Encontramos várias grupos étnicos que, ao serem trazidos para o Brasil, de várias regiões da África, pelo tráfico negreiro, contribuíram para a formação do povo brasileiro: bantos, carromantes, minas, ardas, creoulos, calabrenses, congos, sombrenses, angolanos, ardrenses, iorubanos, fula-fulos, mandingos, bisago, iebu, haúça, niam niam, mangbatu, kanembu, bagirmi, bornu, kanuri,nagôs.
Século XVI
A exploração dos povos africanos neste século iniciou-se pela costa ocidental/norte, trazidos da Alta e Baixa Guiné, territórios hoje demarcados como Serra Leoa, Senegal, Guiné, Guiné-Bissau e Gâmbia. Devido à proximidade das costas, foram trazidos principalmente para Pernambuco e Bahia, e também Maranhão e Grão-Pará. Conforme Gilberto Freyre, vieram os povos calabrenses, considerados maus escravos, porém bonitos de corpo. As mulheres eram preferidas para os serviços domésticos das casas grandes. Os de Guiné tinham como característica a cor preto retinto.
Século XVII
Neste século a exploração parece ter seguido a costa ocidental/sul, sendo a costa de Angola a mais explorada, de onde vieram principalmente os bantos, etnia que mais caracterizou o negro no Brasil. Os bantos caracterizavam-se pela agricultura, indústria pastoril, posse numerosa de gado, trabalhos em ferro e madeira, poligamia e fetichismo.
A costa de Angola somente não foi explorada durante a epidemia de varíola, em que o tráfico negreiro foi transferido mais para o norte- Alta Guiné e Golfo da Guiné, região que ficou conhecida como "Costa da Mina". Atualmente são os países correspondentes Gana, Togo, Benin, Nigéria e Camarões.
Vieram escravos também do Congo, Gabão e Guiné Equatorial, os quais foram levados para a região da Bahia e Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro e São Paulo.
Recife foi transformada em uma região distribuidora de escravos para as plantações americanas e as minas do Peru. Angola, então, ficou na dependência direta do governo de Pernambuco, e os escravos eram exclusivos para esta região. Esta prática foi favorecida pela proximidade das costas, enriquecendo muito esta região, que ficou durante muito tempo como principal receptora e distribuidora de escravos para as demais regiões do país.
Século XVIII
Nesta época o tráfico negreiro permaneceu com suas bases nas regiões da Bahia e Pernambuco, Grão-Pará, Maranhão, Rio de Janeiro e São Paulo. Os escravos foram trazidos da Costa da Mina e da Alta Guiné, sendo em sua maioria sudaneses, islamizados ou não. Eram povos intelectualizados procedentes de organizações religiosas maometanas. Segundo Gilberto Freyre os iorubanos ou nagôs exerceram influência importante nas senzalas brasileiras, dirigindo várias revoltas de escravos.
Da Costa da Angola também continuou o tráfico, em menor escala, para todos os portos brasileiros. Estas duas regiões, Mina e Angola, foram as mais importantes rotas de escravos durante estes dois séculos, XVII e XVIII.
Século XIX
A costa africana passou a ser explorada mais ao sul, atingindo o território de Moçambique. Os portos de Goiás e Minas Gerais, juntamente com São Paulo e Rio Grande do Sul passam a receber estes escravos. Neste século a exploração do tráfico foi intensificada para suprir a mão-de-obra nas extrações de ouro na região central brasileira.
Na primeira metade do século foram firmados vários tratados para abolir o tráfico negreiro, e no Brasil somente ocorreu em 1850.
Neste último ciclo, além de Moçambique, as costas explorados pelo tráfico foram a Mina e Angola, correspondendo aos países hoje de Gana, Togo, Benin, Nigéria, Gabão, Congo e Angola, sendo os escravos levados para Bahia, Pernambuco, Maranhão, Rio de Janeiro e São Paulo.
Conclusão
A análise dos mapas permitiu verificar a exploração litorânea africana. Segundo Gilberto Freyre muitos escravos eram oriundos de regiões centrais da África, o que nos permite observar que a área litorânea serviu, muitas vezes, apenas como porto de escoamento do comércio negreiro.
Graciete, Marília e Paula