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quarta-feira, junho 20, 2007

Florestan Fernandes por Juliana Vargas e Roberta Peixoto

Florestan Fernandes

Florestan Fernandes nasceu em São Paulo, no dia 22 de Julho de 1920, de família muito humilde do Brás. Sua mãe, Dona Maria Fernandes, era uma imigrante portuguesa, analfabeta e trabalhava como lavadeira. Sua madrinha, que era patroa de sua mãe, costumava chamá-lo de Vicente, pois julgava que Florestan, não era nome apropriado para uma criança pobre.
Devido às necessidades de sua família, Florestan começou a trabalhar aos seis anos de idade, onde desempenhou vários ofícios como: engraxate, auxiliar de marceneiro, auxiliar de barbeiro,
alfaiate e balconista de bar. Como sua vida no trabalho estava exigindo que se dedicasse em período integral, aos nove anos de idade parou de estudar no terceiro ano do curso primário. Somente aos dezessete anos concluiu o antigo curso de madureza (atual supletivo), por insistência dos fregueses do Bar Bidu, na Rua Líbero Badaró, onde trabalhava como cozinheiro, pois achavam que Florestan era muito inteligente devido aos comentários sobre a política e a leitura da realidade que fazia.
Vendedor de produtos farmacêuticos, Florestan, aos dezoito anos de idade, ingressou na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de São Paulo. Neste momento, ele dizia que o Vicente começou a morrer e sobreveio o Florestan.
Obteve a licenciatura em 1943, ano em que O Estado de São Paulo publicou o seu primeiro artigo. Em 1944, casou-se com Myriam Rodrigues Fernandes, com quem teve seis filhos. Neste mesmo ano, tornou-se assistente do professor Fernando de Azevedo, na cátedra de sociologia II. Obteve o título de mestre em 1947 com a dissertação A organização social dos Tupinambá e concluiu o doutorado em 1951, com a tese A função social da guerra na sociedade Tupinambá, sob orientação do professor Fernando de Azevedo.
Nas obras em que defendeu (por sinal, são muito respeitadas ainda hoje), constrói a estrutura da tribo Tupinambá, já desaparecida na época, por meio de documentos de viajantes. Concluído o doutorado, Florestan passou a livre docente da USP na cátedra de Sociologia I, e posteriormente, tornou-se professor titular.
Devido ao seu engajamento na Universidade, foi perseguido pela ditadura militar e foi cassado com base no Ato Institucional de nº 5, pediu exílio, em 1969, para o Canadá, onde assumiu um lugar de professor de Sociologia na Universidade de Toronto.
Faleceu em São Paulo no dia 10 de agosto de 1995, aos 75 anos de idade, vítima de embolia gasosa maciça (presença de bolhas de ar no sangue), seis dias após submeter-se a um transplante de fígado. Ele estava revisando os originais de seu último livro: A contestação necessária – retratos intelectuais de inconformistas e revolucionários, uma coletânea de biografias de amigos e heróis.

A CAMPANHA EM DEFESA DA ESCOLA PÚBLICA

* Desde a década de 1940, apresenta preocupações e questionamentos sobre a educação no Brasil, utilizando-se do folclore, pois segundo sua concepção este inculcava valores tradicionais de conduta social, inclusive no que se refere ao trabalho;
* Educação como meio de mudança social, final década de 1950. Função dinâmica da escola;
* Defesa da Educação escolarizada, tornando o acesso e a permanência cada vez maiores;
Para Florestan, os sociólogos deveriam: “... estabelecer uma ligação definida entre o que fazemos e o que deveríamos fazer, em matéria de ensino (...) o sociólogo precisa ter a coragem de improvisar – de extrair de suas experiências diretas e das raras conclusões empiricamente fundadas ou comprovadas, reflexões que permitam alargar a nossa compreensão da realidade e do sentido das exigências da situação.” (FERNANDES, 1966, prefácio, p.XVI).
* Defesa da ampliação da intervenção construtiva do Estado na solução dos problemas educacionais;
* A participação na Campanha rendeu-lhe o adjetivo de reformador liberal, pois, apesar de socialista, defendeu uma política educacional calcada no ideário republicano;
* Defendeu a ESCOLA PÚBLICA e LAICA;
* Esteve presente nas decisões acerca da LDB.
Florestan apontou que à época o “principal desafio socialista na esfera educacional é ainda calibrado pelas reformas burguesas da educação, que os pioneiros não conseguiram realizar”. Destacou ainda o significado que a educação teria para promover “a descolonização, a revolução nacional, a revolução democrática que a República autocrática burguesa bloqueou e mistificou”. (FERNANDES, 1989, p.9)

FLORESTAN FERNANDES X DARCY RIBEIRO

* LDB – visões opostas;

“Florestan não se inquieta com o milhão de alunos do proletariado estudantil, que pagam caro para estudar a noite, em escolas péssimas, montadas para fazer lucros empresariais, enganando-os. Abandona-os à sua sorte”, disse Darcy Ribeiro;


PRINCIPAIS OBRAS:

* Organização Social dos Tupinambá (1949);
* A Função Social da Guerra na Sociedade Tupinambá (1952);
* Mudanças Sociais no Brasil (1960);
* Fundamentos Empíricos da Explicação Sociológica (1959);
* Folclore e Mudança Social na Cidade de São Paulo (1961);
* A Integração do Negro na sociedade de classes (1968);
* A Revolução Burguesa no Brasil (1975).


“Eu nunca teria sido o sociólogo em que me converti sem o meu passado e sem a socialização pré e extra-escolar que recebi através das duras lições da vida. Para o bem e para o mal [...] a minha formação acadêmica superpôs-se a uma formação humana que ela não conseguiudestorcer nem esterelizar. Portanto, ainda que isso pareça pouco ortodoxo e antiintelectualista, afirmo que iniciei minha aprendizagem sociológica aos seis anos, quando precisei ganhar a vida como se fosse um adulto e penetrei, pelas vias da experiência concreta, no conhecimento do que é a convivência humana e a sociedade em uma cidade na qual prevalecia a ordem das bicadas mas a relação de presa, pela qual o homem se alimentava do homem [...].” Fernandes (1977, p.142)


CONCLUSÕES:

* De engraxate a Professor catedrático, 75 anos de vida dedicada à luta contra a desigualdade social. Militante aguerrido na defesa da Escola Pública de Qualidade;
* Defendeu a transformação social, através da EDUCAÇÃO como tema de destaque na construção e consolidação de um novo projeto de sociedade;
* Fundador da Sociologia Crítica no Brasil, tem sua produção intelectual impregnada de reflexão, no questionamento à realidade e o pensamento sintetizado;

Enfim, crítica social, militância ativa, dedicação à docência, a pesquisa, ao publicismo; o sociólogo e professor, político engajado na luta contra s desigualdade, na defesa da educação pública, o socialismo, da democracia e da solidariedade entre a classe trabalhadora e entre os povos latino-americanos fizeram do Professor Florestan Fernandes, um grande homem de nosso tempo coerente, sonhador e comprometido com sua classe.




“Longe do futuro como estamos, encontramos na lei (malgrado as deformações indigitadas) o incentivo para persistir na pugna pela auto-emancipação educacional dos de baixo, a democratização efetiva da sociedade, da cultura, do Estado – e a humanização da pessoa como pré-requisito da existência da cidadania e a coexistência da democracia com liberdade civil e igualdade social. Somos rústicos e pobres – mas nada nos obriga a carregar esse fardo negativo para aumentar as regalias dos que mandam e eternizar a abjeção dos que obedecem. Se não obtivemos tudo o que queríamos, sabemos disso e estamos dispostos a ir além. Queremos a educação para reeducar os educadores e como alavanca crítica da consciência coletiva, que se projeta como ação histórica que modifica o mundo.” Florestan Fernandes


Alunas: Juliana Vargas e Roberta Peixoto.
Pensadores da Educação Brasileira
Prof. Simone Valdete dos Santos

2 Comentários:

Blogger Thaís S. F. Bozzetto disse...

Gostei muito do testo que escreveram.
Thaís Bozzetto

10:05 PM  
Blogger Thais Bozzetto disse...

Desculpe a falha!
Texto!

3:00 PM  

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