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domingo, dezembro 10, 2006

UMBANDA - ESTA DESCONHECIDA

O porquê da ignorância, do desconhecimento
Existem muitos equívocos e mal-entendidos em relação à Umbanda.
Ignora-se que a religião é uma criação brasileira baseada na tradição de práticas de cura bantos (denominada umbanda) realizadas pelos curandeiros "quimbandas".
No Brasil, a história do movimento umbandista tem seus registros no início do século XX. Essa história é contada com episódios de discriminação, segregação e proibição de expressão. Essa trajetória se confunde com a dos povos escravizados desde a nossa colonização. Passou por períodos em que foi declarada proibida e rechaçada, sendo definida como crendice, seita de ignorantes, idolatria pagã, culto demoníaco, alucinação e histeria.
Sua especificidade é ignorada. Muitas vezes é entendida como perda de tradições de outros cultos - pelas práticas mágicas de diferentes proveniências; outras vezes é vista como catolicismo popular e degenerado ou como forma involuída de kardecismo - baixo espiritismo ou ainda como candomblé degradado - porque não é fiel à memória africana.
Muitos brasileiros desejariam esquecer que o Brasil nasceu do encontro de três raças e olham unicamente para o lado da Europa branca. Dizem os umbandistas que se considerarmos que a civilização brasileira é o produto da fusão entre o totemismo indígena, o fetichismo africano e o catolicismo ibérico, por que querer romper com o nosso passado? É preciso partir das realidades brasileiras, é preciso criar a religião de nosso povo mestiço.

Fundamentos
Os fundamentos da Umbanda pregam a paz, a união e a caridade, e têm como essência os seguintes princípios:
- A existência de um Deus único (Zâmbi, Olorum ou simplesmente Deus) onipotente e irrepresentável;
- As religiões constituem diversos caminhos de evolução espiritual, que conduzem a Deus;
- A crença em um Orixá maior, chamado Oxalá (Jesus Cristo);
- A crença em entidades espirituais em plano superior (os Orixás ou Santos), chefiando falanges;
- A crença em guias espirituais (Caboclos e Pretos Velhos);
- A existência do espírito, sobrevivendo ao homem, em caminho de evolução, buscando o aperfeiçoamento;
- A natureza trina do homem: espírito, alma e corpo;
- A crença na reencarnação e na lei cármica de causa e efeito;
- A prática da mediunidade, sob as mais variadas apresentações;
- A prática da caridade material e espiritual;
- A necessidade do ritual como elemento disciplinador dos trabalhos;
- A crença de que o homem vive num campo de vibrações que condicionam sua vida para o bem e para o mal, conforme sua própria tônica vibratória.

Complexidade e controvérsias marcadas pelo olhar de classe
A Umbanda traz, em sua matriz, a união de religiões e cultos que congregam uma camada da sociedade marginalizada (negros, índios, mestiços e brancos pobres e favelados). O reconhecimento desse grupo social não é objeto de interesse das classes dominantes.
Sua organização democrática rompe com padrões e hierarquias sociais. A figura da mulher como líder religiosa rompe um paradigma judaico-cristão e faz aumentar o preconceito e o não reconhecimento como religião.
O sincretismo religioso, a aceitação de pobres, homossexuais, negros, brancos, ricos, cultos e incultos, somado ao fato de ser uma expressão religiosa que surgiu nos espaços urbanos populares, faz da Umbanda uma estrutura que ameaça a estrutura hierárquica hegemônica e o domínio econômico vigente no país.
Nos dias atuais, a Umbanda continua recebendo pessoas de todas as classes sociais, origens étnicas e condições econômicas ou culturais, encontrando-se entre as religiões que menos discriminam os indivíduos. Ela vem agindo de maneira lenta, mas progressiva, no sentido de provocar mudanças estruturais que levam a uma maior inclusão social e à possibilidade de realização integral de cada pessoa.
Neste processo de aprofundamento de suas ações ela optou por obter a legitimidade e o reconhecimento social por meio de educação. Podemos observar esse fato através da criação da FACULDADE DE TEOLOGIA UMBANDISTA em São Paulo, o que representa um avanço para a Umbanda porque, no momento em que se dirige da periferia ao centro, arrasta consigo tudo o que existe na periferia, não apenas umbandistas mas a sociedade como um todo. A Faculdade de Teologia Umbandista prega a unidade e a universalidade de todas as coisas, promovendo a convergência para a Paz Mundial.

Considerações finais
O termo de origem banto "umbanda" dá nome a uma religião brasileira que reflete a história e a sociedade do país. Nosso grupo de trabalho percorreu um caminho em direção a esses conhecimentos, culminando com o trabalho de campo no Centro Espírita de Umbanda Reino de Xangô e Mãe Jurema, em Montenegro (RS), onde realizamos pesquisas.
Conhecer o lugar onde estamos e onde os outros estão em relação à fé e às crenças nos levou a desenvolver um sentido de proporção no amplo campo das religiões, religiosidades, experiências religiosas ? no qual todos devem ser ouvidos e respeitados.
Acreditamos que a escola, que é um espaço de afirmação das identidades, necessita reformular as práticas educativas. É importante que estudantes adeptos de religiões de matriz africana e/ou indígenas possam ver sua religião ser abordada como referência identitária positiva.
Devemos entender que os fundamentos dessas religiões são códigos sócio-culturais e educativos referentes a uma outra forma de sociabilidade, e que podem ser um dos caminhos para afastar atitudes como a indiferença, a intolerância e o preconceito na educação.
A diversidade se faz riqueza e deve conduzir à compreensão, ao respeito, à admiração e às atitudes pacificadoras.

Referências:

BAIRRÃO, J.F.M.H. Subterrâneos da Submissão: Sentidos do Mal no Imaginário Umbandista. São Paulo: 2002. Memorandum, 2, 55-67. Disponível em http://www.fafich.ufmg.br/memorandum/artigos02/bairrao. Acesso em: 03/11/2006;

BASTIDE, R. As Religiões Africanas no Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1971;

BOBSIN, O. Etiologia das doenças e pluralismo religioso. Estudos Teológicos. São Leopoldo: EST, v. 43, nº 2, p. 21-43, 2003;

Declaração Universal dos Direitos Humanos, Artigo XVIII. Adotada e proclamada pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) na sua Resolução 217A (III), de 10 de dezembro de 1948. Disponível em: http://www.onu-brasil.org.br/documentos_direitoshumanos.php. Acesso em:26/11/2006;

ETXAURY, Templo. Origens da Umbanda. 2006. Disponível em: http://sol.sapo.pt/blogs/pnina/archive/2006. Acesso em: 03/11/2006;

MAGNANI, J.G. e RAMOS, U.S. Doença e Cura na religião umbandista - PESES, Fundação Oswaldo Cruz - Relatório de Pesquisa, 1980;

MAGNANI, J. G. C. Umbanda. São Paulo: Ática, 1986;

MONTERO, P. Da doença à desordem: a magia na Umbanda. Rio de Janeiro, Graal, 1985;

NASCIMENTO, M. A. A. As práticas populares de cura no povoado de Matinha dos Pretos? BA: eliminar, reduzir ou convalidar? Tese de Doutorado em Enfermagem, USP, 1997. Disponível em: Revista Sitientibus nº 19, Feira de Santana, p. 101-134, jul/dez 1998;

SILVA, E. M. Religião, Diversidade e Valores Culturais: Conceitos Teóricos e a Educação para a Cidadania. Rever - Revista de Estudos da Religião Nº 2, p. 1-14, São Paulo, 2004. Disponível em: http:// www.pucsp.br/rever/rv2_2004/p_silva.pdf. Acesso em: 03/11/2006;

SOARES, R. T. Tradição e Mudança. Publicado em 21/02/2006. Disponível em: http://www.FTU.com.br. Acesso em 16/11/2006;

TRAMONTE, C. Educação Intercultural e Práticas Afro- Brasileiras: Construindo a Tolerância na Diversidade. Disponível em http://www.ufsm.br/linguagemecidadania/02_02/CristianaLC8.htm Acesso em: 15/11/2006;

http://www.brasilfolclore.hpg.ig.com.br/umbanda.htm. Acesso em: 26/11/2006;
http://www.caboclajurema.com/umbanda.htm. Acesso em: 26/11/2006;
http://www.geocities.com/portalumbanda/frame.htm. Acesso em: 26/11/2006;
http://www.umbanda.etc.br/orixas/orixas. Acesso em: 26/11/2006.

Cláudia Regina, Cleandra, Cleusa, Graciette, Karen, Patrícia Martins, Salete e Sandra.

1 Comentários:

Blogger *** disse...

No sites http://www.livrospsicografados.com.br , existem livros gratuitos de Umbanda. Eu achei muito interessante os textos dos livros e aprendi varias coisas novas. Para os interessados na nossa umbanda acho bem interessante! Axe Rodrigo

2:35 PM  

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