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quarta-feira, novembro 01, 2006

RESENHA CRÍTICA E COLETIVA

IV CAPÍTULO CASA GRANDE 7 SENZALA (09/10/06)
1) "Os cuidados profiláticos de mãe e ama confundiam-se sob a mesma onda de ternura maternal. Quer os cuidados de higiene do corpo, quer os espirituais contra os quebrantos e o mau-olhado" (p. 409).
A citação acima nos elucida a questão da organização da família colonial brasileira, e da intervenção da mulher negra e indígena neste espaço.
A partir desta intervenção, houve uma reformulação na estrutura social e cultural brasileira, como por exemplo: o banho diário introduzido pelos indígenas es por parte da mulher negra os mimos e proteções místicas, bem como contribuição ao vocabulário com palavras que denotam a afetividade das amas de leite para com as crianças: cafuné, nenê, muleque...
Práticas como benzeduras, e simpatias, são exemplos de como o misticismo africano se disseminou entre os portugueses, apresentando até os dias de hoje sua presença.
Jussimara Rocha, Elisandra Fagundes, Maiara P. Mariana Belmonte, Patrícia Ribeiro do Nascimento.


2)"As histórias portuguesas sofreram no Brasil consideráveis modificações na boca das negras velhas ou amas-de-leite. Foram as negras que se tornaram entre nós as grandes contadoras de histórias" (p. 413).
Entre os africanos era comum a narração de historias e contos, por senhoras negras que faziam disso sua profissão, percorrendo de engenho em engenho, transmitindo seus saberes à outras pretas e amas de meninos brancos. Com isso, a dureza e frieza da linguagem européia foi sendo amaciada, perdendo a forma séria desta língua, juntamente com o sotaque carregado dos "rr" e "ss", ajudando na aprendizagem das crianças e na forma gostosa de se falar e ouvir no Brasil.
Foi de extrema importância as contações de histórias por essas mulheres, pois até hoje usamos expressões e maneiras a falar, como a formas dodói, amolecido pelo jeito caloroso do povo africano . As histórias dos três culturas ? indígenas, africana e portuguesa ? se mesclaram, e a confraternização entre elas contribuíram para uma duradoura "grande história brasileira", principalmente nos contos infantis.
Bárbara, Camila Webster, Graziela, Milene, Paula.

3) "A linguagem infantil também aqui se amoleceu ao contato da criança com a ama negra. (...) a linguagem infantil brasileira, e mesmo a portuguesa, tem um sabor quase africano" (p. 414).
Durante a colonização, as crianças brancas eram entregues às amas negras, quase que num descaso, para a criação. Desta forma, estabelecia-se uma relação de afeto entre ambas as partes, sendo a ama responsável pelo desenvolvimento da linguagem da criança, pois durante o longo período de convivência, o diálogo, as histórias e cantigas folclóricas passadas pela ama, exerceram grande influência na cultura brasileira.
Carolina Monteiro, Carolina K., Jaqueline Cadore, Júlia Ozório e Renata Barcelos.

4) "No a ambiente relasso da escravidão brasileira, as línguas africanas, sem motivo para subsistirem à parte, em oposição à dos brancos, dissolveram-se nela, enriquecendo-a de expressivos modos de dizer; de toda uma série de palavras deliciosas e pitorescas" (p. 416).
As línguas africanas, que assim como os negros no Brasil, eram tidas como inferiores à língua elitizada do branco. Porém não foram substituidas, mas dessolvidas na língua portuguesa, e tudo que se dissolve não deixa de existir, mas transforma aquilo no que foi dissolvido. A língua portuguesa brasileira, portanto é um misto de vocabulário e gramática afro, indígena e europeu (hibridismo). São exemplos de palavras de origem afro em uso na nossa linguagem: axé, cafuné, bangalô.
Bianca, Fernanda Castro, Juliana Pokorski, Luana.

5) "Logo que a criança deixa o berço?, escreve Koster, que soube observar com tanta argúcia a vida de família nas casas-grandes coloniais, ?dão-lhe um escravo do seu sexo e de sua idade, pouco mais ou menos, por camarada, ou antes, para seus brinquedos" (p. 419).
A citação demonstra prática comum à época: "davam" à criança da casa-grande um "escravinho" a fim de acompanhá-la e satisfazê-la tanto nas brincadeira, quanto nos caprichos (como animal de estimação). E mesmo estando fora da senzala, muitas vezes comendo à mesa dos senhores ou participando das mesmas atividades esses escravos tinham sempre presentes o seu lugar de "inferioridade", caracterizando o poder do branco sobre o negro.
Há influência na educação no sentido de que traduz a perpetuação dessa prática: valorização do branco e a subestimação do negro. A criança negra crescia achando natural sua servidão e obediência.
Cláudia Picanço, Cristina Gava, Daniela Souza, Josiane Godinho.

6) "Nascem, criam-se e continuam a viver rodeados de escravos, sem experimentarem a mais ligeira contrariedade, concebendo exaltada opinião de sua superioridade sobre as outras criaturas humanas, e nunca imaginando que possam estar em erro" (p. 420).
As crianças brancas eram educadas sem limites, abusando da disponibilidade dos escravos. Isto fez com que desenvolvessem uma visão egocêntrica e atitudes de mando, onde a crueldade em relação aos escravos era estimulada, gerando tanto nos meninos quanto nas meninas relações de poder, sadismo e superioridade.
As conseqüências para a educação foi a verticalização das relações de poder, onde uma pessoa que sabe mais do que as outras, impõe suas idéias, não valorizando os outros pontos de vista.
Sandra Homem da silva, Graciete Esposito, Cláudia Gomes e Karen Schäffer.

7) "Sabe-se que enorme prestígio alcançaram as mucamas na vida sentimental das sinhazinhas. Pela negra ou mulata de estimação é que a menina se iniciava nos mistérios do amor" (p. 423).
Partindo da leitura desta passagem do texto, concluímos que a participação da mucama tornou-se indispensável na vida íntima da sinhazinha, posto que somente através dela ( a mucama) a jovem poderia tomar conhecimento sobre hábitos sexuais e até mesmo sobre o próprio corpo ( menstruação, gravidez, etc.)
Construíram para a "ingenuidade" da moça branca e para a "experiência " da mucama fatores como: fervor religioso ( a extrema religiosidade da época caracterizava a maioria dos atos ligados ao corpo feminino do pecado) e a precoce iniciação sexual das mucamas ( na sua maioria, contra sua vontade).Como conseqüência disso, citamos a proximidade e a relação de cumplicidade entre ambas provenientes do convívio ( por vezes mais ativo do que com a própria mãe). Mais tarde, a virtude da senhora branca apoiar-se-á em grande parte na prostituição da negra escrava.
Bruna Gueiral, Isabel Schaffino, Marcelo Molinverno, Tatiane dos Santos

8) "Desde o dia da primeira comunhão que deixavam as meninas de ser crianças: tornavam-se sinhás-moças" (p. 427). "Com filha solteira de quinze anos dentro de casa já começava os pais a inquietar-se e a fazer promessa a Santo Antônio e São João" (p. 429).
EDUCAÇÃO: ? DIFERENCIADA
_ SENSO COMUM
_ A primeira comunhão marcava a passagem da menina de criança: moça, apta para o casamento. Era de senso comum e mulher casar jovem, aprender a ser esposa, a cuidar da casa, dos filhos e do marido.
_Impacto na educação: escolaridade prejudicada, estudava por menos tempo, era privada dos espaços escolares. Educação dirigida, com cunho religioso e moral.
_aspectos: religiosos e de interesses (dotes, nome, reputação)
_ O que hoje é fruta verde, naqueles dias tinha-se medo que apodrecesse de maduro, sem ninguém colher a tempo.
"virgindade só tem gosto quando colhida verde"
_ Mulher submissa, conforma-se e não questiona a situação.
_Hoje: A sociedade ainda traz marcas destes tempos.
Marília Felipe, Juliana Freitas, Juliana Sicco, Priscila Tatiane.

9) "No Brasil, país de formação social profundamente católico, sempre se fez mais questão que nas Antilhas e no sul dos Estados Unidos da condição religiosa do escravo" (p. 436).
No Brasil, diferente das Antilhas e Sul dos EUA, os negros tinham um contato muito grande com os brancos. Assim a catolização servia como elemento para perpetuação de valores murais da religião católica sendo também uma forma de continuidade e corfomação da condição escrava (nasceu escravo porque Deus quis).
Ainda, através da religião, buscava-se "desafricanizar" os escravos, diminuindo a influência de sua cultura e costumes no dia-a-dia com as crianças da casa-grande.
As crianças criadas e ensinadas praticamente apenas pelas negras, teriam sua educação questionada caos os negros não fossem "amolecidos" pelos preceitos morais, pelos hábitos de higiene... "que virtudes poderão plantar em nossos tenrinhos corações" (p.432). No Brasil, a casa grande traz da senzala uma série de indivíduos que realizam um serviço íntimo: amas de criar, irmãos de criação; "parentes pobres das famílias européias".
A religião colabora para "lavar a mancha" do ser inferior, sem batismo. Os escravos são tidos "menos" até gozarem do privilégio de ir à missa. Assim, os escravos tornam-se capazes de transmitir às crianças branca um puro catolicismo.
Verônica, Lúcia, Jacqueline Lucena, Joana T, Renata Martins.

10) "O que mostra que médicos e curandeiros nunca estiveram muito distanciados uns dos outros, antes da segunda metade do século XIX" (p. 446) "No Brasil colonial parece-nos justo concluir terem médicos, comadres, curandeiros e escravos sangradores contribuído quase igual para a grande mortalidade, principalmente infantil e de mães..." (p. 448)
A grande taxa de mortalidade, tanto infantil quanto de mães se deve a muitos fatores: falta de conhecimento dos doutores, por algumas crenças consideradas curativas dos escravos, ignorância das mães...
No período colonial, devido a um precário conhecimento científico e medicinal, os médicos buscavam ensinamentos e crenças africanos ( comadres, curandeiros, escravos, sangradores). Era comum os médicos da época prescreverem receitas absurdas como escremento de rato, ou chá de percevejo para desarranjo intestinal, moela de ema para dissolução de cálculo biliar. Além disso, havia muita falta de higiene nessa medicina. Já os escravos africanos buscavam as curas por meio de suas crenças e o contato com a natureza.
Portanto, por mais que os "doutores" da medicina considerassem suas práticas superiores, absorveram dos curandeiros grande parte dos seus conhecimentos como a cocaína e o quinini. Estas crenças e superstições ainda acontecem nos dias atuais.
Patrícia Martins, Renata Jardim, Salete, Taís.

11) "Nos próprios jogos coloniais de sala surpreenderam-se tendências sadistas: no ?jogo do beliscão?, tão querido das crianças brasileiras nos séculos XVII e XIX, por exemplo. Oferecendo aos meninos larga oportunidade de beliscarem de rijo as primas ou os crias da casa, não é de admirar a popularidade de jogo tão besta" (p. 452).
As crianças que viveram o tempo da escravidão, tanto negros escravos quanto os meninos brancos, da cidade ou do engenho, brincavam de dar beliscões.
Os meninos escravos negros, brincavam sem maldade, ou talvez por terem medo. Como diz o autor "beliscão medroso da parte dos crias,"
Já os meninos brancos davam beliscões dolorosas e fortes. O autor justifica essa atitude, alegando que os meninos brancos sofreram muito na época da escravidão e essa brincadeira era uma forma de descontar tal sofrimento- castigos que sofriam, punições por atitudes incorretas ? e assim tornando-se verdadeiros "menino-diabo".
Mas quam deveria sofr er mais, os meninos brancos ou os filhos dos escravos, que viam seus pais todos os dias sofrendo, desfrutando de uma mísera vida?
Ana Claúdia, Fernanda Lubke, Isabela Dutra

12) "Vícios de educação que explicam melhor do que o clima, e incomparavelmente melhor que os duvidosos efeitos da miscigenação sobre o sistema do mestiço, a precoce iniciação do menino brasileiro na vida erótica" (p. 459).
Contrapondo as teorias de outros estudiosos da história brasileira que atribuíram ao clima ou à miscigenação os vícios de educação, Gilberto Freire analisa a questão sob outro prisma, remetendo à questão sócio-econômica.
O fato de crianças brancas e negras terem sido criadas juntas e tratadas como se fossem da mesma família aumentou o nível de intimidade e liberdade para determinadas ações.
Os meninos eram criados desde cedo para "garanhões", somando-se ao interesse do senhor de engenho de aumentar o número de escravos.
A nomenclatura e o sistema de trabalho escravo acabou iniciando o menino não só na vida sexual, mas também o inseriu na vida adulta.
Aline Liege, Priscilla Boschi, Julia Scalco, Cleanelra dos Santos

13) "Não eram as negras que iam esfregar-se pelas pernas dos adolescentes louros; estes é que, no sul dos Estados Unidos, como nos engenhos de cana do Brasil os filhos dos senhores, criavam-se desde pequenos para garanhões" (p. 461).


3 Comentários:

Blogger prof.Malu disse...

Gostaria de deixar uma contribuição nesta Resenha crítica e coletiva do livro "CASA GRANDE E SENZALA" de GILBERTO FREIRE;dizendo que esta obra é um documentário importantíssimo sobre o negro,sua cultura,contribuição à história do Brasil,bem como um registro fidedigno de tantas atrocidades cometidas contra esta etnia.Muito bom o trabalho dos grupos.Fiquei com muita vontade de reler o livro,é sempre interessante reler uma obra tão referente e atual como essa!

6:58 PM  
Blogger Cristina disse...

Li este livro e ao ler esta resenha , quero dizer o quanto denota significativamente a cultura do negro que tão sofrido foi e ainda é hoje, embora os movimentos sociais apontem novos horizontes, ainda o negro é muito discriminado. Todos somos responsáveis por uma sociedade mais justa e humana por isto a importância de ser trabalhado com as séries iniciais o tema " O Racismo".

6:31 PM  
Blogger Neusa Siqueira disse...

SABER QUE FOI NEGADO AO NEGRO A PRÁTICA DE SUA CULTURA, AQUI NO BRASIL, ME DÁ UMA SENSAÇÃO DE CULPA E VERGONHA. AINDA HOJE EXISTE BASTANTE DISCRIMINAÇÃO, MAS TEMOS OBRIGAÇÃO DE COLABORAR PARA QUE ELA SEJA EXTERMINADA
NEUSA SIQUEIRA

10:30 PM  

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