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sexta-feira, agosto 25, 2006

Aula 25/08/06 - Sociologia da educação I

Na aula deste dia , considerando a palestra sobre a abertura de cotas na universidade, foram levantadas pelos professores as seguintes questões:
1. Cotas é o avanço moral daqueles que pensam resgatar o pecado de uma sociedade injusta?
2. O mundo não é. O mundo está sendo. (sim/não, por quê?)
Foi pedido para que os alunos se organizassem em grupos com o objetivo de transcrever em lâminas as idéias trazidas nas discussões instigadas pelas perguntas. Como resposta, as opiniões foram expostas de diversas formas: desenhos, frases e esquemas.
O texto que finalizou a aula propiciando uma reflexão foi do livro O desafio ético de Luís Fernando Verríssimo, pág. 23.

Justiça
"A injustiça é relativamente fácil de aturar, é a justiça que fere." A frase de H.L. Mencken se adapta ao Brasil, onde aprendemos a conviver com a injustiça indignando-nos, passageiramente, com tudo e mudando nada, a não ser a retórica da nossa falsa inconformidade. Elegemos e reelegemos as mesmas estruturas políticas, não porque elas mudem de origem ou de hábitos, mas porque mudam o discurso. Como o seu compromisso com a mudança e com a justiça, é sempre da boca e da tribuna para fora, é sempre retórica, basta mudar a retórica - e uma ou outra cara - para assegurar a sobrevivência. Sabemos como ninguém verbalizar nossos problemas e as suas soluções, mas na hora de trocar a eloqüência pela prática preferimos ficar no discurso, e a eloqüencia da acomodação, ou a capitulação , é a mesma da indignação. Para deixar de ver o mundo pela ótica de Marx e passar a vê-lo pela ótica do FMI não é preciso mudar de cara, não é preciso nem mudar de óculos, basta ajustar a eloqüência. É, sim, relativamente fácil conviver com a injustiça. No Brasil, não fazemos outra coisa há anos. E sempre pelo método mais simpática, o da desconversa. VERÍSSIMO

1 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

As cotas não darão uma soluçâo imediata, temos que resolver também o problema do ensino médio e fundamental. Mas pensem que quem é negro ou pobre e está pensando em entrar na universidade agora precisa de uma solução imediata, e não de uma reforma de base. Esta reforma na base educacional beneficiará quem está no ensino médio e fundamental a longo prazo. As ações afirmativas têm que ser tomadas agora.
Por outro lado, ser contra ou a favor limita muito a discussão. O importante é pensar sobre o racismo. Eu mesma fico dividida: Sou totalmente a favor e em alguns momentos não vejo como a principal saída. Tenho encontrado muitas limitações e uma delas é como manter um aluno carente na universidade se ele precisa trabalhar?? Se falamos em cotas sociais o programa de benefícios seria relevante se pudesse fazer o aluno entrar na universidade e também permanecer nela até o final do curso.
Penso que o mérito de ser negro está em segundo lugar e em 1º plano deverá ser preservado o direito social à educação pública de qualidade. O resgate histórico não é mais importante do que a preservação de uma identidade racial, baseada no respeito a riqueza cultural que o negro preservou até hoje em nosso país, apesar de todas as viscissitudes.Riqueza que é presente e não passado. Sobre o passado não podemos lastimar mais, falar do tempo da escravatura não nos ajuda, pois hoje todos somos escravos de um conjunto de idéias pré-concebidas sobre as coisas.
Eu acho que as Cotas são um assunto delicado, para ser discutido no meio de filósofos, sociólogos e elucidado a luz da lógica e da argumentação. Só assim as opiniões poderão ser compartiladas e respeitadas. A democracia está ai, para quem quiser ouvir e falar, mas devemos saber antes de falar. "Eu só sei que nada sei!!"

Claudia Krauthein .

4:27 PM  

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