Umbanda essa desconhecida -
Claudia Regina Krauthein Gomes
Primeiramente, antes de falar do trabalho de campo sobre a Umbanda creio que devo dizer que ela, para mim, não era tão desconhecida, pois percorri com minha mãe desde os 12 anos casas de Umbanda, pois ela é médium. Sempre gostei das músicas e da alegria que todos parecem comungar
Achei muito lindas as roupas rituais, os cantos com tanta energia, nesta visita em trabalho de campo. A fé ,a entrega dos corpos dos médiuns às entidades que "baixavam" na terreira do Xangô e Mãe Jurema, em Montenegro.
Eu sou universalista e acredito em todas as religiões. O meu olhar àquelas pessoas foi de muito carinho e abri meu coração, ao entrevistá-las. Fiquei atenta e aceitei tudo que ouvi e vi como uma verdade que é consolidada na prática. Pensei no desprendimento destas pessoas e na doação para o bem estar de quem precisa receber "um conforto", como eles mesmos diziam, sobre as consultas/atendimentos que ocorriam por lá.
Éticamente falando, eles têm valores que são a mola propulsora de todo filho de santo que trabalha na casa. Não fazem o mal, não usam mandingas para amarrar casais. O bem prevalece sempre.
Em nós, e em cada ser humano, existe uma dimensão de consciência bem mais profunda que o pensamento. É a essência de quem você é. Podemos chamá-la de presença, de percepção, de consciência livre de condicionamentos. Eu chamo de espiritualidade. Acho que sem termos esta noção imaterial e subjetiva de quem somos (auto-conhecimento) e da maneira como nos portamos no mundo, fica muito difícil viver, primeiro em sociedade, segundo, conosco mesmo.
O Sagrado foi visto por mim, nesta pesquisa de campo, pela indumentária de vestimentas, pelas velas, pelo trabalho de cura e conforto que os médiuns praticavam. Pela energia dos cantos e a força dos tambores que conduziam ao êxtase algumas pessoas. E eu me incluo nisso, porque fui de peito aberto e recebi orientação e apoio de algumas entidades. Agradeci a Deus por existir esta religião, que congrega tantas pessoas diferentes ligadas a um objetivo comum: A Paz no mundo, a alegria e a saúde. E que também está aberta a todas as pessoas de religiões diferentes que por ventura passem por lá.
Nosso grupo estava bem harmônico, a recepção das pessoas da Terreira também. Foi num ambiente bem familiar que fomos recebidas.
Mudei minha percepção, pois a muito tempo não freqüentava e foi ótimo entrevistar as pessoas e fazer este trabalho etnográfico.
Finalizo com um pensamento de Herbert Spencer, que acho que é bem pertinente ao falar de pré-conceitos religiosos
"Há um princípio que serve de barreira contra toda e qualquer informação de prova, contra todo o argumento e que jamais pode falhar, a fim de manter o homem em permanente estado de ignorância. Este princípio condena, antes de pesquisar.".
Claudia Regina Krauthein Gomes

5 Comentários:
BEM INTERESSANTE ESTE BLOG!É SIMPLES,PORÉM BEM INFORMATIVO!
Lurdes ChimankoZander
Sou professora de Ensino Religioso,acho importante conhecer outras religiões, pois fui doutrinada na IECLB. Hoje conheço várias doutrinas diferentes, o mais importante é respeitar todas e valorizar o que beneficía a vida.
Gostei muito deste Blog, quero parabenizar a Claudia pelo esclarecedor texto sobre a Umbanda.
Sou filha de santo, faço parte da Sociedade Beneficiente Ilê Oxum Docô e estamos de portas abertas para visitas de cunho informativo. Nosso endereço é: Rua Marista nº441, Bairro Partenon,Fone 33392743.
Um grande abraço e parabéns pela iniciativa.
Cristina, PEAD Gravataí.
Olá Claudia,
Permita-me invadir o teu espaço. Sou aluna do Curso de Especialização em Tecnologias pela UFRGS e uma das atividades da Disicplina PROA 17, era visitar e deixar comentários em alguns blogs. Me surpreendi com o que escreveste, muito interessante. Me instigou a saber mais sobre este assunto. Abraço,
Neura
Olá Cláudia! Sou aluna do Curso de Especialização em Tecnologia pela UFRGS, achei bastante interessante seu relato sobre a Umbanda. Parabéns! Um abraço!
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