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segunda-feira, abril 24, 2006

Casa Grande Senzala...

Fazer um relato sobre o que os três primeiros capítulos de Casa Grande Senzala colaboram no processo ?Olhares nos entremeios? é muito interessante, pois essa Obra é esse Olhar nos entremeios. Gilberto Freyre analisa a ocupação do Brasil por um ângulo que os professores de história nas escolas não costumam repassar. É uma visão sem romances e sem heróis, que simplesmente conta os fatos. Eu resolvi falar de um assunto mais específico, a dominação portuguesa através do sexo e consequentemente da reprodução com as índias e negras que aqui viviam.
Casa-grande e senzala é um painel gigantesco da nossa formação. Gilberto Freyre em sua obra mostra a origem do povo brasileiro pela miscigenação dos outros povos (principalmente os portugueses) com os índios que aqui já viviam. Para ele, o domínio do povo português se deu pelo fato de não se preocuparem tanto com a ?pureza? da raça, como faziam os espanhóis e os ingleses, por exemplo. Os portugueses sabiam da importância de povoar o continente conquistado e como não tinham mulheres suficientes para trazer de Portugal, tiveram que reproduzir com as índias e negras que aqui viviam.
Mas não vamos pensar que para eles isso foi um sacrifício. Os portugueses se viram em uma situação onde mulheres nuas circulavam na sua volta, se ofereciam em troca de espelhos e outras coisas, e eles gostavam dessas trocas. Freyre diz: ?O ambiente em que começou a vida brasileira foi de grande intoxicação sexual. O europeu saltava em terra escorregando em índia nua. Os próprios padres da Companhia precisavam descer com cuidado, se não atolavam o pé em carne?.
Ao se entregarem à luxúria com índias e negras, os portugueses teriam estabelecido um aspecto democratizador nas relações étnicas do Brasil. Essa mestiçagem foi o que possibilitou a adaptação e o triunfo da civilização européia em meio às dificuldades oferecidas pelo clima (apesar do autor não acreditar que o clima era um problema) e costumes tropicais.
Gilberto não poupou críticas há inúmeros interpretes da nossa civilização que, atribuíam ao negro, em especial as pretas e mulatas as baixezas morais, numa interpretação discriminatória em que ainda hoje, por meio da leitura destes textos, verificamos o preconceito daqueles denominados por Freyre de ?publicistas e cientistas brasileiros? que, exaltavam os valores superiores da raça branca comparando-os com as inferiores tradições da raça negra, justificando assim, as barbaridades cometidas durante a escravidão do negro do Brasil.
A miscigenação possibilitou diferentes culturas ao mesmo povo (no caso, o brasileiro) como religião, artesanato, culinária; porém, o racismo e o preconceito ainda existem. A colonização portuguesa pela exploração do índio e do negro é uma forma de racismo e descriminação, pois o branco não respeitou a cultura de nenhum povo, se achando superior. Freyre trás as conseqüências dessa tomada como as doenças sexuais trazidas pelos brancos, a destruição de famílias, a prostituição das índias e negras, enfim, a desestabilização de uma sociedade em prol do enriquecimento de outra. Muito disso ainda está presente nas pessoas. Ainda hoje, o índio é tratado com desrespeito, sendo julgado como preguiçoso e ignorante, por que não vive como o branco. O negro ainda sofre com descriminações. Quem lembra do caso dos dois meninos que corriam para entrar na escola no dia do vestibular e foram presos por ?engano??!
Na verdade, antes de julgar esses fatos, deveríamos lembrar de que todos nós trazemos um pouco de cada cultura, seja no aspecto físico, seja na nossa religião ou até mesmo em nossos costumes! Quem nunca comeu mandioca fritinha, ou nunca foi num centro espírita?!
O respeito é a principal coisa que ainda nos falta, eu diria, o respeito e o auto-conhecimento.
Esse é o olhar nos entremeios que eu faço sobre a reprodução, povoamento e ocupação lusitana que trás Casa Grande Senzala.
Encerro repetindo uma frase de Freyre em sua Obra: ?Todo brasileiro traz na alma e no corpo a sombra do indígena ou do negro?.
Espero que tenham gostado, beijos para todos!
Ohana Homem.

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