A professora Simone chegou atrasada, o que já esta virando rotina. A aula iniciou com os comentários dos grupos sobre a saída de campo. Foi colocado que não é necessário a entrega de um trabalho, mas sim do fichamento dos livros. Os comentários e a teorização entram no artigo individual.
Depois, começamos a ler alguns trechos do texto: O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, do qual achei importante ressaltar alguns tópicos relevantes para mim:
É impossível desenvolver as forças econômicas ou de produção, sem o preparo intensivo das forças culturais e o desenvolvimento das aptidões à invenção e à iniciativa que são fatores fundamentais do acréscimo de riqueza de uma sociedade;
O educador, como o sociólogo, tem necessidade de uma cultura múltipla e bem diversa;
A educação que se resume numa forma social, não pode realizar-se senão pela ação extensa e intensiva da escola sobre o indivíduo e deste sobre si mesmo nem produzir-se, senão por uma evolução contínua, favorecida e estimulada por todas as forças organizadas de cultura e de educação.
Toda a educação varia sempre em função de uma ?concepção de vida?, refletindo, em cada época, a filosofia predominante que é determinada pela estrutura da sociedade.
O fim da educação não é, como observou Davy, ?desenvolver de maneira anárquica as tendências dominantes do educando; se o mestre intervem para transformar, isto implica nele a representação de um certo ideal à imagem do qual se esforça para modelar os jovens espíritos?;
O trabalho que foi sempre a maior escola de formação da personalidade moral, não apenas é o método que realiza o acréscimo da produção social, é o único método susceptível de fazer homens cultivados e úteis sob todos os aspectos;
A doutrina da educação, que se apóia no respeito da personalidade humana, considerada não mais como meio, mas como fim em si mesmo, não poderia ser acusada de tentar, com a escola do trabalho, fazer do homem uma máquina, um instrumento exclusivamente apropriado a ganhar salário e a produzir um resultado material num tempo dado;
A educação que é uma das funções de que a família se vem despojando passou a se incorporar definitivamente entre as funções essenciais e primordiais do Estado;
A escola única seria uma escola acessível, em todos os seus graus, aos cidadãos a quem a estrutura social do país mantém condições de inferioridade econômica;
A laicidade, gratuitidade, obrigatoriedade e co-educação são outros tantos princípios em que assenta a escola unificada. A laicidade coloca o ambiente escolar acima de crenças e disputas religiosas, respeitando a integridade da personalidade em formação. A gratuidade torna a educação acessível não à minoria, por um privilégio econômico, mas a todos os cidadãos que tenham vontade e estejam em condições de recebe-la. A obrigatoriedade deve estender?se progressivamente até uma idade conciliável com o trabalho produtor, isto é, até aos 18 anos. A escola unificada não permite ainda, entre alunos de um ou outro sexo outras separações que não sejam as que aconselham as suas aptidões psicológicas e profissionais, estabelecendo em todas as instituições ?a educação em comum? ou co-educação;
A educação se propõe a desenvolver ao máximo a capacidade vital do ser humano, deve ser considerada ?uma só? a função educacional, cujos diferentes graus estão destinados a servir às diferentes fases do crescimento;
A educação pública é subordinada ao Estado. Por isso, há a necessidade de uma ampla autonomia técnica, administrativa e econômica, com que os técnicos e educadores, que tem a responsabilidade, devem ter acesso à direção e administração da função educacional e os meios materiais para poderem realiza-las;
A organização da educação brasileira não implica um centralismo, ao qual se opõem as condições geográficas do país e a necessidade de adaptação crescente da escola aos interesses e às exigências regionais;
A educação nova não considera a função educacional como uma função de acréscimo, segundo o qual o educando é ?modelado exteriormente? (escola tradicional), mas uma função complexa de ações e reações em que o espírito cresce de ?dentro para fora?, substitui o mecanismo pela vida (atividade funcional) e transfere para a crença e para o respeito de sua personalidade o eixo da escola e centro de gravidade do problema da educação;
O plano de reconstrução educacional é caracterizado pela falta de continuidade e articulação do ensino, em seus diversos graus, como se não fossem etapas de um mesmo processo, e cada um dos quais deve ter seu ?fim particular?, próprio, dentro da ?unidade do fim geral da educação? e dos princípios e métodos comuns a todos os graus e instituições educativas;
A educação superior que tem estado, no Brasil, exclusivamente a serviço das profissões ?liberais? (engenharia, medicina e direito), não pode se construir à altura de uma educação universitária, sem alargar para horizontes científicos e culturais;
O novo conceito de educação repele as elites formadas artificialmente ?por diferenciação econômica? ou sob elemento necessário para fazer parte delas. As universidades são destinadas para desenvolver um papel cada vez mais importante na formação das elites;
O professorado faz parte dessa elite. A maior parte dos professores é recrutada sem qualquer preparação profissional, sua preparação geral se dá no ensino secundários, mas devem formar seu espírito pedagógico nos cursos universitários, faculdades ou escolas normais;
A educação não se faz somente pela escola. A escola é uma instituição social, limitada na sua ação educativa, pela pluralidade e diversidade;
Toda a profunda renovação dos princípios que orientam a marcha dos povos precisa acompanhar-se de fundas transformações no regime educacional: as únicas revoluções fecundas são as que se fazem ou se consolidam pela educação, e é só pela educação que a doutrina democrática poderá transformar-se numa fonte de esforço.
Luana Barth Gomes