Resenha Casa-Grande & Senzala
Gênese da miscigenação étnica no Brasil
Tatiane Alves dos Santos
Casa ? grande e senzala é uma obra que identifica a gênese da sociedade brasileira, está definida como nação mestiça - fruto da miscigenação do branco português com o índio e o negro. O autor enfatiza o sexo e a miscigenação que se inicia no Brasil Colonial, não deixando de destacar a vida da família patriarcal , a alimentação, a crença relacionada a educação infantil, entre outros aspectos.
Freyre vai de encontro a defesa de um branqueamento social e lança ,em 1933, Casa ? Grande e Senzala cuja função será de então, opor-se às teorias racistas da época e, desse modo, celebrar o papel essencial das etnias dominadas - índios e negros - na formação desse Pais.
A obra lança mão de algumas incertezas. Há uma minuciosa descrição do período colonial, aborda-se ,como já foi citado, a miscigenação, o latifúndio, a escravidão. Esses aspectos são os pilares da colonização portuguesa , porém a obra deixa a desejar em um sentido de crítica mais consistente ao aludir esses aspectos históricos. Com um olhar nos entremeios é possível visualizar essa falha no referido ensaio. Todavia, a obra não perde seu brilhantismo ao, simplesmente, mostrar os fatos.
Afora isso, o livro traz o papel de cada etnia ( índios-negros-brancos) na formação social do Brasil. Os índios com Característica nômade, não possuíam o hábito do trabalho, conseqüentemente, houve uma tentativa fracassada de escravizá-los; já as mulheres eram vistas como procriadoras, sobretudo no primeiro século de colonização, que Freyre destaca como período de verdadeira "intoxicação sexual" (p.93). As índias supriam o grande problema da colonização: a falta de mulheres brancas e então eram "atacadas" vorazmente pelos lusitanos. Assim, a mulher indígena será a base da família brasileira. A educação aplicada aos indios era a catequese veiculada, acima de tudo, para as crianças, visto que essa seria uma forma de doutrinar os adultos. O papel fundamental dessa educação era a conversão desses individuos ao cristianismo, uma vez que somente assim eles teriam alma e deixariam de ser selvagens. Aos poucos, a cultura das tribos ia sendo "atropelada" pela cultura do branco. Para Freyre os principais culpados para o despovoamento indígena foi os jesuítas.; justamente por ser esses q forçaram uma evangelização dos índios, arrancando-os de seu habitat natural. Já o senhor do engenho tentava escravizá-los. Nesses dois momentos o reflexo foi a fuga e muitos suicídios dos índios.
Haja vista a dificuldade de mão - de - obra foi ? se necessário importar força de trabalho e os escolhidos seriam , então, os negros africanos; caçados como animais e vendidos como mercadoria aos senhores de engenho. A escravidão desenraizava o africano de seu meio social e desfazia seus laços familiares. Além do trabalho desumano, ele também era usado como reprodutor para o aumento do "rebanho" do senhor de engenho. As crianças negras ao nascer, embora batizadas, eram consideradas "pessoas sem alma" pela Igreja. A mulher escrava circulava entre a senzala e o interior da casa-grande, as mais bonitas eram dométicas ou concubinas do senhor. Por ser a mulata objeto de desejo não só dos senhores, mas também dos meninos ( muitas vezes iniciavam a vida sexual dos garotos) recebiam os mais variados castigos físicos das sinhás ? desde a extração de dentes até a queimaduras em suas faces. As amas de leite eram quem ensinavam as primeiras palavras, num português tosco às crianças. A música, a dança e o canto dos escravos alegravam a casa-grande. Surgia também uma nova forma de falar que deixava para trás o português arcaico ensinado pelos jesuítas aos filhos do senhor. Sucessivamente várias mudanças ocorriam: era um novo jeito de falar, de andar, de comer...

1 Comentários:
Eu sou super fã de Clara Nunes e ela cantou a seguinte música que fala de uma forma bem sintética das três raças que formaram o Brasil.
Canto Das Três Raças
Clara Nunes
Composição: Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro
Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil
Um lamento triste
Sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou
Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares
Onde se refugiou
Fora a luta dos Inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou
E de guerra em paz
De paz em guerra
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar
Canta de dor
ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô
E ecoa noite e dia
É ensurdecedor
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador
Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas
Como um soluçar de dor
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