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sábado, julho 08, 2006

Ensino da História da África:As novas abordagens da história

EDU 01159 - HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL
PROFESSORA: MARIA APARECIDA BERGAMASCHI
NOME DA ALUNA: LISANDRA VEIGA DOS SANTOS
ARTIGO

Aproveitei o ensejo da elaboração do trabalho final da disciplina para desenvolver um estudo sobre a lei n° 10639/03. Irei discutir a questão a que ela abre possibilidade de mostrar ao corpo discente algo mais que as guerras européias, ou a superficial e preconceituoso ensino da história da África que predomina nas escolas.
O que primeiramente farei será discutir sobre os currículos atuais que são mantidos como tradição nas escolas brasileiras. Não consigo conceber como a escola - na qual sua equipe que conta desde professores até os diretores ? é bombardeada na mídia e em palestras sobre a diversidade étnico-racial não são efetivamente discutidas. Alguns até possuem esse elemento em sua formação universitária, mas nem por isso mudam a situação do ensino na sua escola, perpetuando o sistema. Pergunto-me há quantos anos aprendemos os mesmos assuntos na disciplina de História?A geração de nossos avós já aprendia da mesma forma, os mesmo assuntos: admitir que o Brasil foi ocupado e não descoberto, foi recente, quantos equívocos mais, ou quanta História é posta de lado para se ensinar conteúdos ditos ?mais importantes??Exemplificando essa prática do ensino de uma História preconceituosa podemos pensar na própria História do Brasil. Os escravos negros são tidos como povo inferior e incapaz de movimentos politizados ou ações como a de ensinar os senhores da casa grande a ler e escrever ou mesmo até tornarem-se intelectuais como Castro Alves e Machado de Assis. Temos também o exemplo dos Asiáticos de tradição dos origamis, samurais e demais aspectos culturais e que muitas vezes se esconde a sua tecnologia de ponta, a maior expectativa de vida e assim por diante, formando a imagem de um continente atrasado.
É lamentável se pensarmos nesse sentido negativo e não procurarmos as respostas e saídas dessa questão. A Lei 10639/03 veio para abrir uma das portas trancadas da História: hoje é a África, amanhã outros países injustiçados pela obscuridade na sala de aula. Talvez a falha encontra-se na formação acadêmica do professor, da tradição arraigada e transmitida a todos os alunos no dia-a-dia da sala de aula, de toda uma concepção errônea da História, mas para que isso mude, precisamos mudar o profissional de hoje que irá auxiliar na formação do profissional de amanhã e assim, numa espécie de reação em cadeia, podemos enfim mudar a História. Mudar esse currículo impregnado de pragmatismo saudosista e frequentemente tido como certo pelas autoridades, que restringe os horizontes do aluno ao invés de expandir, que o insere num processo de reificação, alienação e o leva a contradições, uma vez que o próprio convive com essas diferenças étnicas diariamente na escola, em casa, na rua e até na televisão.
Pessoalmente, só fui tomar consciência de uma abordagem mais ampla da História através dessa disciplina, do estudo mais cuidadoso do livro Casa Grande & Senzala, do autor Gilberto Freyre, o qual me encantou desde o início e forma como foi conduzido pela professora no seu estudo em sala de aula. Esse livro mostrou aspectos das diferentes raças: indígena, negra e portuguesa e explorou com galhardia a História do Brasil no período Colonial. Ele não se restringiu apenas a escravidão negra, mas sim a origem do tráfico negreiro, as tribos, os costumes, não limitando, assim a nossa visão, ao contrário auxiliou para deixá-la ainda mais aguçada. Proporcionar aos alunos essa experiência que tive, tornou-se a tônica do meu trabalho, uma pré-consciência eles já possuem, pois já lidam e sabem das pluralidades raciais.
Nossas crianças já estão acostumadas a lidar com essa diversidade com seus amigos, familiares e com a mídia também. Logo estudar História de outras culturas e abrir brechas para novos mundos não será uma fuga da realidade, pois esses já são conhecidos. Quem sabe se fossem oferecidos cursos de atualização gratuitos para os professores, porque contar apenas com sua disposição, sem a devida preparação é uma tarefa injusta. Tentar culpar alguém por séculos de ensino dessa História restrita é como procurar ?uma agulha num palheiro?. Não é uma pessoa, é um conjunto de concepções que se perpetuam!
O que pretendo nesse artigo é defender além da diversidade, a pluralidade das abordagens no ensino da História, incluindo a África e demais continentes. É pôr na escola a realidade que ela vive como nos mostra Nunes (2003; p.394): ?As cidades são espaços de contradição, de luta, de criação de novos desejos e de negação da unilateralidade da História. Assim também consideramos a escola.?, isso é criar uma consciência reflexiva da História na criança e não aliena-la com seu conteúdo repetitivo e maçante. É fazer como a professora Cida dessa disciplina de História da Educação no Brasil e propiciar um ambiente de descobertas, utilizando-se de discussões, materiais (a exposição da cultura negra e da cultura indígena) e sempre pautando o seu trabalho na ruptura de preconceitos de todos os tipos. No Estado de São Paulo também há êxito no ensino das novas abordagens da História, na qual História da África é ensinada em todas as disciplinas, introduzindo assim a transdisciplinaridade, tão bem explicada por Edgar Morin.
Estar refletindo sobre esse assunto só me foi possível porque estudei as diferentes visões dos vencidos e dos vencedores, critiquei, ouvi e formei assim a minha opinião acerca desse assunto, o qual estou explanando e sobre tantos outros. O papel da minha professora fora fundamental nessa construção do conhecimento, uma vez que ela soube conduzir e auxiliar nossas valiosas discussões. Considero que se obtivermos 1/3 dessas aulas em nossas escolas, estaremos contribuindo grandemente para a formação de cidadãos críticos no sentido mais amplo da palavra, conhecedores dos antecedentes Históricos e capazes de formar suas opiniões frente aos mais variados assuntos e com uma bagagem cultural valiosíssima.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



CEERT, CENTRO DE ESTUDOS DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E DESIGUALDADE. Políticas de Promoção da Igualdade Racial na Educação: Exercitando a Definição dos conteúdos e metodologias.

LOPES, Elaine Marta Teixeira, FILHO, Luciano Mendes de Faria, VEIGA, Cyntia Greive (orgs) 500 Anos de Educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

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