LEGADO HISTÓRICO DOS BRINQUEDOS
Maria José dos Santos Alves*
Todo o passado da humanidade contribui para estabelecer esse conjunto de princípios que deu origem à educação de hoje: toda nossa história aí deixou traços, como também o deixou a história dos povos que nos precederam.:
Émile Durkheim
Ao observar as crianças contemporâneas brincando no pátio de suas escolas, nas praças públicas, de amarelinha, esconde-esconde, cabra-cega, de mímica, se divertir nos balanços, se encantarem com os cata-ventos, esta mesma geração que tem contato com todo avanço tecnológico, rendem-se aos brinquedos e brincadeiras que permaneceram ao longo dos séculos.
Refletindo sobre estas observações, começara a florescer a idéia de pesquisar quais os brinquedos utilizados pelas pessoas que ainda estão em nosso convívio (pais, avós, tios).
Este levantamento mostrou que os brinquedos utilizados além dos citados acima, estavam o arco, a perna de pau, o pião, o bilboquê.
O embasamento histórico sobre estes brinquedos, se assenta as obras de Philippe Ariès1 ,Gilberto Freire 2e Tyzuko Morchida Kischimoto3.
A Amarelinha é uma brincadeira que segundo (Tizuko, p.24) chegou ao Brasil por intermédio dos primeiros portugueses, século XVI. As brincadeiras de mímica, esconde-esconde, cabra-cega,o príncipe da França Luiz XIII, divertia-se com a sua mãe a rainha. A brincadeira de cabra-cega também foi encontrada em uma tapeçaria do início do século XVI, representando camponeses e fidalgos, com um detalhe, não apareciam criança. Na Holanda, na segunda metade do século XVII, vários quadros tinham a representação de pessoas, também brincando de cabra-cega, nesta época já apareciam crianças misturadas com adultos. (Philippe Áries (1978) ,pp. 87-93).
O balanço outro divertimento que resistiu os séculos, pois são encontrados registros deles na iconografia dos jogos e brincadeiras no século XVIII. O cata-vento presente também em nossa sociedade, o autor descreve como sendo imitação da técnica usada nos moinhos de ventos, introduzida na idade média.(Philippe Ariès, (1978) p.88).
Podemos ver, que as crianças da idade média, idade moderna e idade contemporâneas permaneceram com as mesmas brincadeiras. As principais diferenças esta que as crianças de nossa sociedade tem contato com todo o avanço tecnológico. Questiono o que faz este elo ser tão forte, que atravessa século sem ser modificado ?modernizado??. Segundo Philippe Áries, as crianças constituem a sociedade humana mais conservadora.
Alguns brinquedos adquiriram uma roupagem tecnológica como o pião, este brinquedo já era conhecido no século XVII , na França.
O arco que era uma argola de ferro equilibrada por uma varinha, registra seu aparecimento no fim da idade média, nesta época não era somente brincadeira de criança. A partir do século XVII foi deixado somente para as elas, como faria durante o século XIX, até seu abandono definitivo na metade do século XX. Entrevistei pessoas na faixa etária dos 60 anos, aqui no RS, que brincavam de arco, de bilboquê, perna de pau , até a década de 50. Este relato vai ao encontro da pesquisa feita por Philippe Ariès, p. (119). O bilboquê, na obra a de Tizuko4, tem como referência de sua criação, na utilização dos ourives, para carregar os pedaços de ouro. Na obra de Philippe Áries5 , encontrei informação, que este era brinquedo utilizado pelo do rei Henrique III (1551-1589) e esteve em moda na corte de Luiz XIII (1638-1715). A perna de pau em nossa sociedade ficou o legado de seu uso em espetáculo circense, mas sua origem estava ligada aos romanos que a utilizava para atravessar os terrenos alagados, estamos aqui nos referindo a idade antiga.
O que fez o arco, o bilboquê, a perna de pau e tantos outros brinquedos caírem em desuso? (Philippe Ariès, p.119), argumenta que talvez a verdade seja que, para manter a atenção das crianças, o brinquedo deva despertar alguma aproximação com o universo dos adultos.
Refletindo sobre a argumentação do autor, questiono o que faz perdurar as brincadeiras de esconde-esconde, mímica, amarelinha, cabra-cega, o balanço, o cata-vento, que magia existem nestes brinquedos, que unem as crianças medievais, modernas e contemporâneas. Conversando com as crianças, elas disseram que o faz de conta, a imaginação que estes brinquedos proporcionam. Se nós transportássemos ao passado e conversássemos com as crianças da idade média e moderna, será que iríamos nós surpreender com as respostas ?
Enquanto educadores somos mediadores dos elos históricos, como ressalta Émile Durkheim, no trecho de minha epigrafe, toda nossa história deixou traços, como também o deixou a história dos povos que nos precederam: estes traços também estão presentes nas brincadeiras que perduram, fazendo parte do cotidiano das crianças, assim como tiveram presente em nossa infância. Podemos aproveitar e ministrar aulas de história brincando e através destas aulas, as crianças saberão que estes brinquedos são legados históricos, que as faz se divertirem, assim como divertiram as gerações passadas.
* Aluna / PEC-Graduação/FACED/ disciplina: História do Ens. Brasil
1 História Social da Criança e da Família ? 1978 2º edição ? ed . JC
2 Casa Grande & Senzala ? 1980 20º ed. Livraria José Olympio
3 Jogos Tradicionais Infantis ? 1993 ? 2º ed. ? ed: Petrópolis
4 Jogos Tradicionais Infantis ? 1993 ? 2º ed. ? ed. Petrópolis
5 História Social da Criança e da Família ? 1978 2º ed. ? editora : JC
Maria José dos Santos Alves*
Todo o passado da humanidade contribui para estabelecer esse conjunto de princípios que deu origem à educação de hoje: toda nossa história aí deixou traços, como também o deixou a história dos povos que nos precederam.:
Émile Durkheim
Ao observar as crianças contemporâneas brincando no pátio de suas escolas, nas praças públicas, de amarelinha, esconde-esconde, cabra-cega, de mímica, se divertir nos balanços, se encantarem com os cata-ventos, esta mesma geração que tem contato com todo avanço tecnológico, rendem-se aos brinquedos e brincadeiras que permaneceram ao longo dos séculos.
Refletindo sobre estas observações, começara a florescer a idéia de pesquisar quais os brinquedos utilizados pelas pessoas que ainda estão em nosso convívio (pais, avós, tios).
Este levantamento mostrou que os brinquedos utilizados além dos citados acima, estavam o arco, a perna de pau, o pião, o bilboquê.
O embasamento histórico sobre estes brinquedos, se assenta as obras de Philippe Ariès1 ,Gilberto Freire 2e Tyzuko Morchida Kischimoto3.
A Amarelinha é uma brincadeira que segundo (Tizuko, p.24) chegou ao Brasil por intermédio dos primeiros portugueses, século XVI. As brincadeiras de mímica, esconde-esconde, cabra-cega,o príncipe da França Luiz XIII, divertia-se com a sua mãe a rainha. A brincadeira de cabra-cega também foi encontrada em uma tapeçaria do início do século XVI, representando camponeses e fidalgos, com um detalhe, não apareciam criança. Na Holanda, na segunda metade do século XVII, vários quadros tinham a representação de pessoas, também brincando de cabra-cega, nesta época já apareciam crianças misturadas com adultos. (Philippe Áries (1978) ,pp. 87-93).
O balanço outro divertimento que resistiu os séculos, pois são encontrados registros deles na iconografia dos jogos e brincadeiras no século XVIII. O cata-vento presente também em nossa sociedade, o autor descreve como sendo imitação da técnica usada nos moinhos de ventos, introduzida na idade média.(Philippe Ariès, (1978) p.88).
Podemos ver, que as crianças da idade média, idade moderna e idade contemporâneas permaneceram com as mesmas brincadeiras. As principais diferenças esta que as crianças de nossa sociedade tem contato com todo o avanço tecnológico. Questiono o que faz este elo ser tão forte, que atravessa século sem ser modificado ?modernizado??. Segundo Philippe Áries, as crianças constituem a sociedade humana mais conservadora.
Alguns brinquedos adquiriram uma roupagem tecnológica como o pião, este brinquedo já era conhecido no século XVII , na França.
O arco que era uma argola de ferro equilibrada por uma varinha, registra seu aparecimento no fim da idade média, nesta época não era somente brincadeira de criança. A partir do século XVII foi deixado somente para as elas, como faria durante o século XIX, até seu abandono definitivo na metade do século XX. Entrevistei pessoas na faixa etária dos 60 anos, aqui no RS, que brincavam de arco, de bilboquê, perna de pau , até a década de 50. Este relato vai ao encontro da pesquisa feita por Philippe Ariès, p. (119). O bilboquê, na obra a de Tizuko4, tem como referência de sua criação, na utilização dos ourives, para carregar os pedaços de ouro. Na obra de Philippe Áries5 , encontrei informação, que este era brinquedo utilizado pelo do rei Henrique III (1551-1589) e esteve em moda na corte de Luiz XIII (1638-1715). A perna de pau em nossa sociedade ficou o legado de seu uso em espetáculo circense, mas sua origem estava ligada aos romanos que a utilizava para atravessar os terrenos alagados, estamos aqui nos referindo a idade antiga.
O que fez o arco, o bilboquê, a perna de pau e tantos outros brinquedos caírem em desuso? (Philippe Ariès, p.119), argumenta que talvez a verdade seja que, para manter a atenção das crianças, o brinquedo deva despertar alguma aproximação com o universo dos adultos.
Refletindo sobre a argumentação do autor, questiono o que faz perdurar as brincadeiras de esconde-esconde, mímica, amarelinha, cabra-cega, o balanço, o cata-vento, que magia existem nestes brinquedos, que unem as crianças medievais, modernas e contemporâneas. Conversando com as crianças, elas disseram que o faz de conta, a imaginação que estes brinquedos proporcionam. Se nós transportássemos ao passado e conversássemos com as crianças da idade média e moderna, será que iríamos nós surpreender com as respostas ?
Enquanto educadores somos mediadores dos elos históricos, como ressalta Émile Durkheim, no trecho de minha epigrafe, toda nossa história deixou traços, como também o deixou a história dos povos que nos precederam: estes traços também estão presentes nas brincadeiras que perduram, fazendo parte do cotidiano das crianças, assim como tiveram presente em nossa infância. Podemos aproveitar e ministrar aulas de história brincando e através destas aulas, as crianças saberão que estes brinquedos são legados históricos, que as faz se divertirem, assim como divertiram as gerações passadas.
* Aluna / PEC-Graduação/FACED/ disciplina: História do Ens. Brasil
1 História Social da Criança e da Família ? 1978 2º edição ? ed . JC
2 Casa Grande & Senzala ? 1980 20º ed. Livraria José Olympio
3 Jogos Tradicionais Infantis ? 1993 ? 2º ed. ? ed: Petrópolis
4 Jogos Tradicionais Infantis ? 1993 ? 2º ed. ? ed. Petrópolis
5 História Social da Criança e da Família ? 1978 2º ed. ? editora : JC

1 Comentários:
Gostei muito do texto sobre brinquedos.
Estou fazendo uma tgi a respeito de jogos de tabuleiro, se caso tiver algum texto, site para indicar, algo que fale sobre brinquedos, jogos de tabuleiro, a socialização que a brincadeira proporciona.
Obrigada
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