perigo para o lar."(EXPILLY,J.-p. 269)

Isso frustava um pouco as preceptoras, pois não podiam ensinar tudo o que sabiam.Elas foram desaparecendo no início do séc.20,pois sugiram os colégios.As que ficaram no Brasil viraram professoras dos internatos femininos e muitas voltaram para a Europa,para estar perto de sua família.

Vemos então o quanto elas são importantes para história.Elas foram as primeiras a lutar pela independência financeira das mulheres,quebrando muitos paradigmas da época, a partir delas é que obtemos mais força para que a mulher também pudesse trabalhar.

No Brasil além de serem as primeiras mulheres a lutar pela indepência financeira,também auxiliaram muito na educação.Se temos essa educação hoje diferente da Europa e da América do norte,devemos a elas, que foram as primeiras a inserirem uma educação diferente, pois viram que os brasileiros eram diferentes do europeus.

Portanto não podemos esquecer das preceptoras.Temos que passar essa história,que não é muito contada por livros de história, a diante e mostrar que a nossa educação teve a contribuição delas e que também a luta das mulheres pela independência financeira começou por elas.


Alessandra Bencke.turma:A

OBS:Não consegui entrar no usuário da turma "A",por isso entrei como turma "B"

Ensino da História da África:As novas abordagens da história

EDU 01159 - HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL
PROFESSORA: MARIA APARECIDA BERGAMASCHI
NOME DA ALUNA: LISANDRA VEIGA DOS SANTOS
ARTIGO

Aproveitei o ensejo da elaboração do trabalho final da disciplina para desenvolver um estudo sobre a lei n° 10639/03. Irei discutir a questão a que ela abre possibilidade de mostrar ao corpo discente algo mais que as guerras européias, ou a superficial e preconceituoso ensino da história da África que predomina nas escolas.
O que primeiramente farei será discutir sobre os currículos atuais que são mantidos como tradição nas escolas brasileiras. Não consigo conceber como a escola - na qual sua equipe que conta desde professores até os diretores ? é bombardeada na mídia e em palestras sobre a diversidade étnico-racial não são efetivamente discutidas. Alguns até possuem esse elemento em sua formação universitária, mas nem por isso mudam a situação do ensino na sua escola, perpetuando o sistema. Pergunto-me há quantos anos aprendemos os mesmos assuntos na disciplina de História?A geração de nossos avós já aprendia da mesma forma, os mesmo assuntos: admitir que o Brasil foi ocupado e não descoberto, foi recente, quantos equívocos mais, ou quanta História é posta de lado para se ensinar conteúdos ditos ?mais importantes??Exemplificando essa prática do ensino de uma História preconceituosa podemos pensar na própria História do Brasil. Os escravos negros são tidos como povo inferior e incapaz de movimentos politizados ou ações como a de ensinar os senhores da casa grande a ler e escrever ou mesmo até tornarem-se intelectuais como Castro Alves e Machado de Assis. Temos também o exemplo dos Asiáticos de tradição dos origamis, samurais e demais aspectos culturais e que muitas vezes se esconde a sua tecnologia de ponta, a maior expectativa de vida e assim por diante, formando a imagem de um continente atrasado.
É lamentável se pensarmos nesse sentido negativo e não procurarmos as respostas e saídas dessa questão. A Lei 10639/03 veio para abrir uma das portas trancadas da História: hoje é a África, amanhã outros países injustiçados pela obscuridade na sala de aula. Talvez a falha encontra-se na formação acadêmica do professor, da tradição arraigada e transmitida a todos os alunos no dia-a-dia da sala de aula, de toda uma concepção errônea da História, mas para que isso mude, precisamos mudar o profissional de hoje que irá auxiliar na formação do profissional de amanhã e assim, numa espécie de reação em cadeia, podemos enfim mudar a História. Mudar esse currículo impregnado de pragmatismo saudosista e frequentemente tido como certo pelas autoridades, que restringe os horizontes do aluno ao invés de expandir, que o insere num processo de reificação, alienação e o leva a contradições, uma vez que o próprio convive com essas diferenças étnicas diariamente na escola, em casa, na rua e até na televisão.
Pessoalmente, só fui tomar consciência de uma abordagem mais ampla da História através dessa disciplina, do estudo mais cuidadoso do livro Casa Grande & Senzala, do autor Gilberto Freyre, o qual me encantou desde o início e forma como foi conduzido pela professora no seu estudo em sala de aula. Esse livro mostrou aspectos das diferentes raças: indígena, negra e portuguesa e explorou com galhardia a História do Brasil no período Colonial. Ele não se restringiu apenas a escravidão negra, mas sim a origem do tráfico negreiro, as tribos, os costumes, não limitando, assim a nossa visão, ao contrário auxiliou para deixá-la ainda mais aguçada. Proporcionar aos alunos essa experiência que tive, tornou-se a tônica do meu trabalho, uma pré-consciência eles já possuem, pois já lidam e sabem das pluralidades raciais.
Nossas crianças já estão acostumadas a lidar com essa diversidade com seus amigos, familiares e com a mídia também. Logo estudar História de outras culturas e abrir brechas para novos mundos não será uma fuga da realidade, pois esses já são conhecidos. Quem sabe se fossem oferecidos cursos de atualização gratuitos para os professores, porque contar apenas com sua disposição, sem a devida preparação é uma tarefa injusta. Tentar culpar alguém por séculos de ensino dessa História restrita é como procurar ?uma agulha num palheiro?. Não é uma pessoa, é um conjunto de concepções que se perpetuam!
O que pretendo nesse artigo é defender além da diversidade, a pluralidade das abordagens no ensino da História, incluindo a África e demais continentes. É pôr na escola a realidade que ela vive como nos mostra Nunes (2003; p.394): ?As cidades são espaços de contradição, de luta, de criação de novos desejos e de negação da unilateralidade da História. Assim também consideramos a escola.?, isso é criar uma consciência reflexiva da História na criança e não aliena-la com seu conteúdo repetitivo e maçante. É fazer como a professora Cida dessa disciplina de História da Educação no Brasil e propiciar um ambiente de descobertas, utilizando-se de discussões, materiais (a exposição da cultura negra e da cultura indígena) e sempre pautando o seu trabalho na ruptura de preconceitos de todos os tipos. No Estado de São Paulo também há êxito no ensino das novas abordagens da História, na qual História da África é ensinada em todas as disciplinas, introduzindo assim a transdisciplinaridade, tão bem explicada por Edgar Morin.
Estar refletindo sobre esse assunto só me foi possível porque estudei as diferentes visões dos vencidos e dos vencedores, critiquei, ouvi e formei assim a minha opinião acerca desse assunto, o qual estou explanando e sobre tantos outros. O papel da minha professora fora fundamental nessa construção do conhecimento, uma vez que ela soube conduzir e auxiliar nossas valiosas discussões. Considero que se obtivermos 1/3 dessas aulas em nossas escolas, estaremos contribuindo grandemente para a formação de cidadãos críticos no sentido mais amplo da palavra, conhecedores dos antecedentes Históricos e capazes de formar suas opiniões frente aos mais variados assuntos e com uma bagagem cultural valiosíssima.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



CEERT, CENTRO DE ESTUDOS DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E DESIGUALDADE. Políticas de Promoção da Igualdade Racial na Educação: Exercitando a Definição dos conteúdos e metodologias.

LOPES, Elaine Marta Teixeira, FILHO, Luciano Mendes de Faria, VEIGA, Cyntia Greive (orgs) 500 Anos de Educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

sexta-feira, julho 07, 2006

Artigo

Como foi feita a lei 10.639?

Roberta de Oliveira Peixoto



Antes de entrar em vigor a Lei 10.639, teve vários outros caminhos seguidos, até que se alcança-se finalmente a Lei nacional. Meu objetivo aqui é explicar quais foram esses caminhos e como a Lei chegou até os dias de hoje.
A promulgação da lei 10.639 foi precedida por leis municipais em Belém, Aracaju e São Paulo, e todas elas são resultado de um longo processo de ativismo do Movimento Negro. Especialista em História da Educação Negra e membro do Conselho Nacional Contra a Discriminação, Jeruse Romão aponta para a ausência desses dados:
"Guiomar Matos, em texto de 1954, já discutia o preconceito nos livros infantis.Desde a década de 70 o Movimento Negro luta para incluir a história do negro no currículo escolar; é preciso relatar os antecedentes do Centro de Estudos Afro-asiáticos - Ceao na Universidade Federal da Bahia, além de trabalhos no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, entre outros, para podermos aprimorar o que temos hoje".
As primeiras iniciativas na busca de uma educação,escolar mais completa e com visões não racistas foram impulsionadas principalmente com a constatação, por parte dos Movimentos Negro e Indígena, de que os Parâmetros Curriculares Nacionais ? PCNs ? abordam a temática racial/étnica na pluralidade cultural em forma de orientação genérica, sem maiores conseqüências na produção das políticas educacionais, nos diferentes níveis de governo. Segundo os segmentos negro e indígena, esse tipo de orientação abre margem para a falta de compromisso no tratamento do tema ou a abordagem equivocada que reforça estereótipos e folclorizações.
De fato crescemos sem ter noção alguma da história dos negros em nosso país, alguns de nós nem sequer sabem o que é a África, nem sabemos que este continente grandioso e lindo existe. Passamos muitos anos na escola e às vezes muitos anos depois não sabemos realmente qual é a nossa história. Na experiência de Santa Catarina, Jeruse Romão conta que foi necessária coragem política para fazer a intervenção no Estado com a menor população negra do País.

"A importância da participação do primeiro vereador negro eleito no município, que foi Márcio de Souza, tornou-se fundamental para aprovar a lei que obrigava o conteúdo afro nos currículos. Antes, o tema era visto só nos festejos de datas históricas. Na época, os militantes que organizavam os espaços de debates e pressão política dormiam em casa de companheiros e escolas públicas".
Realmente nos estados da região Sul, é muito mais difícil de se aceitar e de se ter uma visão de que os negros fazem parte da nossa vida, da nossa cultura, porque a população negra é em menor número do que nas outras regiões, a maioria da população é de origem Européia.
"O auge do debate foi analisar a evasão escolar com recorte racial. Enquanto os educadores diziam que o problema era só por déficit financeiro, o Movimento Negro já alertava para a questão do racismo que estava embutido no discurso do livro didático e não era tratado na formação do educador, além da falta de um conteúdo que valorizasse a identidade da criança negra no currículo escolar. Com esse discurso, fomos para a rede municipal e ganhamos o debate na conjuntura de um governo que pautava a discussão na diferença de classe. Para completar, a Secretaria de Educação achava ideal trabalhar apenas com os alunos e nós defendíamos orientar também os professores; por isso foi elaborado um caderno específico sobre o tema para ser utilizado pelo professor da rede pública", completa Jeruse.
Em 1996, a prefeitura de Belo Horizonte fez parceria com o Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade - Ceert e desenvolveu o programa Oportunidades Iguais para Todos, formando trinta agentes multiplicadores na introdução do tema Pluralidade Cultural na rede pública de Educação, que repassaram essa formação para setecentos educadores municipais ao longo de um ano. Os grupos realizaram pesquisas em livros didáticos e entrevistas com professores, que subsidiaram a elaboração de um programa auxiliar na preparação do profissional. Segundo Rachel Oliveira, todas as iniciativas isoladas ou fruto de parcerias entre entidades do Movimento Negro e raras participações do Poder Público foram essenciais para provar que é possível promover a educação inclusiva.
"É possível abrir espaço para práticas pedagógicas que mostrem o mundo além do imaginário europeu. Corrigir equívocos históricos, que reforçam preconceitos no sistema educacional pela generalizada falta de informação sobre a questão racial e sobre o que é discriminação. Corrigir os erros que produzem baixas na auto-estima da criança negra, reforçada por atividades educacionais como a utilização de músicas e ditados pejorativos considerados "folclóricos" e, principalmente, desconstruir o mito da democracia racial brasileira, que trouxe muitos prejuízos para a população não branca do País", conclui a especialista em Educação e Relações Raciais.

quinta-feira, julho 06, 2006

EDUCADORAS UNIDAS: O FUTURO SOMOS NÓS QUE O FAZEMOS.

Imagine uma escola ideal, todas as etnias vivendo em harmonia. Indígenas, negros e brancos interagindo entre si sem prestar atenção à cor da pele, vivendo como irmãos, pois são filhos do mesmo solo, seus antepassados trabalharam esta terra deixando nela o suor de seus rostos.
Imagine uma estrutura física confortável, onde todas as necessidades dos alunos e mestres sejam supridas, nos quatro cantos deste país, tanto no campo quanto na cidade.
Imagine professoras e diretoras brancas, negras e índias, sem discriminação de cor, credo ou raça, onde importe apenas seus títulos, suas aptidões. Todas com remuneração justa, para poderem manter uma vida digna, cuidando das necessidades de suas famílias, moradia, saúde, educação e lazer, resgatando uma situação de desvalorização que se instalou ao longo da história.
Imagine uma afro-descendente reitora de uma universidade ou mesmo uma irmã índia.
Imagine que todas as mestras ensinem com o ideal de conduzir, educar para a vida, trazendo o conhecimento pertinente a cada aluno.
Imagine que todos os estudantes possam ter acesso ao capital cultural, teatro, museus, bibliotecas, seminários, cursos variados oferecidos pelos governantes, não como obrigação, mas como direito de cada um.
Imagine professores e alunos interagindo entre si de forma mais humana, mais produtiva, numa escola aberta, dinâmica, onde todos possam opinar, deliberar em prol do conhecimento - aprendizagem, estabelecendo relações interdisciplinares. Uma escola onde o aluno possa, realmente, ser o autor do seu projeto para o futuro e a cada patamar do saber alcançado, possa sentir-se mais confiante, pois o conhecimento trás consigo a confiança libertadora.
Imagine, não é difícil imaginar, e imaginando constantemente podemos internalizar este sonho transformando-o em realidade.
Um sonho pode tornar-se realidade? Acreditamos que sim, basta que para isso direcionemos nossas forças para algo no qual acreditamos.
Nosso otimismo nos diz que não está longe de vivermos um novo amanhecer. Imaginamos que estamos diante de uma nova era, sem discriminação e sem exclusão.
Mais de quinhentos anos se passaram desde que nossas irmãs índias e negras disponibilizaram seus corpos para a construção de uma nova raça, híbrida e valorosa, ensinando-nos cultura e amor desprendido até a primeira doutora índia: Maria das Dores de Oliveira Pankararu, um título inédito entre os povos indígenas do Brasil. Este feito trás consigo uma nova maneira de encarar este povo tão esquecido por nós, respeitando-os, não como um povo mais atrasado, mas como uma comunidade com raízes fortes, que conseguiu preservar seus valores apesar das dificuldades enfrentadas. Nossas irmãs negras tiveram mais ?sorte?, talvez por terem absorvido com mais rapidez os hábitos locais, adaptando-os aos seus estão conseguindo se inserir no contexto deste grande país de forma lenta e gradual. Através de muitas lutas e reivindicações, os negros, oprimidos e descontentes, conseguiram aos poucos abrirem caminho para exercerem o direito ao ensino.
Algumas leis foram criadas a partir do Brasil Império, em respeito aos negros que desejavam estudar:
Decreto 1.331- Fevereiro de 1854 ? Não aos escravos na escola pública. A previsão de instrução para adultos dependia da disponibilidade (boa vontade) dos professores.
Decreto 7.031 ? A ? Setembro de 1878 ? Os negros poderiam freqüentar o período noturno. Com este decreto, os negros dependiam da boa vontade de seus senhores, portanto, foram montadas estratégias para dificultar seu acesso à escola.
Lei 10.639 ? Março de 2003 ? A história e cultura negra do Brasil finalmente começaram a ser ensinada nas escolas.
Com as novas leis de cotas, pressupõe-se o ingresso nas universidades públicas daqueles a quem ela pertence, pois se é gratuita, deve ser para quem de fato necessita de seus serviços estando em situação de carência, se esses estudantes não forem auxiliados pelo poder público não poderão exercer o direito a sua cidadania.
Neste momento em que todos os olhares se voltam para a educação, porque sabemos que nosso futuro está em jogo, cabe a todos nós, cidadãos conscientes de nossos deveres, concentrarmos nossas ações e pensamentos na organização de uma nova escola; não a escola nova que continuou velha, mas uma escola libertadora que traga os saberes para os seus membros, sem dissimulações, pensando na necessidade de cada um.
Os discursos que temos ouvido dizendo que a escola está ao dispor de todos que quiserem usufruir de seus serviços, não trazem a realidade dos fatos. Nós, como futuras educadoras, sabemos que não é bem assim que acontece, o conhecimento de diferentes situações nos entristece, pois temos consciência de que nossos alunos têm oportunidades diferentes, trazem em sua bagagem cultural a marca de diferentes vivências das comunidades onde interagem, são sujeitos únicos, que tentam escrever sua história no grande livro da vida. Sabemos que, muitos não conseguirão, será uma história sem inicio, meio e fim, se bem que não existe fim, o nosso aprendizado nunca termina quem tem sede de saber continua aprendendo ao longo da vida, apenas troca de sala de aula.
O futuro sorri para nós, educadoras que, apesar da dupla jornada de trabalho, estamos gradualmente conquistando espaços, porque se a maioria dos docentes era feminino, pesquisas nos mostram que o elemento masculino já está se integrando às séries iniciais do corpo docente, acreditando que as áreas de educação e saúde são as que mais se expandem ( Revista fronteiras / CPERGS / ADUFRGS ? Dezembro de 1998). A partir do momento em que não houver mais discriminação à predisposição da mulher nesta profissão tão linda, poderemos competir de igual para igual, galgando degraus por merecimento sem nos preocuparmos com questões de gênero.
O futuro somos nós que o fazemos, o hoje é uma oportunidade única para interferirmos no amanhã que é uma extensão de nossas ações presentes. Nós como educadoras em formação tomamos conhecimento das pioneiras que abriram caminho para que nós pudéssemos, atualmente, aproveitar esta oportunidade de aprendizagem e usufruir desta situação confortável que ora ocupamos. Nossos agradecimentos às indígenas que ensinavam através do cotidiano, às amas negras ternas, amorosas que amaciaram a língua portuguesa acrescentando a ela sua doçura, às preceptoras estrangeiras que atravessaram os mares para adicionar ao nosso país um pouco de sua cultura e as normalistas que pelo seu instinto materno tornaram-se amigas, conselheiras e porque não dizer, uma segunda mãe de seus alunos, conduzindo-os como se seus filhos fossem. Sentimo-nos privilegiada por podermos continuar este trabalho, com certeza, faremos o possível para sermos chamadas de ?professora? com honra, com discernimento e com esperanças renovadas a cada novo dia, trabalhando por um novo alvorecer, onde a educação seja considerada essencial para o futuro das nações e seja tratada, realmente, como prioridade nacional.
Seremos educadoras unidas para dar novos rumos à educação, talvez ainda não vejamos todos os nossos sonhos concretizados, mas gerações futuras continuarão esse trabalho, temos certeza disso.


Imagine

Imagine novas formas de pensar a educação
É fácil se você tentar
Nenhuma criança longe da escola
E no caminho dela o céu é o limite
Imagine todas as pessoas
Vivendo para a educação, como irmãos, sem exclusão.

Imagine não existir países
Não é difícil de fazê-lo
Nada para matar ou por morrer
E nenhuma discriminação
Imagine todas as pessoas
Vivendo em paz

Você pode achar que eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que um dia você se junte a nós
E o mundo então será um só

Imagine a escola ideal
Não me surpreenderia se você conseguisse
Inexistir necessidade e fome
Uma irmandade unida num objetivo comum
Imagine todas as pessoas
Partilhando o mundo do conhecimento

Você pode achar que eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que você se junte a nós
Educar com amor, assim o mundo será melhor
.
NOEMI CARDOSO NUNES
Fontes de pesquisa:
FREYRE, Gilberto. Casa grande e senzala. São Paulo, 2004
Revista fronteiras. CPERS \ ADUFRGS. Porto Alegre, Dezembro de 1998.
Revista Adverso. ADUFRGS
www. buscaletras.com.br

terça-feira, julho 04, 2006

Trabalho de Pesquisa

Meu trabalho de pesquisa é sobre a pedagogia hospitar. O grupo do qual faço parte é muito grande (sete integrantes), por isso, tivemos por diversas vezes dificuldades de unir o grupo por completo. Isso acabou atrasando inclusive a escolha do tema que iríamos abordar na pesquisar. Por fim, a decisão final foi bastante interessante, pois é uma assunto que pra mim era desconhecido. Infelizmente o tempo que nos foi ofericido para a realização da pesquisa é muito curto (dois meses). Foi difícil pra conseguirmos uma entrevista, de última hora, com a professora responsável do projeto pedagógico do hospital (muita burocracia).
Antes mesmo do início desse trabalho já tinha vontade de trabalhar com crianças especiais ou hospitalizadas (apesar de não saber da existencia desse projeto, sabia que havia recreação infantil dentro dos hospitais e era com nisso que queria trabalhar). Essa minha vontade aumentou, mas não sei se tenho condições psicológicas de enfrentar essa realidade diariamente.
Durante a entrevista feita com a professora Sandra vi em seus olhos muita emoção quando falava de seus alunos.

Fátima Rocheli Dalpiaz

domingo, julho 02, 2006

ATENÇÃO, GREICE, PROF. CARMEM, HELP!

JÁ ENVIEI MEU ENDEREÇO DE EMAIL, AINDA NÃO RECEBI O MODELO DO ARTIGO. ESTOU BASTANTE PERDIDA SOBRE COMO ESCREVER, POR ISSO AGUARDO RETORNO! OBRIGADA ALINE

sábado, julho 01, 2006

Minhas impressões sobre a apresentação da pesquisa...

Por Daniela Jardim Strüssmann
Durante a pesquisa, percebi que as integrantes do meu grupo eram diferentes de mim, e também tinham idéias diferentes... às vezes ficava com vontade de que elas pensassem como eu, que seria mais fácil para a realização do trabalho. Logo vi que um bom trabalho é feito por pessoas que têm suas diferenças. Na apresentação, como sou de uma das religiões apresentadas, foi bem difícil para eu ser imparcial, por isso, tenho que aprender a respeitar mais a opinião dos outros e não fazer com que todos pensem iguais a mim. Aprendi muito sim, é muito interessante saber que há uma diversidade tão grande de pensamentos mesmo dentro de uma pequena sala de aula com poucos alunos.