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sexta-feira, novembro 26, 2004

Tecnologia e o humano!


Gostei de nosso trabalho na terça feira. As questões trazidas pelo grupo mostram um cuidado metodológico para contextualizar a produção do autor, o processo histórico, examinar o conceito e refletir sobre suas contribuições para com as necessidades/desejos que vivenciamos. Parabéns!
Lembrei que ainda poderia ter dito a vocês que Buttigieg, também é um italiano, nosso contemporâneo que esteve no Brasil em 2002, quando apresentou o texto que estamos lendo no Colóquio do mesmo nome do livro organizado pelo Carlos Nelson Coutinho. Podemos problematizar as idéias do autor frente aos comprometimentos e compromissos que temos, tanto téorica como praticamente. Isto esta por ser feito, ou não!!!

A partir do exame deste conceito de hegemonia podemos, por exemplo, problematizar nossa apropriação da tecnologia, nos nossos fazeres e no que já se escreveu sobre isto; podemos também trabalhar ontologicamente nossa própria reflexão; ou também analisar as questões que dizem respeito ao direito e as suas crises; finalmente e isto me parece mais interessante, refletir acerca de nosso ser professora e professor. Como diz Arroyo:

"É pesada a imagem da tradição que padecemos. A maioria dos professores e das professoras de Educação Básica foram formados(as) para serem ensinantes, para transmitir conteúdos, programas, áreas e disciplinas de ensino. Em sua formação não receberam teoria pedagógica, teorias da educação, mas uma grande carga horária de conteúdos de área e metodologias de ensino. E verdade que essa imagem de ensinante vem sendo alterada, no diálogo com a prática, nas interrogações vindas do convívio com a infância, a adolescência ou juventude. No diálogo com colegas, nos confrontos políticos, na sensibilidade com a dinâmica social e cultural fomos :reaprendendo nossa condição de educadores(as). Um aprendizado através de um dialogo tenso que vai: reconstruindo o rosto desfigurado e indefinido.
O uso do termo "ensino" e não "educação fundamental e média" reflete uma longa história de destaque do papel social da escola como tempo de instrução, de aprendidas letras e das noções elementares de ciências. A imagem social da escolinha das primeiras letras e da professora das primeiras letras ainda é muito forte em nossa cultura social e política." (ARROYO, Miguel. Ofício de mestre. São Paulo: Vozes, 2000. p. 52)

Lembro-me de ter participado, de várias mesas de debate sobre a escola, quando o conteúdo e o direito ao saber socialmente acumulado foi o foco das discussões. Um dos expositores centrou toda sua reflexão numa frase: "a função da escola e dos seus mestres é ensinar". Compartilhar, celebrar, visitar, era, e creio que ainda é, visto como perda de precioso tempo do ensino". Contar histórias, sair do texto, desvelar o sonho, propor o diferente, representa o que? Qual o sentido? Com que propósitos? Hegemônicos apenas?

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