Sobre "A Riqueza do Homem"
Cara professora Carmem, comecei um pouco atrasado a leitura da História da Riqueza do Homem, mas consegui, apesar das inúmeras outras leituras da faculdade, chegar ao capítulo que estamos discutindo. Foi realmente esclarecedor até aqui. Gostaria de fazer um resumo de tudo o que entendi deste livro do Leo Huberman, que explica a história pela teoria econômica e vice-versa.
Começamos no século X, num sistema feudal onde haviam basicamente três grupos distintos: os sacerdotes, os guerreiros e os trabalhadores. Estes trabalhadores viviam do campo, plantavam para o próprio consumo e para o consumo dos senhores feudais e sua condição pouco diferia da de escravos. Os costumes, então arraigados, tinham força de lei. O período feudal foi um período de guerras por que a quantidade de terra era a medida de riqueza e os senhores a disputavam incessantemente. A Igreja era muito influente econômica e politicamente pois tornou-se, com o passar dos anos, o maior dos proprietários de terras da Europa.
Começa a surgir o comércio. As Cruzadas e a conquista da Terra Prometida favoreceram o seu desenvolvimento. Igreja e Nobreza viram na luta contra os muçulmanos a oportunidade de aumentar sua riqueza, e desse trânsito constante foram surgindo as práticas comerciais. Veneza se tornou uma referência no período por sua localização geográfica estratégica. Mercados semanais, que atendiam às necessidades de uma determinada localidade viram surgir as grandes feiras que vendiam por atacado, aos grandes mercadores, produtos que vinham de todos os cantos do mundo conhecido. Depois do século XII a economia da Idade Média mudou radicalmente. O uso de dinheiro para as mais diversas transações substituiu a simples troca de produtos característica do início da Idade Média.
O aparecimento das cidades foi representativo das mudanças desta época. Os viajantes mercadores se fixavam em lugares chamados ?burgos? e aí começaram a construir fortificações cada vez maiores. Estes lugares, por sua vez, atraíam grande número de trabalhadores feudais à procura de melhores chances de prosperidade. Isso causou a ira de alguns senhores feudais e os comerciantes foram obrigados a formarem corporações para aumentar seu poder político e garantir a expansão do comércio. Estas associações de mercadores cresceram em riqueza e influência. Angariaram para si diversos privilégios monopolistas, deixando de fora da atividade os não-membros e também os mercadores estrangeiros. Uma corporação conhecida como Liga Hanseática, tornou-se tão poderosa que seu monopólio se estendeu por todo o norte da Europa.
Uma nova relação entre o camponês e o senhor feudal se mostrou interessante para ambos: o pagamento em moeda por um arrendamento de terras em lugar da paga em trabalho braçal. Alguns campônios chegaram a comprar sua liberdade total. O advento da Peste Negra foi outro fator que colaborou para a valorização do trabalhador. Com a escassez de mão de obra elevou-se a cotação do seu trabalho. Muitos senhores feudais resistiram às novas regras e isso deu chão às chamadas revoltas camponesas. As mudanças eram inevitáveis e o velho sistema feudal acabou.
Na Segunda metade do século XIV a Europa Ocidental viu outra revolta generalizar-se. Desta vez os empregados e artesãos menores se levantaram contra o poder de uma nova classe superior, os burgueses. Esta luta de classes se deveu às mudanças nas relações entre patrões e empregados. O que no início era uma corporação que primava pela igualdade entre filiados foi aos poucos adotando diferentes tratamentos para diferentes tipos. Isso deu origem a novas corporações, os precursores dos nossos atuais sindicatos. Apesar de algumas conquistas as corporações dos pobres duraram pouco. O poder das cidades livres diminuiu e começou a se configurar a criação de um Estado Nacional. Esta tarefa coube à nobreza - auxiliada pela classe média - que viu a necessidade da derrubada dos monopólios das corporações de cada cidade para a construção de um Estado forte. Isso feito, incutiu-se na população um sentimento crescente de nacionalismo. A Igreja ainda era muito poderosa e representava, por sua persistente identidade feudal, um obstáculo ao desenvolvimento. A Reforma Protestante de Lutero e Calvino serviu, disfarçada de movimento religioso, para minar as forças da Igreja Católica.
Revolução Comercial. Numa época em que se tentava por todos os meios manter o ouro e a prata nos cofres de um país (símbolo e garantia de uma riqueza), a procura por novos filões aumentou sensivelmente. Enquanto buscavam um caminho para as Indias, para quebrar o monopólio de Veneza no comércio das especiarias, navegações espanholas esbarraram no continente americano. Isto foi providencial para os cofres espanhóis que passaram então a receber enormes quantidades de ouro e principalmente prata das minas no Peru e no México. O caminho para as Indias foi descoberto por Vasco da Gama e uma nova rota de comércio com o oriente se estabeleceu. O comércio crescia vertiginosamente. Criaram-se as companhias de mercadores, empreendimentos perigosos e caros que necessitavam do dinheiro de muitos acionistas para se tornar realidade. O comércio se estendeu à América e África e os lucros foram astronômicos. Foi a era dos grandes mercadores e banqueiros, mais notadamente os Fuggers, empresa bancária que teve influência muito forte na atividade econômica do século XVI. Antuérpia se consagrou como o novo centro comercial e financeiro da Europa. Foi nesta cidade que começou-se a usar diariamente modernas técnicas de finanças, sistemas de créditos que dispensavam o uso de moeda.
Mas esta onda de prosperidade não era para todos. Nunca houve tão grande quantidade de mendigos na Europa. Parte disso se deveu às guerras constantes e outra parte ao grande afluxo de prata que os galeões espanhóis levaram ao velho mundo. A prata saía da Espanha e circulava por toda a Europa provocando um terrível aumento de preços. Isso provocou uma crise generalizada. O preço dos arrendamentos subiu demasiadamente. A terra virou objeto de especulação e deixou uma parcela da população sem nada além da sua força de trabalho para sobreviver.
O aparecimento do sistema mercantil se deu como resposta à carência de ouro e prata de muitas nações. Estas concluíram que a única maneira de trazer estes metais para seus cofres era a existência de uma balança comercial favorável. Como conseqüência, aumentou o fomento às indústrias nacionais. A idéia era exportar muito mais do que importar. Foi também nessa época que se criou a noção de que os interesses do Estado são os mesmos da classe de mercadores e comerciantes. Os países colonizadores, além de explorar suas colônias tinham cada vez mais claro que o seu crescimento devia andar paralelo à diminuição das economias de outros países. Este pensamento levou-os à guerra.
Mario Telmo Guerreiro
Começamos no século X, num sistema feudal onde haviam basicamente três grupos distintos: os sacerdotes, os guerreiros e os trabalhadores. Estes trabalhadores viviam do campo, plantavam para o próprio consumo e para o consumo dos senhores feudais e sua condição pouco diferia da de escravos. Os costumes, então arraigados, tinham força de lei. O período feudal foi um período de guerras por que a quantidade de terra era a medida de riqueza e os senhores a disputavam incessantemente. A Igreja era muito influente econômica e politicamente pois tornou-se, com o passar dos anos, o maior dos proprietários de terras da Europa.
Começa a surgir o comércio. As Cruzadas e a conquista da Terra Prometida favoreceram o seu desenvolvimento. Igreja e Nobreza viram na luta contra os muçulmanos a oportunidade de aumentar sua riqueza, e desse trânsito constante foram surgindo as práticas comerciais. Veneza se tornou uma referência no período por sua localização geográfica estratégica. Mercados semanais, que atendiam às necessidades de uma determinada localidade viram surgir as grandes feiras que vendiam por atacado, aos grandes mercadores, produtos que vinham de todos os cantos do mundo conhecido. Depois do século XII a economia da Idade Média mudou radicalmente. O uso de dinheiro para as mais diversas transações substituiu a simples troca de produtos característica do início da Idade Média.
O aparecimento das cidades foi representativo das mudanças desta época. Os viajantes mercadores se fixavam em lugares chamados ?burgos? e aí começaram a construir fortificações cada vez maiores. Estes lugares, por sua vez, atraíam grande número de trabalhadores feudais à procura de melhores chances de prosperidade. Isso causou a ira de alguns senhores feudais e os comerciantes foram obrigados a formarem corporações para aumentar seu poder político e garantir a expansão do comércio. Estas associações de mercadores cresceram em riqueza e influência. Angariaram para si diversos privilégios monopolistas, deixando de fora da atividade os não-membros e também os mercadores estrangeiros. Uma corporação conhecida como Liga Hanseática, tornou-se tão poderosa que seu monopólio se estendeu por todo o norte da Europa.
Uma nova relação entre o camponês e o senhor feudal se mostrou interessante para ambos: o pagamento em moeda por um arrendamento de terras em lugar da paga em trabalho braçal. Alguns campônios chegaram a comprar sua liberdade total. O advento da Peste Negra foi outro fator que colaborou para a valorização do trabalhador. Com a escassez de mão de obra elevou-se a cotação do seu trabalho. Muitos senhores feudais resistiram às novas regras e isso deu chão às chamadas revoltas camponesas. As mudanças eram inevitáveis e o velho sistema feudal acabou.
Na Segunda metade do século XIV a Europa Ocidental viu outra revolta generalizar-se. Desta vez os empregados e artesãos menores se levantaram contra o poder de uma nova classe superior, os burgueses. Esta luta de classes se deveu às mudanças nas relações entre patrões e empregados. O que no início era uma corporação que primava pela igualdade entre filiados foi aos poucos adotando diferentes tratamentos para diferentes tipos. Isso deu origem a novas corporações, os precursores dos nossos atuais sindicatos. Apesar de algumas conquistas as corporações dos pobres duraram pouco. O poder das cidades livres diminuiu e começou a se configurar a criação de um Estado Nacional. Esta tarefa coube à nobreza - auxiliada pela classe média - que viu a necessidade da derrubada dos monopólios das corporações de cada cidade para a construção de um Estado forte. Isso feito, incutiu-se na população um sentimento crescente de nacionalismo. A Igreja ainda era muito poderosa e representava, por sua persistente identidade feudal, um obstáculo ao desenvolvimento. A Reforma Protestante de Lutero e Calvino serviu, disfarçada de movimento religioso, para minar as forças da Igreja Católica.
Revolução Comercial. Numa época em que se tentava por todos os meios manter o ouro e a prata nos cofres de um país (símbolo e garantia de uma riqueza), a procura por novos filões aumentou sensivelmente. Enquanto buscavam um caminho para as Indias, para quebrar o monopólio de Veneza no comércio das especiarias, navegações espanholas esbarraram no continente americano. Isto foi providencial para os cofres espanhóis que passaram então a receber enormes quantidades de ouro e principalmente prata das minas no Peru e no México. O caminho para as Indias foi descoberto por Vasco da Gama e uma nova rota de comércio com o oriente se estabeleceu. O comércio crescia vertiginosamente. Criaram-se as companhias de mercadores, empreendimentos perigosos e caros que necessitavam do dinheiro de muitos acionistas para se tornar realidade. O comércio se estendeu à América e África e os lucros foram astronômicos. Foi a era dos grandes mercadores e banqueiros, mais notadamente os Fuggers, empresa bancária que teve influência muito forte na atividade econômica do século XVI. Antuérpia se consagrou como o novo centro comercial e financeiro da Europa. Foi nesta cidade que começou-se a usar diariamente modernas técnicas de finanças, sistemas de créditos que dispensavam o uso de moeda.
Mas esta onda de prosperidade não era para todos. Nunca houve tão grande quantidade de mendigos na Europa. Parte disso se deveu às guerras constantes e outra parte ao grande afluxo de prata que os galeões espanhóis levaram ao velho mundo. A prata saía da Espanha e circulava por toda a Europa provocando um terrível aumento de preços. Isso provocou uma crise generalizada. O preço dos arrendamentos subiu demasiadamente. A terra virou objeto de especulação e deixou uma parcela da população sem nada além da sua força de trabalho para sobreviver.
O aparecimento do sistema mercantil se deu como resposta à carência de ouro e prata de muitas nações. Estas concluíram que a única maneira de trazer estes metais para seus cofres era a existência de uma balança comercial favorável. Como conseqüência, aumentou o fomento às indústrias nacionais. A idéia era exportar muito mais do que importar. Foi também nessa época que se criou a noção de que os interesses do Estado são os mesmos da classe de mercadores e comerciantes. Os países colonizadores, além de explorar suas colônias tinham cada vez mais claro que o seu crescimento devia andar paralelo à diminuição das economias de outros países. Este pensamento levou-os à guerra.
Mario Telmo Guerreiro

4 Comentários:
bom dia, gostaria de saber c vc tem o resumo do livro a "História da Riqueza do Homem" por capítulo?
Perfeito, Claro e prático!!!
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Otimo resumo.Arespeito vc tem o resumo por capitulo ?
grato
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial