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quinta-feira, julho 06, 2006

EDUCADORAS UNIDAS: O FUTURO SOMOS NÓS QUE O FAZEMOS.

Imagine uma escola ideal, todas as etnias vivendo em harmonia. Indígenas, negros e brancos interagindo entre si sem prestar atenção à cor da pele, vivendo como irmãos, pois são filhos do mesmo solo, seus antepassados trabalharam esta terra deixando nela o suor de seus rostos.
Imagine uma estrutura física confortável, onde todas as necessidades dos alunos e mestres sejam supridas, nos quatro cantos deste país, tanto no campo quanto na cidade.
Imagine professoras e diretoras brancas, negras e índias, sem discriminação de cor, credo ou raça, onde importe apenas seus títulos, suas aptidões. Todas com remuneração justa, para poderem manter uma vida digna, cuidando das necessidades de suas famílias, moradia, saúde, educação e lazer, resgatando uma situação de desvalorização que se instalou ao longo da história.
Imagine uma afro-descendente reitora de uma universidade ou mesmo uma irmã índia.
Imagine que todas as mestras ensinem com o ideal de conduzir, educar para a vida, trazendo o conhecimento pertinente a cada aluno.
Imagine que todos os estudantes possam ter acesso ao capital cultural, teatro, museus, bibliotecas, seminários, cursos variados oferecidos pelos governantes, não como obrigação, mas como direito de cada um.
Imagine professores e alunos interagindo entre si de forma mais humana, mais produtiva, numa escola aberta, dinâmica, onde todos possam opinar, deliberar em prol do conhecimento - aprendizagem, estabelecendo relações interdisciplinares. Uma escola onde o aluno possa, realmente, ser o autor do seu projeto para o futuro e a cada patamar do saber alcançado, possa sentir-se mais confiante, pois o conhecimento trás consigo a confiança libertadora.
Imagine, não é difícil imaginar, e imaginando constantemente podemos internalizar este sonho transformando-o em realidade.
Um sonho pode tornar-se realidade? Acreditamos que sim, basta que para isso direcionemos nossas forças para algo no qual acreditamos.
Nosso otimismo nos diz que não está longe de vivermos um novo amanhecer. Imaginamos que estamos diante de uma nova era, sem discriminação e sem exclusão.
Mais de quinhentos anos se passaram desde que nossas irmãs índias e negras disponibilizaram seus corpos para a construção de uma nova raça, híbrida e valorosa, ensinando-nos cultura e amor desprendido até a primeira doutora índia: Maria das Dores de Oliveira Pankararu, um título inédito entre os povos indígenas do Brasil. Este feito trás consigo uma nova maneira de encarar este povo tão esquecido por nós, respeitando-os, não como um povo mais atrasado, mas como uma comunidade com raízes fortes, que conseguiu preservar seus valores apesar das dificuldades enfrentadas. Nossas irmãs negras tiveram mais ?sorte?, talvez por terem absorvido com mais rapidez os hábitos locais, adaptando-os aos seus estão conseguindo se inserir no contexto deste grande país de forma lenta e gradual. Através de muitas lutas e reivindicações, os negros, oprimidos e descontentes, conseguiram aos poucos abrirem caminho para exercerem o direito ao ensino.
Algumas leis foram criadas a partir do Brasil Império, em respeito aos negros que desejavam estudar:
Decreto 1.331- Fevereiro de 1854 ? Não aos escravos na escola pública. A previsão de instrução para adultos dependia da disponibilidade (boa vontade) dos professores.
Decreto 7.031 ? A ? Setembro de 1878 ? Os negros poderiam freqüentar o período noturno. Com este decreto, os negros dependiam da boa vontade de seus senhores, portanto, foram montadas estratégias para dificultar seu acesso à escola.
Lei 10.639 ? Março de 2003 ? A história e cultura negra do Brasil finalmente começaram a ser ensinada nas escolas.
Com as novas leis de cotas, pressupõe-se o ingresso nas universidades públicas daqueles a quem ela pertence, pois se é gratuita, deve ser para quem de fato necessita de seus serviços estando em situação de carência, se esses estudantes não forem auxiliados pelo poder público não poderão exercer o direito a sua cidadania.
Neste momento em que todos os olhares se voltam para a educação, porque sabemos que nosso futuro está em jogo, cabe a todos nós, cidadãos conscientes de nossos deveres, concentrarmos nossas ações e pensamentos na organização de uma nova escola; não a escola nova que continuou velha, mas uma escola libertadora que traga os saberes para os seus membros, sem dissimulações, pensando na necessidade de cada um.
Os discursos que temos ouvido dizendo que a escola está ao dispor de todos que quiserem usufruir de seus serviços, não trazem a realidade dos fatos. Nós, como futuras educadoras, sabemos que não é bem assim que acontece, o conhecimento de diferentes situações nos entristece, pois temos consciência de que nossos alunos têm oportunidades diferentes, trazem em sua bagagem cultural a marca de diferentes vivências das comunidades onde interagem, são sujeitos únicos, que tentam escrever sua história no grande livro da vida. Sabemos que, muitos não conseguirão, será uma história sem inicio, meio e fim, se bem que não existe fim, o nosso aprendizado nunca termina quem tem sede de saber continua aprendendo ao longo da vida, apenas troca de sala de aula.
O futuro sorri para nós, educadoras que, apesar da dupla jornada de trabalho, estamos gradualmente conquistando espaços, porque se a maioria dos docentes era feminino, pesquisas nos mostram que o elemento masculino já está se integrando às séries iniciais do corpo docente, acreditando que as áreas de educação e saúde são as que mais se expandem ( Revista fronteiras / CPERGS / ADUFRGS ? Dezembro de 1998). A partir do momento em que não houver mais discriminação à predisposição da mulher nesta profissão tão linda, poderemos competir de igual para igual, galgando degraus por merecimento sem nos preocuparmos com questões de gênero.
O futuro somos nós que o fazemos, o hoje é uma oportunidade única para interferirmos no amanhã que é uma extensão de nossas ações presentes. Nós como educadoras em formação tomamos conhecimento das pioneiras que abriram caminho para que nós pudéssemos, atualmente, aproveitar esta oportunidade de aprendizagem e usufruir desta situação confortável que ora ocupamos. Nossos agradecimentos às indígenas que ensinavam através do cotidiano, às amas negras ternas, amorosas que amaciaram a língua portuguesa acrescentando a ela sua doçura, às preceptoras estrangeiras que atravessaram os mares para adicionar ao nosso país um pouco de sua cultura e as normalistas que pelo seu instinto materno tornaram-se amigas, conselheiras e porque não dizer, uma segunda mãe de seus alunos, conduzindo-os como se seus filhos fossem. Sentimo-nos privilegiada por podermos continuar este trabalho, com certeza, faremos o possível para sermos chamadas de ?professora? com honra, com discernimento e com esperanças renovadas a cada novo dia, trabalhando por um novo alvorecer, onde a educação seja considerada essencial para o futuro das nações e seja tratada, realmente, como prioridade nacional.
Seremos educadoras unidas para dar novos rumos à educação, talvez ainda não vejamos todos os nossos sonhos concretizados, mas gerações futuras continuarão esse trabalho, temos certeza disso.


Imagine

Imagine novas formas de pensar a educação
É fácil se você tentar
Nenhuma criança longe da escola
E no caminho dela o céu é o limite
Imagine todas as pessoas
Vivendo para a educação, como irmãos, sem exclusão.

Imagine não existir países
Não é difícil de fazê-lo
Nada para matar ou por morrer
E nenhuma discriminação
Imagine todas as pessoas
Vivendo em paz

Você pode achar que eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que um dia você se junte a nós
E o mundo então será um só

Imagine a escola ideal
Não me surpreenderia se você conseguisse
Inexistir necessidade e fome
Uma irmandade unida num objetivo comum
Imagine todas as pessoas
Partilhando o mundo do conhecimento

Você pode achar que eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que você se junte a nós
Educar com amor, assim o mundo será melhor
.
NOEMI CARDOSO NUNES
Fontes de pesquisa:
FREYRE, Gilberto. Casa grande e senzala. São Paulo, 2004
Revista fronteiras. CPERS \ ADUFRGS. Porto Alegre, Dezembro de 1998.
Revista Adverso. ADUFRGS
www. buscaletras.com.br

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