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quarta-feira, outubro 26, 2005

Semana acadêmica

Os relatos a seguir se referem às apresentações dos dias 18 e 19 de outubro.
A sessão do dia 18 dizia respeito à área das humanas, mais especificamente à educação. Intitulava-se Educação História e Sociedade.
A primeira apresentação que me chamou atenção, recebeu o nome de Guia dos Pais e Professores: civilidade, higiene e bons modos na coleção Mundo da criança. A aluna se chamava Aline de Jesus e era estudante de pedagogia da UFRGS. Sua orientadora era a Maria Stephanou. Em sua apresentação, ela fez uma comparação entre as coleções Mundo da criança do ano de 1959 e do ano de 1972. Ainda que o projeto de pesquisa esteja em fase inicial, a aluna conseguiu ilustrar bem diferenças gritantes entre as duas coleções, que apesar de receberem o mesmo nome e "pertencerem" à mesma editora, tinham conteúdos e objetivos bem distintos. Na edição de 59 fica bem nítido que quase todas as edições que compunham a coleção eram destinados aos pais e educadores enquanto a de 72 dedicava apenas a última edição para os adultos. As demais eram destinadas às próprias crianças. Eram livros de prescrições, onde se aprendia bons modos, bons costumes, a importância da higiene. O que ficou bem claro nesta apresentação foi o fato de que na coleção da década de 50 dava-se total prioridade aos feitos ligados à ciência, enquanto na coleção da década de 70 a atenção estava totalmente voltada aos valores morais. Aline demonstrava total encantamento em relação a esse projeto e conseguiu se sair bem no momento de discutir com a banca.
Outro trabalho interessante foi o apresentado por uma aluna de Educação Física da Universidade de Federal de Santa Catarina. Foi feita uma vasta pesquisa a respeito de uma sessão de um jornal famoso no estado de Santa Catarina nas décadas de 30 e 40 que se chamava Jornal Dia e Noite.O nome da pesquisa era Educação e Culto do Corpo Feminino nos Anos 1930/1940: um estudo do Jornal Dia e Noite. A aluna se chamava Beatriz Albino e seu orientador se chamava Alexandre Fernandez Vaz. A sessão do jornal que foi analisada se chamava Página Feminina e se destinava a prescrição de uma série de cuidados que mulher moderna da época deveria ter. Tinha dicas de beleza, moda, saúde, etc. Foi averiguada uma série de mudanças nessa época como o fato da beleza passar a estar intimamente ligado à saúde. Passou-se a incentivar a mulher a cuidar das imperfeições do corpo e não mais a simplesmente disfarçar estes defeitos. Encontrou-se, por meio desta pesquisa, uma grande influência do cinema. Levando em consideração o fato de que as divas de Holliwood eram vistas como o padrão de beleza da época. O público que lia a citada coluna seguia suas dicas de maquiagem, vestimenta, comportamento, acessórios... É interessante notar a concepção de mulher moderna que se tem em cada época já que, através destas edições, observa-se que a mulher tida como moderna, inevitavelmente, deveria estar naturalmente apta, ou melhor, teria vocação para exercer a maternidade. Também deveria ser vaidosa. Sendo assim, as feministas não eram classificadas como modernas. Ainda que a mulher que exagerava no quesito vaidade também não era considerada como uma mulher moderna. A banca se interessou bastante pelo trabalho e elogiou bastante. Eu, particularmente considerei este o melhor trabalho da sessão.
O trabalho que se seguiu foi apresentado por uma aluna do curso de pedagogia da UERGS chamada Márcia Cristina Mazzurana. O estudo tinha como título História da Educação em São Francisco de Paula: um olhar sobre a Educação de Jovens e Adultos.A orientadora do trabalho se chamava Sita Mara Sant?Anna. A apresentação foi um pouco confusa porque o trabalho era muito extenso e não foi possível terminar no tempo determinado. A aluna comentou o quão difícil é arrecadar dados para fazer esse tipo de pesquisa. Mesmo assim, obteve-se através da busca documentos e testemunhos de histórias de vida dos moradores da cidade mais antigos. No decorrer da maior parte do tempo ela se pôs a falar sobre a fundação das escolas da região. Mas, infelizmente, ela não conseguiu se aprofundar no assunto relativo ao ensino propriamente dito. Insistiu-se no fato de que não haviam pesquisas no campo do EJA. Foram apresentados muitos dados, mas esses dados não foram contextualizados por falta de tempo. Como a pesquisa estava em fase de finalização, haviam muitos dados e serem apresentados. Isso acabou prejudicando a apresentação. Apesar disso, a pesquisa agradou a banca. Um dos motivos foi o fato da mãe e da avó de uma das professoras da banca terem sido professoras em São Francisco de Paula.
No dia 19 de outubro, assisti a uma sessão chamada Educação e Cultura
O primeiro a se apresentar foi aluno do curso de sociologia da UFRGS chamado Denis Roberto da Silva e sua orientadora era Nadia Geisa de Souza. O trabalho tinha como título Noticiando A Morte Num Jornal. A pesquisa foi feita em cima de 265 notícias de morte noticiadas no Jornal Zero Hora entre maio e outubro de 2005. A princípio foram feitas perguntas tais como "Que mortes são noticiadas?", "Que mortes nos inquietam?", "Quem pode morrer?"... Observou-se que vivemos em uma cultura da mídia, e que as notícias de morte acabam gerando um clima de medo na população e acaba havendo também uma espécie de divisão das mortes. Essa divisão seria a das mortes tidas como "desejáveis" e as inaceitáveis. A primeira englobaria a morte de pessoas que estão envolvidas na criminalidade, ou seja, daquelas pessoas que mesmo não podendo participar do mundo do consumo, insistem em fazer parte dele. Já as mortes inaceitáveis seriam compostas por crianças, idosos e jovens com um "futuro promissor", em sua maioria, jovens universitários. O trabalho agradou bastante a banca e, na minha opinião, foi a melhor da sessão.
O próximo projeto foi apresentado por um aluno da pedagogia da UFRGS chamado Gustavo Andrada Bandeira. Sua orientadora era a Rosa Maria Bueno Fischer. O título era Constituição da Alteridade Jovem: Uma Discussão Teórica. O trabalho que ainda está em fase inicial buscava responder uma pergunta primordial: Como o jovem é construído como outro? Mostrou-se que todos nós temos contato, de uma forma ou de outra, com jovens. Esses contatos acabam constituindo apenas experiências particulares. Mesmo assim, nos vemos aptos a falar a respeito da juventude... O fato mais explorado pelo Gustavo foi o fato de haver uma necessidade de se encaixar o jovem em um padrão. Mostrou, então, uma coluna da Revista da MTV que mostrava como o jovem era e é retratado nas músicas, nos livros e filmes. Chegou-se à conclusão que o jovem sempre foi descrito, em sua maioria, como sexualmente ativo, usuário de drogas, aquele que quer mudar o mundo, que adora estar no shopping... Através de uma pesquisa viu-se que grande parte destes dados está equivocada (pelo menos em relação aos jovens de hoje). A pergunta feita que me chamou mais atenção foi se a juventude é um estágio a ser superado. A banca, com um tom de crítica, perguntou o porquê dele ter escolhido como plano de fundo dos slides os personagens da novelinha Malhação. Ele explicou que achou interessante mostrar como o único programa que fala do jovem brasileiro deixa bem claro o fato do perfil dos jovens ser padronizado. Isso porque, mesmo que se mostre um obeso, junto com uma menina negra, com uma loira riquinha... todos seguem um padrão de vestimenta, estudam na mesma escola, se reúnem no mesmo lugar...
Outra pesquisa que me chamou a atenção tinha o título de Cenas de uma Escola-Fábrica: experiências com teatro nas séries iniciais. A aluna estudante da UFRGS e se chamava Daniela Vieira Costa. Sua orientadora era Sandra Mara Corazza. Ela abordou a fato de que a escola funciona como uma instituição que normatiza os seres que passam por ela. Dessa forma, os corpos dos alunos ficam "castrados" pelo fluxo da disciplina. Ela falou a respeito da Filosofia da Diferença, onde se passa a fugir do que é possível e se experimenta ou se lança ao novo. Baseada na experiência que teve como professora voluntária de teatro ela discorreu a respeito de que a Arte oferecida na escola deve funcionar também como um espaço de criação para a criança. Mas, segundo ela, o que acaba ocorrendo é que ela se torna castradora enquanto o adulto que organiza aquela atividade não assumir a criança que existe em si.
A maioria das apresentações que assisti corresponderam as minhas expectativas.


Cláudia Z. P.

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