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quinta-feira, novembro 29, 2007

Não é África... SÃO ÁFRICAS!!!!

Palestra com MANUELA AMILAI
(22/11/07)


A palestra começa com Profa. Zita apresentando Manuela: Moçambicana, estudante do 7º semestre de Ciências Sociais; bolsista do Convênio “Conexões de Saberes” (DEDS - PROREXT). Manuela dá mais detalhes sobre si: Veio ao Brasil em função do marido que queria especializar-se mais, está concluindo doutorado, juntamente com os filhos. A família morou alguns anos em Cuba, onde também estudaram. O português que fala é com um acento bem de Portugal.
Pediu à turma que cada um se apresentasse com nome e curso.
Após escolheu uma colega e fez uma pergunta bastante ampla e capciosa: Como essa pessoa falaria sobre a história da educação na América Latina resumidamente. Todos ficaram surpresos e ninguém, a princípio, falou. Todos pensando em como responder. Alguém mencionou que “No Brasil...”, ela interrompeu e disse que gostaria de saber não só do Brasil., mas sim de toda América Latina. Outra colega falou que era muito difícil explicar a educação em toda a América Latina, tendo em vista a diversidade cultural e que cada país tem sua história. Então Manuela colocou que, se era complicado um brasileiro falar sobre a educação de toda América Latina por sua imensa gama de influências e formação, como ela poderia falar da “educação na África”. Disse que antes de ser africana, era moçambicana, só poderia falar do seu país, porque não tinha informação e conhecimento suficiente para dizer algo de todo o continente, existem semelhanças, mas não é igual. Enfatizou que a “África”, são várias Áfricas, são 57 países e não um bloco só como ela percebe que a maioria entende. Profa. Zita colocou que neste processo de “conhecer” a África, existem livros e idéias que formam uma “África imaginária”, idealizada.
Isso deu margem a vários comentários, inclusive dela mesma, dizendo que muitas vezes quando interpelada para responder perguntas de modo geral sobre a África e não respeitando sua diversidade cultural, social, diferentes influências, sistemas e inclusive suas variadas etnias, insistia em afirmar que eram “várias Áfricas”. Inclusive mencionou algumas coisas curiosas: movimentos de afro-descendentes que vêem uma África e não um continente com toda a diversidade possível; algumas vezes dizendo que são descendentes de determinada região da qual sabem falar a língua (por exemplo yorubá, que apenas 15% da população nigeriana do total 136 milhões, falam) e que no entanto dada as condições da maioria que vieram para o Brasil era muito difícil precisar este tipo de coisa. Que perguntavam como era a sua “religião”, colocando que no Brasil muitas religiões eram de “descendência africana”, candomblé, umbanda, etc, que tinha sincretismo religioso. Ela respondia que era católica e as pessoas se surpreendiam. Também, mencionou que uma conhecida pediu para cozinhar algo “africano” e ela respondeu-lhe que poderia ensinar uma receita do seu país, de sua etnia e que isso não era de todo o continente africano. E se indignava quando esta mesma pessoa alterava a receita e continuava a dizer que era “africana”. Discorda totalmente dessa visão e insiste no respeito da diversidade cultural, educacional, assim como é na América do Sul. Achei interessante o paralelo.
Logo a seguir começou a mostrar informações de seu país através de power point.
A primeira coisa que mostrou foi o mapa do continente africano, mostrando onde era Moçambique que fica na parte sul do continente, a leste, banhado pelo o Oceano Índico, em frente está a ilha de Madagascar. Sua capital é Maputo, nome nativo (o nome original português era Lourenço Marques), que está localizada ao sul do País, quase na fronteira com a África do Sul. Apresentou a bandeira do País, mencionando que há uma bandeira da “União Africana”, à qual o País pertence, mas que cada país possui a sua individualmente.
Foi colonizado por Portugal no século XV, quando Vasco da Gama, queria ir para as Índias Orientais. Disse que o nome do país, Moçambique, deve-se a um encontro que teria tido Vasco da Gama com um árabe, cujo povo fazia comércio em costas vizinhas, com nome semelhante e que ele pensou que era o nome do lugar. A língua oficial é o português, mas têm muitas línguas locais.
Em junho de 1975 houve a independência de Portugal. Foi adotado o sistema socialista, regime este que terminou com a morte de seu primeiro presidente, que tinha idéias fortes sobre a unificação da África, inclusive a moeda, em 1987. Sua população é cerca de 20 milhões de habitantes, sendo 47% homens e 53% mulheres. São 11 províncias (estados), 128 distritos e 33 municípios. A partir de 1994 tornou-se democracia parlamentarista. Está em fase de reestruturação a sua economia. A agricultura é de subsistência, a indústria é pouco desenvolvida, a pesca e o turismo é que são o forte, tendo em vista sua grande costa (no Wikipédia: 2000 km). São importantes o gás e o carvão mineral. Disse que o salário mínimo é U$ 50 e também que há muita corrupção.
A noção familiar é diferente daqui, inclui agregados (sobrinhos, etc), também me impressionou a idéia de propriedade. Manuela disse que quando chegasse teria que devolver a casa para a Universidade na qual o marido trabalhava. É comum as empresas cederem casas aos seus trabalhadores, quando mudam de empresa tem que mudar de casa. Pagam algo, mas não é extamente um aluguel. Alguns tem suas terras no interior, mas como querem trabalhar nas cidades, deixam-nas. Quando perguntei se ela não tinha “casa-própria”, me respondeu “Há terras, a terra esta lá”, em algum lugar iria morar, “tem para todos, tem muita terra”. Profa. Zita fala que a idéia vem do sistema socialista. A idéia de propriedade privada é MUITO diferente da nossa, na verdade nem existe. A própria idéia que Manuela me passou a respeito da vida é de um desapego impressionante. Bastante interessante a visão, é de pensar. E questiono (o que não consegui ter resposta) se é apenas influência do socialismo esta visão, ou se também pode ser herança cultural local. Fica a questão.
Quanto à educação: Na era colonial tinha escola que só interessava ao colono. A população local de baixa renda só tinha direito de ir à escola para aprender a ler e escrever. Até poderia fazer alguns pequenos cursos profissionalizantes. A mulher no início só para tarefas domésticas. O moçambicano para ser “doutor” só podia se aliado às missões católicas ou evangélicas. Alguns moçambicanos que conseguiram ir em frente em seus estudos, tornando-se líderes (mencionou os mais conhecidos), organizaram-se para “expulsar o colonizador” (palavras de Manuela, achei curiosa a forma de expressão, parece muito distante de nós, que também fomos colonizados) culminando com a independência. Neste momento a taxa de analfabetismo era de 97%, cinco anos depois era de 70% e hoje, 32 anos de independência, é em torno de 60% da população. Manuela aqui diz que esta porcentagem é do que “classicamente” se entende por analfabetismo. A educação oral é muito forte, aprendem a fazer contas também através da transmissão oral. Neste momento houve a questão de que se antes de serem colonizados havia escrita formal do próprio povo, como por exemplo, no Egito, China. E perguntei aí se era então como nossos índios que tinham uma escrita mais como representação, tipo desenho. Manuela fala que tinha a escrita, mas que os órgãos internacionais não reconhecem. Não entendi exatamente a forma. Outra questão!
O ensino superior iniciou a partir de 1962 como resposta às críticas dos movimentos nacionalistas. Em 1968 criaram uma Universidade, onde só portugueses e açorianos estudavam. Na década de 80 funcionou a “Faculdade para Combatentes e Trabalhadores de Vanguarda”. Em 1986 criou-se o Instituto Superior de Relações Internacionais e assim foram surgindo outras. Manuela fala que quem estuda nestas universidades públicas é a classe de baixa renda, o camponês, o funcionário público. Os moçambicanos ricos, filhos de empresários, etc, estudam no exterior: Ásia, Europa, EUA, Austrália. Quem tem mais de 25 anos, mesmo nas universidades públicas pagam cerca de U$ 600 (para quem tem salário mínimo de U$ 50...).
Hoje são 26 instituições de ensino superior, sendo 15 públicas e as outras privadas. O número de estudantes é de 28.298 (a população é de +/- 20 milhões). Estas universidades públicas são financiadas 50% pelo governo e o resto por “doadores” (Holanda, África do Sul, etc).
Um dado que achei interessante é que é obrigatório a história do País, da África e também dos países de língua portuguesa. Levando em consideração que a língua é um laço importante de união, acho que fica outra idéia para pensar.


(Alterei a ordem das informações, que estão todas presentes, para melhor coesão e síntese do texto, aluna Tânia Sousa e Silva.)

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