Tridisciplina

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terça-feira, setembro 26, 2006

EM QUE ASPECTOS O BRASIL É PORTUGUÊS?

É Força criadora dos séculos XV e XVI: tecnologia para navegação; comércio aguçado. Freyre destaca a diversidade étnica de Portugal: heterogeneidade étnica nas origens de Portugal ? marca que se acentua no Brasil.
É Quem forma Portugal? AFRICANOS? ÁRABES? JUDEUS? MOUROS = árabes (berbere do norte da África)
MOÇARABE = cristão de cultura árabe ou muçulmano
É Influência árabe: doçura para tratar escravos (?); gosto pelas mulheres gordas; escolas mamoetanas (soletração e sistema de crianças cantarem a tabuada);nas mulheres o uso de mantilhas (véus); azulejos (decorativos e higiênicos); banhos (higiene = mamoetanos; imundice = cristã).
É Influência judaica: tradição de estudo (forma de aquisição de prestígio social); inovações econômicas (usura, agiotagem...)
É Contra o Islamismo (maometismo) as Guerras de Reconquista. A cristianização da Península Ibérica. Século XVI = Reforma religiosa na Europa.
PORTUGAL E ESPANHA è Palco da CONTRA-REFORMA.
É Contribuição da cultura (moura, árabe, judaica) na formação do Brasil? (social, cultural, religiosa...)

domingo, setembro 24, 2006

Contribuição da cultura moura na formação do Brasil

Achei interessante este texto q encontrei no site da Revista Caros amigos e resolvi postá-lo no blog!

A Guerra ao Afeganistão é o Plano Real do Bush
(por Gilberto Felisberto Vasconcellos)
Estamos ferrados neste mundo regido pela dialética yanque de jogar míssil e cesta básica. Falam por nós os Brasis mouros e yslâmicos diante dos ataques da mídia. Bresill, Brasilly, Braxilis, Brasilium, Presill, Pressilli.

Lastimável cobertura facciosa da TV sobre o atentado à ilha de Manhatan.

É deplorável a videodemonização racista da cultura árabe-muçulmana-islâmica-sarracena.

Nossos autores clássicos já sublinharam os traços culturais islâmicos, a exemplo de Casa Grande & Senzala de Gilberto Freyre evocando as mães-d?água e a moura encantada no Nordeste.

O processo da miscigenação foi realizado entre nós pelo amoroso método árabe, fato esse que deixou deveras impressionado o antropólogo alemão Franz Boas radicado nos Estados Unidos: ele ficou atônito perante a cópula metarracial.

Na arquitetura, o xará de Apipucos foi entusiasta do pátio mourisco, esplêndido recurso ecológico adaptado aos trópicos.

Sobre as influências muçulmanas na arquitetura brasileira, Luís da Câmara Cascudo, como sempre, dá um banho de informação e sabedoria: ?Reixas, muxarabiês, torres de igrejas, dentéis, molduras de janelas e portas interiores. Recordo, na mobília tradicional, os sofás amplos e baixos, escabelos, estrados, palanques?.

No sul do país, Manoelito Ornellas publicou o magnífico Gaúchos e Beduínos, livro no qual mostra o quanto a cultura do Rio Grande do Sul é devedora da influência árabe: o gaúcho é o beduíno dos verdes pampas. Que se alimenta, tal qual última árvore em montanha, do orvalho da noite ? no dizer do tarimbado campeador Leonel Brizola.
Outro autor clássico da extremidade sulina, Rubens de Barcellos, assinalou que a existência do gaúcho transcorre asiaticamente à maneira do árabe e do beduíno, ?entre a correria das algaras e o repouso das cabanas?.

Para o Brasil inteiro, o melhor documento do lastro árabe-sarraceno é o velho Luís da Câmara Cascudo com os seus 150 livros de consulta obrigatória.

Em Prelúdio e Fuga do Real, ele chama Luís de Camões de mouro indispensável. ?? Mouros! Mouras! Juntos estivemos 336 anos, e nunca ficamos distanciados do seu fascínio.?

O cuscuz do Nordeste é árabe. E também o arroz-doce.

O mouro do Algarve em Portugal viajou para o Brasil na memória do colonizador. A memória moura ficou sendo a marca essencial da cultura popular brasileira.

Nós somos das Arábias e o nome preferido é o do mouro no adágio brasileiro. Força de mouro. Cara de mouro. Trabalho de mouro.
O auto popular Chegança. Mouros e Cristãos. Vestido azul. Duelos de espadas. É ?o está escrito? no Alcorão. O fanatismo religioso do destino no jogo do bicho. A mouromania. A ciganada. A parlenda para as crianças: bão-balalão, senhor capitão, em terras de mouro, morreu seu irmão.

A mulher botando pano na cabeça é costume mouro. Idem, a usança de turbante nos penteados femininos. Também os pés dos brasileiros com alpercata de rabicho. Escreve Dom Cascudo: ?Lembro a alparcata, alpargat, como escrevia o padre Antônio Vieira, alpercata, apragata, para o nordestino, do árabe al-parcat, o mais antigo calçado dos climas tropicais?.

O mouro mágico, sabedor das manhas e segredos, ?seduz para o amor e a vida farta e feliz?.

Foram os mouros que construíram a igreja de Notre-Dame em Paris. O folclorista Francisco Vasconça aponta as semelhanças entre Afeganistão e Canudos de Antônio Conselheiro e Deus e o Diabo na Terra do Sol de Glauber Rocha. O sertão árabe. Afeganisertão.
Não espanta se por lá aparecer o mote do Bom Jesus Antônio Conselheiro: ?O Afeganisertão vai virar mar?.

Herdamos da mouraria o jeito de comer refeição no chão limpo, os pratos no solo, a toalha de algodão, assim como o beber depois de comer e não durante a refeição. Fala Cascudo:
?Sentar-se sobre as pernas dobradas era jeito mouro.
De cócoras era indígena.

Pernas cruzadas, mulher fazendo renda, é modo japonês e chino.?
A mulher no cavalo, montada de lado, é invenção moura. Nossas amazonas guerreiras não usavam saias.

Do mulherio mouro temos os leques, os guarda-sóis, os véus para o rosto, além de tinta para as sobrancelhas e líquidos que dão brilho aos olhos.

O aboio é canto oriental na pastorícia brasileira. O pandeiro é mouro, assim como o tamborim e o adufe.

Os mouros foram os fanáticos pelo açúcar, tal qual o brasileiro que não dispensa de adoçar a boca depois da refeição. ?Onde estiver o mouro, o árabe, aí estará, infalivelmente, a doçaria? ? sentencia o mestre inigualável do folclore brasileiro. Os mouros plantaram canaviais no sul da Espanha, século 15. A cana-de-açúcar foi nosso primeiro sabor de engenho: ?cana para mastigação e não para o sorvo?. Quem chupa cana tem bons dentes ? dirá o esculápio Silva Mello antes da voga do smile roliudiano no cinema e TV! Sorria, meu bem.

Não vamos esquecer que azeite e azeitona são vocábulos árabes. De origem árabe é o hábito de beijar o pão quando este cai no chão antes de apanhá-lo.

Leitor do Alcorão, Cascudo cita Allah-U-Akbar, ou seja, o ?Deus é grande? que está na boca do povo e escrito nos pára-choques dos caminhões ? só Deus sabe ou sabe Deus...

Digo e aviso que é mouro nosso costume de rogar praga a torto e a direito. Imprecação. Peste. Desgraceira. Maldição. Sobretudo nas horas abertas. Praga ao meio-dia esquenta água fria.

Homem de Deus. Criatura de Deus. Filho de Deus. Embora Alá não pudesse ter filhos. Na África, o negro mandingueiro já estava islamizado antes de vir para o Brasil com seus orixás trazidos pelas vozes dos canaviais.

Outra permanência moura: a humilhação que é apanhar de chinela. Há também a evocação paradisíaca, encontradiça no Alcorão e no dia-a-dia. Lembro minha mãe, dona Adelaide Felisberto, professora primária em Santa Adélia, minha primeira professora, interior de São Paulo: ?Esse menino quer é sombra e água fresca!?

Os usos e costumes brasileiros revelados pela etnografia cascudiana atestam a presença do Oriente no cotidiano. Dançamos a alegoria moura com lundum e batukada, pedimos bênção com a mão na cabeça, respeitando o cadáver, temendo lua nova, relâmpago, trovão, estrela cadente, anjo mau, água parada.

O grande mistério, posto em evidência pelo mestre Câmara Cascudo em seu Geografia do Brasil Holandês, é que o batavo esteve no Nordeste décadas e não deixou no vocabulário popular brasileiro senão o pão ?brote?. Exceto o nome folk-lore, criado por arqueólogo inglês, pouca coisa ficou no espírito popular brasileiro da inglesia colonialis que nos vampirizou desde o Tratado de Methuem até 1930. Gilberto Freyre gostava do anglo, fazia elogios ao terno branco legado pelos ingleses no Brasil. Eu, por mim, passo a bola. Fui conhecer a Inglaterra, passei lá dois dias e saí correndo.

Da influência norte-americana no cotidiano do povo brasileiro o que ficou ? pelo menos até a década de 1960, registrado cientificamante pelo folclore ? foi apenas o gesto do sinal positivo dado com o dedão erguido da mão, aprendido pela caboclada em Panamerim Fields, durante a Segunda Guerra, assistindo ao movimento dos aviões no aeroporto de Natal.

O Alá pós-petróleo muda a leitura e o significado do Alcorão, que descreve o paraíso como sendo formado por uma série de jardins dos trópicos onde correm muitos rios e água cristalina.

O problema é que Maomé aboliu a birita. E o Brasil ainda não acordou para a civilização da biomassa úmida das florestas.

Hasta cuando?


Um abrço Priscilla Boschi

segunda-feira, setembro 18, 2006

Os muçulmanos na Península Ibérica

Filho, Ruy Andrade
A Península Ibérica, no século VII, se encontrava num processo pré-feudal em virtude da invasão dos visigodos.
O Reino Visigodo, aí instaurado, possuía o soberano Vitiza, seu poderio estava em crise: a sociedade dividida entre poderosos e humildes, existência de medidas antijudaicas, praga nos campos, moeda desvalorizada e o comércio declinava rapidamente.
Em 710 Vitiza morre, seus herdeiros menores não podem reinar, elegem Rodrigo como novo rei.
A aristocracia partidária da família de Vitiza busca apoio com os muçulmanos que se encontravam naquele momento ao norte de Marrocos. Pretendendo que eles ajudassem a depor Rodrigo do poder e garantir a posse de alguém da família de Vitiza.
O governador Musa encaminha o tenente Tarik, em 711, Córdova é conquistada, depois Toledo (sem resistência).
Em 716 concluía-se a tomada de posse dos muçulmanos na Península Ibérica, contrariando os interesses da família de Vitiza.
Ofereceram extenso patrimônio territorial à família de Vitiza, em troca da abdicação do trono; não impuseram a religião aos vencidos ? estavam sujeitos ao pagamento de impostos especiais. Caso os indivíduos se convertessem ao Islamismo estavam submetidos às mesmas condições dos muçulmanos de nascimento. "Hispânia não foi conquistada pelos muçulmanos, mas capitulou".
A decadência do Reino cristão possibilitou uma resignação aos humildes e da aristocracia visigótica aos muçulmanos, intencionando melhores condições de vida.
A única parcela da aristocracia visigoda que resiste ao domínio retira-se para as regiões montanhosas no norte peninsular, são vitoriosos na batalha de Covadonga ? ampliando seu território, mais tarde este minúsculo Reino Asturiano vai iniciar a Guerra da Reconquista do território.
Em 756, o Omíada Abderramã I, fugindo do poder dos Abássidas que o depuseram no Oriente, assume o emirado de Córdova. Neste período, se consolida o poder árabe. Durante o seu poderio houveram inúmeros conflitos com os cristãos estabelecidos no norte.
Abderramã III (926-1031) assume o poder, reduz os focos rebeldes e estando seus inimigos no Islã norte-africano se proclama califa = sucessor do profeta e chefe da comunidade. Corresponde ao mais estável período da civilização hispano-muçulmana.
Em 1031 devido a época pacífica (sem incursões aos cristãos do norte) o peso das estruturas estatais, os estrangeiros, o exército mercenário, Abderramã III é deposto em Córdova ? o último califa omíada.
A organização política que se configura são as taifas, com afinidades tribais, eram pequenos emirados na Península. Com a fragmentação, facilitaram para o avanço cristão na Guerra da Reconquista.
Em 1085 os cristãos recuperam Toledo e algumas taifas buscam reforço militar com as almorávidas na África.
A época almorávida (1090-1145) recoloca a península no circuito das rotas do ouro muçulmano, porém a expulsão dos moçarabes e a corrupção promovem a cisão das segundas taifas (1145-1170).
Os almoadas intervêm (1170-1231) e detêm o avanço cristão, entretanto o poder muçulmano na Península já enfraquecera.
Em 1231 termina o domínio da dinastia africana e se instauram as terceiras taifas que têm vida efêmera.
O único reino muçulmano que sobrevive é Granada, pagando tributo aos cristãos é incrustada em áreas montanhosas.
Em 1492, Fernando e Isabel (os reis católicos) invadem Granada e encerram a Reconquista.
Um problema que os muçulmanos encontraram foi a falta de terra para seus invasores, pois haviam submetido boa parte do território peninsular com pactos de capitulação. Assim as propriedades divididas pertenciam aos mortos em combate, ao clero, aos fugitivos. Delas retirava-se a quinta parte (junis) reservada ao Estado, sendo o restante dividido com os invasores (berberes, flancos) e submetidas ao usufruto dos combatentes.
Desenvolveram sistemas de irrigação e cultivavam arroz, cana-de-açúcar, feijão, grão-de-bico. Expandiram a oliveira, sendo o azeite exportado para o Oriente e África do Norte.
As propriedades eram diferenciadas em terras secas (latifúndios) com regime de parceria ou associação utilizando os camponeses de origem hipano-gótica e as irrigadas (pequenas e médias propriedades).
Possuíam inúmeras cidades com comércio e indústria desenvolvidos. Constituía-se no centro administrativo, religioso, cultural e intelectual.
O trabalho na indústria se efetuava através dos grêmios ao lado destes apareciam as grandes manufaturas do Estado.
A diversidade de ofícios é enorme: padeiros, tecelões, pintores, ourives, ferreiros . . .
Os trabalhos em metais, marfim e vidro criaram obras de arte, a cerâmica de ótima qualidade, a ourivesaria concorria com a bizantina, utilizavam vidros nas construções.
Havia circulação monetária (dinar de ouro e o dirhein de prata).
A sociedade durante o período muçulmano era formada pelos aristocratas (nobreza de serviços), ferberes, conversos, clientes e escravos, moçaberes e judeus.
A cultura se descentralizou nas taifas, a Filosofia recebia impedimentos da religião para se desenvolver. Dentre as principais cidades de atração cultural dstaca-se Córdova, Sevilha, Toledo, Saragoza, Granada e Málaga.
Desenvolveram a literatura ? obras como "O Vivente, filho do vigilante" ? escrita no século XII, o poeta Gazal (a Gazela). O desenvolvimento literário só não foi maior devido às oposições políticas entre Oriente e Ocidente.
Os temas das poesias variavam da natureza, amor, elogio, sátira, prazer, dor, otimismo . . . A prosa eram histórias, relatos, epístolas reinadas . . .
Nas Ciências, traduzem obras da Antigüidade Clássica: índia, Pérsia e China, adaptam, transformam e desenvolvem o astrolábio, obras sobre a magia, tábuas astronômicas, produziram a obra Tratado das medidas e das frações.
Na Medicina desenvolveram as ervas medicinais e as regras de higiene.
Mesmo os humildes procuravam estudar, após adquirir os conhecimentos básicos avançam. No século XI surgem no Oriente as Universidades, no século XIV se instala em Granada voltada para s ciências religiosas.
O explendor do comércio, da indústria e da ciência que os muçulmanos trouxeram para a Península Ibérica não garantiram sua permanência. Os atritos tribais freqüentes, somados à resistência cristã os fez abandonar a Península.
Porém o legado por eles deixado favorece o espírito renascentista precoce da Península em relação à Europa Ocidental e à expansão ultramarina, iniciada no século XIV.
Síntese de Simone Valdete dos Santos

domingo, setembro 17, 2006

Exclusão x Inclusão

Buscar entender um mundo diferente, onde você não fala o idioma local é algo realmente desafiador. Ser jogado neste mundo sem escolha, e ter que viver nele loge do amparo dos que mais ama, é realmente assustador. Este poderia ser o inicio de um texto que fala do sentimento dos primeiros africanos que chegaram no Brasil. E de certa forma é. Quantos decendentes de africanos hoje, em 2006, tem acesso a internet? Quantos sabem navegar na rede? Quantos sofreram como eu para conseguir seu primero contato com este universo novo, assustador, e de linguagem diferente? Uma coisa eu sei, eu estou me sentido melhor hoje. Acho que a inclusão, o acesso, sei lá... mais dá uma sensação de pertencimemnto. Cleusa!!!

quarta-feira, setembro 13, 2006

Música

Hey pessoal!!Me lembrei de uma música que acho que tem a ver com uma parte das aulas de Sociologia e História da Educação que estamos vendo...(o mundo é ou está sendo...)

"ninguém ouviu,um soluçar de dor
no canto do Brasil
um lamento triste sempre ecoou
desde que o índio guerreiro
foi pro cativeiro e de lá cantou...
negro entoou
um canto de revolta pelos ares
no Quilombo dos Palmares
onde se refugiou
fora a luta dos inconfidentes
pela quebra das correntes
nada adiantou
e de guerra em paz
de paz em guerra
todo povo dessa terra
quando pode cantar...
canta de dor
...e ecoa noite e dia
é ensurdecedor
áh mas que agonia
o canto do trabalhador
esse canto que devia ser
um canto de alegria
soa apenas como um soluçar de dor..."

terça-feira, setembro 12, 2006

Olá pessoal!

No dia 14 de setembro, próxima quinta-feira, será realizado, no Salão de Atos da Universidade o Seminário "Ação Afirmativa pelo Ingresso e Inclusão pela Expansão". Serão apresentadas e discutidas políticas de ingresso diferenciado (UNICAMP e UFSM) e experiências de expansão da Universidade através da implantação de novos campus/cursos (UFMG) e de cursos na modalidade a distância (CEDERJ). O evento é aberto ao público e acontece das 9 h as 12:30h.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Jean Roche - olhar estrangeiro e definitivo

Morto no último dia 11, o professor francês Jean Roche deixa um legado de obras fundamentais sobre a história e a literatura do Rio Grande do Sul

Os oito anos em que viveu em Porto Alegre foram suficientes para que o professor Jean Roche, morto no último dia 11, aos 92 anos, desse uma contribuição definitiva para a historiografia e para a crítica literária gaúcha. Mais que definitiva, sua contribuição foi pioneira, na medida em que explorou um novo campo tanto numa área quanto na outra. Como historiador, realizou um raio-X da colonização alemã no Estado como nunca havia sido feita. Como estudioso da literatura brasileira, escreveu um dos primeiros ensaios apresentando uma visão panorâmica da obra de Erico Verissimo - um dos melhores amigos de monsieur Roche em seus anos de Porto Alegre, entre 1945 e 1953. A facilidade com que se integrou à intelectualidade local fez com que Roche rapidamente se tornasse um dos nomes mais conhecidos nas rodas de discussão política e literária da Capital. Participou, entre outros momentos, da comitiva que recepcionou o escritor Albert Camus em Porto Alegre, em 1949. Ao partir da França rumo ao Brasil, o professor tinha como objetivo mais do que simplesmente acompanhar a mulher Nancy, designada pelo governo francês para fundar a Aliança Francesa de Porto Alegre. Roche já planejava executar aqui o seu trabalho de doutorado. Foi também deste grupo de intelectuais que freqüentava que Roche ouviu a sugestão de que se dedicasse a pesquisar a colonização alemã no Rio Grande do Sul - projeto que daria origem a sua obra mais conhecida, A Colonização Alemã e o Rio Grande do Sul. Dividindo-se entre as aulas que ministrava na UFRGS e na PUCRS, Roche desbravava o Interior para esmiuçar a cultura alemã no Estado, não sem alguma dificuldade. - Nos primeiros anos, o acompanhei para servir de intérprete, já que ele ainda não falava tão bem português. Entrávamos com muito cuidado nas colônias para realizar as entrevistas - lembra o dentista gaúcho Edy Sá Carneiro, amigo de Roche. O resultado foi um trabalho que só seria concluído em 1962, já na França, sendo aprovado com louvor pela Universidade de Paris V, Sorbonne. A edição em português, em versão reduzida, seria lançada apenas em 1969, pela Editora Globo. A Colonização Alemã e o Rio Grande do Sul se insere no contexto da produção de análises sobre o Brasil realizadas por estudiosos franceses nos anos 50, como Claude Lévi-Strauss, que estudou a Amazônia. Dentro da historiografia rio-grandense, a obra pode ser classificada como a primeira a apresentar uma retrato amplo da presença germânica no Estado. Até sua publicação, a obra mais relevante havia sido O Trabalho Alemão no Rio Grande do Sul, de Aurélio Porto, publicada em 1934, sem apresentar maior profundidade. - Este era um assunto empapado de emoção. As pessoas viam a contribuição alemã e a imigração sob uma ótica muito apaixonada. Roche contribui para canalizar o assunto para uma visão rigorosamente científica - avalia Flávio Loureiro Chaves, coordenador do curso de pós-graduação em Letras da Universidade de Caxias do Sul. Elucidando aspectos sociais, políticos e geográficos, A Colonização Alemã e o Rio Grande do Sul é considerada até hoje uma obra definitiva sobre o assunto, embora não esteja isenta de falhas e interpretações hoje consideradas equivocadas. - Ele é um clássico, alguém fundamental, que pode estar superado em algum aspecto, mas de quem você não pode prescindir. A parte da obra de Roche sobre a história social e da ocupação do espaço pelos alemães ninguém pode deixar de ler. A parte que trata do comportamento político já está ultrapassada. A visão que ele apresenta do interesse escasso dos imigrantes na política local já foi confrontada com estudos mais recentes, que mostram o contrário - analisa o historiador René Gertz, professor da PUCRS e da UFRGS. A produção como crítico literário foi exercida por Roche até seus últimos dias, vividos na cidade de Cavaliere sur Mer, às margens do Mar Mediterrâneo. O interesse pela obra do amigo Erico Verissimo o acompanhou depois que partiu de Porto Alegre para ministrar aulas de Estudos Portugueses e Brasileiros, na Universidade de Toulouse, na França. - Ele apresenta as primeiras leituras globais, quando a crítica sobre Erico nos anos 1960 era muito rarefeita. É uma das primeiras vezes em que o Rio Grande do Sul é lido de fora para dentro e à luz da modernidade - afirma Loureiro Chaves, que aponta como exemplo dessa análise moderna a união do critério estético e valorativo com a abordagem sociológica, presente nos ensaios de Roche sobre O Tempo e o Vento. Monsieur Roche retornou diversas vezes ao Brasil, principalmente para receber títulos de Professor Honoris Causa em universidades gaúchas e baianas - isso porque a obra de Jorge Amado também foi estudada pelo pesquisador. Se a marca deixada por Roche na sociedade do Rio Grande do Sul foi grande, a paixão pelo Brasil foi a lembrança levada por ele. - Fui visitá-lo em sua casa em Cavaliere sur Mer e fiquei emocionado com o carinho com que ele e Nancy lembravam Porto Alegre e os amigos que tinham aqui. A casa tinha o nome de Beija-Flor, em homenagem ao Brasil - conta o escritor Luis Fernando Verissimo.
Friday, September 08, 2006 9:04 AM
e-asphe

terça-feira, setembro 05, 2006

1- As cotas, por enquanto, podem ser um avanço moral daqueles que pensam resgatar o pecado de uma sociedade injusta. No entanto, deveria ser um avanço ÉTICO, e esse só ocorrerá quando a sociedade obtiver uma maior consciência humanitária, refletindo-a na economia, na política, nas relações sociais e na cultura.

2- Simultaneamente, O MUNDO É e ESTÁ SENDO.
O MUNDO É, à medida que mantemos velhos paradigmas, que mantemos preconceitos, que mantemos moralismos históricos, que mantemos as velhas ambições individualistas e principalmente as injustiças que sempre estiveram presentes na humanidade. O mundo é, quando somos apenas objetos dele.
O mundo ESTÁ SENDO, à medida que alguns ao perceberem conscientemente o mundo, buscam transformá-lo. Buscam romper com os antigos paradigmas, preconceitos, moralismos, individualismos e injustiças. O mundo só estará sendo quando nós também estivermos sendo agentes transformadores dele.

Cláudia Picanso, Fernanda Castro, Josiane, Julia Pereira, Luana, Maiara, Taís

Olhando as fotos que não ficaram linkadas....




Para visualizar todas as fotos clique na foto ao lado.

Semana Farroupilha

O Memorial do Rio Grande do Sul promove uma série de eventos tendo em vista as comemorações da Semana Farroupilha.As inscrições podem ser feitas até 04 de setembro no Memorial (Rua Sete de Setembro, 1020) no valor de R$ 10,00 para o seminário. As vagas são limitadas. Serão oferecidos certificados de 40 horas para os participantes no seminário e nos vídeo-debates.Mais informações pelo telefone 3226.5350.
SEMINÁRIO
Dia 04 de setembro ? segunda-feira, 18h às 19h30min Abertura do evento com o Prof.Voltaire Schilling ? Historiador e Diretor do Memorial RS Palestra: ?Construção social da identidade gaúcha? - Profº Ruben Oliven ? UFRGS
Dia 05 de setembro ? terça-feira, 18h às 19h30min Palestra: ?Projeto de constituição da República Rio-grandense? - Profª Helga Picollo ? UFRGS
Dia 06 de setembro ? quarta-feira, 18h às 19h30min Palestra: ?Cultura e Sociedade na República Rio-grandense? - Profº Moacyr Flores - PUCRS
Dia 08 de setembro ? sexta-feira, 18h às 19h30min Palestra: ?As etnias na formação da identidade gaúcha? - Profº Carlos Renato Hees - ULBRA
VÍDEO-DEBATE
Dia 12 de setembro ? terça-feira às 14h Filme: ?A Missão? - Debatedor: Profº Arno Álvares Kern - PUCRS
Dia 13 de setembro ? quarta-feira às 18h30min Filme: ?Neto perde a sua alma? Debatedor: Profº Jorge Euzébio Assumpção- FACOS
Dia 14 de setembro ? quinta-feira às 14h Filme: ?Anhay de Las Missiones? - Debatedora: Profª Viviane Adriana Saballos - UNILASALLE
Dia 15 de setembro - sexta-feira às 14h Filme: ?Um Certo Capitão Rodrigo? - Debatedora: Profª Cleusa Maria Gomes Graebin ? UNILASALLE
ENCERRAMENTO
Dia 18 de setembro ? segunda-feira às 14h Palestra: ?Historiografia Rio-Grandense? - Profª Ana Maria Colling - UNILASALLE
Dia 18 de setembro ? segunda-feira às 18h Palestra: ?Tradicionalismo, sociedade e gênero? - Luiz Clóvis Rodrigues Fernandes ? Patrão do 35 CTG

segunda-feira, setembro 04, 2006

ANÁLISE da questão proposta.

1) Cota é o avanço moral daqueles que pensam resgatar o pecado de uma sociedade injusta?

A QUESTÃO LEVANTA A POSSIBILIDADE DE QUE AS PESSOAS QUE IDEALIZARAM AS COTAS, TENHAM SIDO MOTIVADAS POR UM SENTIMENTO DE CULPA, E, CONSEQUENTEMENTE PENSAM, QUE DE ALGUMA MANEIRA PURGARIAM OS PECADOS DESTA SOCIEDADE ATRAVÉZ DE TAL PROJETO. DENOTANDO ASSIM, UMA VISÃO OU POSIÇÃO VOLTADA EXCLUSIVAMENTE PARA A RELIGIÃO VIGENTE.
EVIDENTEMENTE QUANDO ALGUÉM FAZ UMA PERGUNTA DESTE TIPO, SUPÕE QUE AS PESSOAS QUE INSPIRARAM ESTE PROJETO POSSUEM SENTIMENTOS MEDÍOCRES, NÃO ABRINDO POSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DO ERRO, E DE QUE SÃO MOVIDAS POR IDEAIS E SENSO ÉTICO.
2) O mundo não é, o mundo está sendo. SIM/NÃO - POR QUE?
ESTA É UMA AFIRMAÇÃO QUE PODERIA NOS LEVAR A MUITAS INTERPRETAÇÕES, POIS DIZ QUE O MUNDO NÃO É, ESTÁ SENDO. QUEM É, É ALGUMA COISA, E NO CASO A CIMA, NÃO ESCLARECE O QUE VENHA SER OU ESTAR SENDO...
CONSIDERANDO O CONTEXTO EM QUE A AFIRMAÇÃO FOI APRESENTADA, PODEMOS AFIRMAR QUE SIM, O MUNDO NÃO É, ESTÁ SENDO, DEVIDO A CONSTANTE MUTAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO QUE CARACTERIZA NÃO SÓ A HUMANIDADE COMO O MUNDO QUE A CERCA. ESTA TRANSITORIEDADE É UMA CARACTERÍSTICA INTRÍNSICA DESTE PLANETA, QUE CONSEQUENTEMENTE NUNCA SERÁ UM "PRODUTO" ACABADO, POIS SEMPRE HAVERÁ NOVAS ROTAS, ALTERNATIVAS, DESCOBERTAS...
Grupo: DAIANA, JAQUELINE, JUSSIMARA, KARIM, LÚCIA, MARIANA, PATRÍCIA RIBEIRO, SALETE, VERÔNICA.

Escravidão:
Na época não foi imoral.
Hoje é imoral.

Cotas:
Pode ser nossa nova moral.

Pode-se considerar as cotas, se ocorrerem, como sendo um avanço moral.
Afinal, estaremos vivendo uma nova moral, ou seja um novo "conjunto de regras que trata dos atos humanos, dos bons costumes e dos deveres do homem em sociedade e perante a sua classe".
O que não significa que será de imediato um avanço ético, pois este pressupõem realmente mudança de valores da sociedade e não só de costumes ou regras. Se esta mudança moral levará aos poucos a uma renovação ética ainda é uma incógnita.
Apesar de se dizer que é um avanço moral não se pode dizer que é para resgatar o pecado, porque a moralidade é algo do momento, que não necessariamente pressupõem um "passado".

Ana Carolina S., Bianca R., Caroline, Cleusa, Lidiane, Mariana, Marília, Renata, Vanessa.

Lendo o mundo!

Preciso contar para vocês que estava representando a FACED numa reunião em outro local, na última sexta-feira. A mesma deveria ter sido concluída mais cedo e foi até as 12h e 30.
Assim, quando cheguei na FACED o nosso horário de aula estava concluído. Desculpem a ausência!
Esclarecendo: eh, eh, eh, em linguagem internáutica corresponde a risos, brincadeiras. É completamente diferente do ah,ah,ah que representa, ao menos nos grupos com os quais tenho dialogado, o riso irônico ou debochado.
Como costumo ser franca, espontânea e direta, e concordo com a Ana Lopes, considero que precisamos trocar falas, pensares e fazeres "face to face", até para que palavras como "hibridização, miscigenação e mutação" sejam discutidas a partir dos elementos trazidos por Gilberto Freyre, na obra que estamos lendo e não como posições pessoais impostas!
Até quarta!
P.S. Este texto foi escrito exclusivamente por mim!

domingo, setembro 03, 2006

Moral X Ética

Moral X Ética

Segundo explicitado na aula de sexta, baseei meu texto na questão entre moral e ética.
A moral é um valor pessoal ou de m grupo, porém, diferentemente da ética, é um valor mutável (com o tempo, com as pessoas). Em Casa Grande & Senzala por exemplo, o ato de tomar banho todos os dias era um ato imoral praticado por indígenas, aos olhos dos colonizadores, no entanto, aos índios, era quase que como um ritual.
Agora, respondendo à pergunta, acredito que, seguindo os conceitos de moral e ética, as Cotas não sejam avanço moral e sim ético. No entanto, avanço não seria a palavra mais adequada pois, como denominarmos avanço, algo que já deveria ter acontecido ou ao menos discutido há muito tempo??
Avanço? Ou tentativa de aliviar uma culpa que está impregnada em nosso passado, passado esse que preferimos ignorar e achar que ?ah isso não é comigo, eu já to aqui dentro mesmo.??

desenvolvido por : Priscilla Boschi

Música

Também lembrei de uma música...

EU NÃO SOU DA SUA RUA (Branco Mello e Arnaldo Antunes)

Eu não sou da sua rua,
eu não sou o seu vizinho.
Eu moro muito longe, sozinho.
Estou aqui de passagem.
Eu não sou da sua rua.
Eu não falo a sua língua,
minha vida é diferente da sua.
Estou aqui de passagem.
Esse mundo não é meu.
Esse mundo não é seu.

Às vezes eu me sinto um pouco assim. Acho que todos passam por isso.
Marília.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Contestação ao que foi dito em aula....


Gostaríamos de deixar claro...que não concordamos com as idéias que foram expostas pelas colegas na manhã do dia 01/09.
Idealizado por Camila, Lúcia e Priscilla.

Cotas raciais

As cotas raciais não são um avanço moral, são um passo ético, pois a Constituição Federal é bem clara nesse assunto: "art. 3º - Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: (. . .) IV- Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação."
"art. 6º - São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição."

Além disso, é um passo ético, porque é justo que se dê oportunidades iguais para todos e, por enquanto, a curto prazo, o único passo concreto dado.

Não encaremos as cotas raciais como um resgate do passado e das injustiças históricas. É preferível construir o futuro fazendo com que o Estado e a sociedade procurem solucionar os problemas de base social. As cotas não suprem um saber inexistente e necessário para seguir um curso universitário.


Quanto à segunda pergunta, o mundo não é , as instituições estão sendo repensadas, as incertezas são muitas.O mundo está em vias do está sendo, uma vez que está formulando alternativas para um acesso mais igualitário a todos os seus cidadãos.
Graciette, Cláudia Krauthein, Júlia Ozório, Liliana, Sandra, Bárbara, Juliana Freitas, Cleandra, Patrícia Martins, Ana Eichler