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quinta-feira, outubro 27, 2005

Representação dos sujeitos/Cultura da violência.

Representação dos sujeitos encaminhados a serviços de apoio pedagógico.

A pesquisa partiu da questão de como os sujeitos encaminhados ao serviço de apoio pedagógico são representados. O período de pesquisa foi de 1993 a 2003. Para se chegar a representação dos sujeitos que são encaminhados ao serviço de apoio pedagógico usou-se a análise do discurso de quem trabalha nas esciolas com esse tipo de problema. Nos discursos apareceram expressões como ?ele é atrasado?, ?ele é lento?, para caracterizar os alunos que não conseguem aprender. Observou-se que o comum é centralizar o problema no aluno. Também constatou-se que há diferenciação de gênero. 76% são meninos. Isto devido ao comportamento. Assim, como o problema é o aluno, procura-se corrigir as distorções. É como se o apoio pedagógico fosse a salvação. Então, se usa os diversos autores nesse processo de correção. As representações ?lento?, ?atrasado?, tem a ver com o tempo. O tempo que a escola disponibiliza para o aprendizado nem sempre é o tempo do aluno. Alguns levam mais e outros levam menos tempo para aprender. O que chama a atenção é a importância do referencial teórico que o pedagogo adota. Se vê a luz de Piaget, então é preciso observar a fase em que o aluno se encontra, o tipo de estrutura mental ou afetiva, e ver onde ele está tendo problema. Centraliza-se a questão no indivíduo. Por outro lado, se vê sociologicamente, com Paulo Freire por exemplo, é necessário analisar o contexto social em que o problema se desenvolve.

As vivências de paz e de violência no meio escolar.

O projeto defende a cultura da paz. Aborda a violência como um desafio para a educação. Baseia-se em autores como Kant, para os quais a paz e a violência são aprendidas. E é claro, são aprendidas nos diversos âmbitos. Porém, a pesquisa se restringe às escolas, mais especificamente, a três escolas de Porto Alegre que ficam próximas da PUC: uma escola particular, uma estadual e uma municipal. O método é de entrevista com os alunos. O projeto defende que a violência não é natural. Critica a idéia de que sempre haverá violência. Condiciona a violência ao aprendizado, ou seja, sempre haverá violência enquanto se ensinar a violência. O que me veio a cabeça com essa pesquisa é o filme do Kubrick ?Nascido para matar?, que conta a história de um batalhão que é treinado nos EUA para, depois, combater no Vietnã. A violência com que são treinados é espantosa. Um dos recrutas não consegue cumprir com sucesso suas tarefas no treinamento por estar fora de forma. Este sofre violência de seu superior que, como estratégia pedagógica, transfere a todos os demais os castigos de tal recruta. Numa noite, seus colegas irritados de serem castigados por causa dele, amordaçam-no, imobilizam-no pés e mãos, e cada um enrola seu sabonete num pano e dá uma batida em qualquer parte do corpo. O resultado é óbvio, no final do treinamento, o recruta fala com sua arma como se fosse uma pessoa, se torna um dos melhores atiradores. Porém, acaba matando seu superior e se suicidando com um disparo na boca. Enfim, o filme vale a pena.
Adriano Hannecker

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