SEMINÁRIO DE DOCÊNCIA I: EDUCAÇÃO E SOCIEDADE
AULA 1 - 09/03/2007 - Temática do semestre: Inclusão Social
Apresentação da disciplina e dos professores
- experiência ímpar de trabalho conjunto de vários professores: Carmen Machado, Maria Helena, Ruth Sabat, Ana Cristina Ghisleno, Paulo Slomp e Zita Possamai
- Métodos de trabalho: Análise de filmes existentes no mercado que abordam a inclusão X exclusão; Leituras de textos selecionados que ficarão na pasta da disciplina
Hoje: filme "O Nome da Rosa" Pontos importantes: olhar o filme com olhar diferenciado; o filme é um recorte histórico e social; podemos assistir o mesmo filme em momentos diferentes e perceber de forma também diferenciada conforme nossas experiências.
Aspectos do filme: - momento histórico
- inquisição
- exclusão
- livros ficavam escondidos; o conhecimento era restrito
- neste período histórico traduzir um livro grego era um crime
- Sempre há pessoas interessadas que a sociedade permaneça na ignorância para não questionar
Interrupção - veteranas invadiram a sala anunciando o "trote aos bixos"
AULA 2 - 16/03/2007
1° Momento: Conclusão do filme Espaço para debate sobre questões importantes do filme.
- Em primeiro lugar, precisamos compreender o momento histórico, o contexto social e político em que a história acontece.
- Período Medieval: Poder político da Igreja - a Igreja monopoliza a sociedade e o conhecimento; é uma instituição muito rica nessa época. Coisas proibidas (ditas do demônio): Riso / mulher / alguns livros
- Personagem: Guilherme de Bakerville - investigador; detetive - figura do preceptor
Observa, faz experiências, pesquisa os cadáveres, cria hipóteses - início do pensamento científico
- Inquisição - práticas de tortura para que os hereges confessassem suas heresias As heresias surgem dentro do próprio clero, pois era nas abadias e nos monastérios que estava o conhecimento (livros). Quando as pessoas têm acesso ao conhecimento, pensam e começam a questionar.
- Explicações das mortes no filme: 1) visão teocrática - dicotomia Deus x Diabo - tudo é obra do demônio 2) visão humanista - mais lógica, processo investigativo
2° Momento: Prof. Maria Helena traz o texto "A Ética" Livro: BOGDAM, Robert; BIKLEN, Sari. Investigação Qualitativa em Educação: Uma introdução à teoria e aos métodos. Coleção Ciências da Educação. Porto Editora,
Ética consiste em normas relativas aos procedimentos considerados corretos e incorretos por determinado grupo. A pessoa observada precisa aceitar e assinar um termo de consentimento. Durante a pesquisa, deve-se observar principalmente os seguintes aspectos, segundo os autores do texto: Anonimato da pessoa observada Respeito à pessoa Publicação ou não dos resultados - manter o acordo do início da pesquisa Fidelidade ao observado
Professores convidados fizeram relatos de suas experiências com pesquisa e as principais dificuldades encontradas no percurso.
- Prof. Lodenir Karnopp - graduação em Letras - interesse na língua de sinais - fez mestrado em linguística na PUC pesquisa: Aquisição da linguagem por crianças surdas -coleta de dados com crianças surdas de 2 a 5 anos - primeira dificuldade identificar crianças surdas de pais surdos, assim desde o naascimento elas teriam contato com a língua de sinais. Carta de consentimento: traduzida para os pais assinarem. Eles questionaram o motivo de nomes fictícios - uma das famílias solicitou que os nomes não fossem alterados. Para essa pesquisa era fundamental o domínio da libra. Doutorado: Estudo longitudinal - interação com brinquedos Projeto de pesquisa na ULBRA - Literatura Surda Contação de histórias na Feira do Livro em linguagem de sinais - resultou em livros de histórias adaptadas, articuladas com as opiniões dos contadores:Cinderela Surda, Rapunzel Surda, ... Ética: eles eram os autores das históriase a prof. Lodenir apenas a intérprete.
- Prof. Tânia Marques - graduação em Psicologia - doutorado na UFRGS em 1991 - questão intrigante em sala de aula: Egocentrismo Docente - dificultava as relações Contribuição de Piaget- desenvolvimento psicológico baseado no ser descentrado - é difícil ser descentrado quando se está emocionalmente envolvido Descentrar o pensamento não significa perder a minha identidade, e sim coordenar essas identidades. dificuldade: como pesquisar colegas? Em salas de aula na UFRGS? - Cartas escritas - 5% apenas retornou o contato A professora escolheu docentes da Matemática, da Física, do Direito e da Engenharia - termo de consentimento assinado A prof. Tânia salientou o cuidado que faz-se necessário na hora de relatar a observação, pois alguns detalhes da caracterização do ambiente observado identifica a turma, a disciplina e consequentemente o professor. Todos os professores acreditavam estar fazendo um bom trabalho e tinham preocupação em dar o melhor de si. - a prof. Tânia fez questão de dar uma resposta aos observados.
- Prof. Nilton Bueno Fischer - graduação em Economia - Ética na pesquisa: não está relacionada com a forma, mas com a relação com o sujeito pesquisado. - Importância da pesquisa: esforço de se colocar no lugar do outro = descentrar! - A pesquisa pressupõe uma relação afetiva e interativa entre pesquisador e sujeito da pesquisa, baseada no respeito. - Ética - escutar o outro, contextualizar e interpretar o que o sujeito diz - e também mostrar que instrumentos estamos utilizando para essas interpretações - transparência. - pesquisa em educação popular: mulheres da unidade de reciclagem da Vila Mário Quintana processo homeopático, lento e respeitador neste processo, os referenciais teóricos são revistos e ajustados - Tentar entender o entorno, capturar e registrar falas circunstanciadas - fotos / filmagens - Cada observação ou entrevista gera um material precioso. Importante tentar se colocar na posição de quem fala e compreender o contexto social de quem fala. "Ciência é fazer relações" Marx - Não existe neutralidade na pesquisa.
Foi muito importante, para nossa formação, o relato das experiências dos professores convidados. Gostaria de agradecer através deste espaço, em nome da turma, a disponibilidade e a contribuição dos professores convidados.
por Cristina Ribeiro de Matos